O BBB19 começou… E a diversidade do elenco continua sendo o grande potencial dessa nova era do programa.
O Big Brother mudou, qualquer pessoa que se dê o direito de assistir a algumas das edições mais recentes sabe disso. Depois de muitas edições em que a aparência e a juventude eram o requisito principal para se criar narrativas românticas, o programa começou a arriscar um elenco mais diverso, com participantes acima dos 50, de todas as formas, cores e, sobretudo, com intelectualidade. Os dois últimos ciclos eram tomados de universitários, professores, poetas, artistas… A direção do programa aceitou que quando o jogo se move as coisas funcionam melhor, o que faz toda a diferença na repercussão, na resposta da audiência e também nos resultados. Os últimos BBB’s foram os menos previsíveis e os mais disputados.

Ano retrasado, na entrada de Thiago Leifert, as coisas ainda ganharam uma dinâmica mais ávida, movimentada e com uma linguagem nova, onde a soberania filosófica e distanciada de Pedro Bial, deu lugar à informalidade, o que tornou as coisas mais próximas, embora ainda provocativas e suspensiosas. O programa passou a ser movido não pelos hormônios sexuais dos envolvidos, mas pela vontade de ganhar, de superar os rivais, de movimentar as peças do jogo, o que nos rendeu momentos incríveis de estratégia, de intriga, fazendo com o que o programa se aproximasse dos melhores realities de convivência e exclusão do mundo.
Nos dois últimos anos, contudo, as estreias foram estranhas. No BBB17 colocaram gêmeos para conviverem durante os primeiros dias. Foi frio, confuso e embora a controversa Emily estivesse ali, o público se afastou e tudo demorou um bocado para engrenar. Já no BBB18 a mesma estratégia foi usada, mas com uma família inteira. 5 membros disputavam duas vagas e ficaram na casa sozinhos também durante os primeiros dias. A repercussão foi melhor, embora não pelos motivos certos. A internet – sobretudo o twitter – tira suas conclusões muito rápido e até mesmo acusações de incesto surgiram no horizonte. Assim como aconteceu com os gêmeos, finalistas também estavam entre esses elementos iniciais. O que quer dizer que mesmo que os começos tenham sido frios, houve resultados claros no método.
Esse ano, na edição 19, o tal método foi esquecido. O programa já passou por alguns perrengues antes da estreia, com um participante acusado de agressão e outro sendo eliminado antes mesmo de entrar. Talvez isso tenha se refletido na decisão de criar um super paredão, com 14 possibilidades de eliminação. Mas, a estrutura montada para a estreia transcende isso. A disputa começou já na chegada deles, que estavam disputando, sem saber, duas importantes imunidades. Analisando mais atentamente essa dinâmica dá para chegar a algumas conclusões interessantes. Geralmente na primeira semana é muito difícil conhecer as pessoas, entender quem seriam as peças dispensáveis do tabuleiro. Quando os três escolhidos vão para o paredão, a eliminação acontece baseada em impressões rasteiras. Essas impressões vem lá de dentro muito mais que aqui de fora. O público acaba eliminando alguém baseado em quem colocou aquela pessoa no paredão e não pelo que o emparedado fez. Com 14 na berlinda a responsabilidade vira toda para o público, que, sozinho, vai escolher quem menos se faz notar ou quem se faz notar da forma errada. Assim, parece que estamos diante de uma decisão muito promissora. Cada um deles vai ter que se fazer notar nos tons certos para manter sua permanência. É uma boa ideia.

A organização da casa também pode gerar boas tensões. As compras, as estalecas, a comida como um todo sempre foi artigo de manipulação da produção, que esse ano não deixou de pensar num elenco que refletisse conflitos sociais e políticos latentes. Há uma vegana ativista no grupo, uma lésbica ativista no grupo, um cientista social artista, um jovem saído da comunidade da Rocinha e também um número considerável de indivíduos que representam o outro lado dessa moeda, com vidas de classe média, donos de propriedades, baluartes do direitismo presumido. Enfim, quando a roleta gira, pode ser que os embates aconteçam ou pode ser que simplesmente as iscas não sejam mordidas. E pode até acontecer o pior, que é a isca ser mordida do lado errado, como quando Marcelo Dourado foi colocado numa edição com dois homossexuais assumidos e conseguiu virar o jogo a próprio favor. Essa pode ser uma edição para arrancar todos os cabelos de tanto nervoso.
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Nos veremos aqui toda semana, com textos depois do paredão e com um ranking dos meus favoritos. A nossa experiência sócio-cultural






















