E ao tratar de seu terrorista, Justiceiro entregou um competente episódio com Virtue of the Vicious.

Por nove capítulos, basicamente, Justiceiro escolheu desenvolver a história de um jovem veterano de guerra, sem o aproximar de Frank Castle, outro veterano. Através de uma complexa jogada de bastidores, a série tentou mostrar exatamente o que poderia ter acontecido com nosso protagonista, em situação similar. Como estaria Frank hoje, se sua família não tivesse sido morta? Bom, apesar de não ter conseguido aproximar o protagonista do coadjuvante, esta é a pergunta que o episódio levanta.

E apesar de entender a situação mental do Lewis, ainda é estranho vê-lo assassinando um compatriota, a sangue frio. Ele é o terrorista que atacou pessoas inocentes, mas até mesmo psicopatas seguem um padrão definido, irregular, mas definido. Sua cena com os passarinhos, porém, é uma perfeita ilustração da posição em que ele enxerga a sociedade, presa, por opção e com medo de sair de dentro da própria gaiola. Contudo quem está amarrado é o próprio Lewis, que nunca conseguiu sair de dentro da realidade da guerra e por isso, ele se enfurece. Como é possível que duas criaturas presas, não festejariam a liberdade recém conquistada? Cabe a Lewis forçar a liberação, de sua maneira desviada e violenta.

O episódio consegue ser o melhor da série, até aqui, mesmo que a conexão do Justiceiro com a trama central, o homem por trás da morte de sua família, tenha sido deixada de lado para explorar o veterano e agora terrorista, Lewis. Tensão, surpresas, tiros inesperados e explosões, esta parece muito com a série do Justiceiro que me foi prometido, através de trailers e pôsteres, antes de sua estreia.

Uma pena que tanto desenvolvimento tenha caído tão rapidamente com Billy. Sua revelação no final do episódio, como uma espécie de clichê de histórias em quadrinhos e produções dos anos 80, em que o vilão conta todo seu plano, ou revela sua verdadeira face, quando poderia claramente se safar – e matar Dinah e Castle com um tiro cada, é um pouco decepcionante. Mas mesmo a revelação de Russo não conseguiu apagar a crescente de bons momentos de Justiceiro, com o personagem descendo vários andares com uma mangueira de incêndio.

O problema é que Castle, um homem tão movimentado por sua sede de justiça e punição, enrolou (e continua enrolando) por 10 episódios. Enquanto ele fazia visitas a esposa do Micro, ou enquanto a série desenvolvia Lewis para em um capítulo derrubar a máscara de Russo com tanta facilidade e inserir Karen e Madani na mesma página, com uma frase, o ritmo foi o cordeiro sacrificado pelo time criativo para um apanhado de resoluções apressadas.

A verdade é que este décimo episódio deveria ter sido o grande ápice da meia temporada, encerrando o arco de Lewis e depois livrando o caminho de Castle para que ele realmente mergulhasse de cabeça na trama central da série. Aqui, tão perto do final, o resultado não é tão forte quanto deveria. Faltam apenas mais três episódios para que Justiceiro encerre seu ano de estreia e infelizmente, a imagem que guardarei é de uma série que poderia ter imposto um ritmo realmente bom, com histórias melhores e outros antagonistas para que Frank e Micro pudessem lidar, antes do desfecho final.

O recurso de contar parte da história não é nenhuma novidade, mas após 9 capítulos de muitas repetições, a mudança na fórmula veio como uma agradável quebra na sensação de mais do mesmo. E os momentos explosivos, alguns literalmente explosivos, foram bons o suficiente para enriquecer ainda mais a experiência de uma batida já bem manjada para quem é série maníaco.

E obviamente a série termina tomando partido na discussão do desarmamento, de uma maneira que irá levantar algumas discussões e dedos apontados. Ao inserir um Senador que defende o desarmamento e o enrijecimento das leis que permitem a compra de armas, como um covarde e mentiroso, a série toma um lado bem definido neste quesito. Só que em nenhum momento ela deixa a entender que é parte do problema, ou da solução. A história termina sem nenhuma conclusão e talvez, com um retorno, o Senador termine como mais um político, tentando vender seu peixe, sem nenhuma conexão com a realidade. Qual realidade? Nem o roteiro de Justiceiro sabe, porque para tal, seria necessário tomar partido e na série do homem que atira em uma arma e distribui balas como se estivesse celebrando Cosme e Damião, debater armamento é tão pesado quanto cérebros explodindo e sangue esguichando.

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É uma pena que a série nunca tenha dado uma chance para Lewis. Sua existência veio permeada de discussões importantes que morreram rapidamente. No final, o personagem terminou como uma ferramenta para criar um ótimo episódio, silenciando qualquer oportunidade para que um homem traumatizado pela guerra, recebesse uma segunda chance. Em Justiceiro existe espaço apenas para um sobrevivente de estresse pós traumático, e este é Frank Castle. Sua última cena é carregada de um simbolismo estranho, do soldado que vai embora como um soldado, ao se explodir. Não existem palavras bonitas, Frank o encoraja a puxar o pino. Este é o legado e ele é cruel, assim como o mundo real.

Easter egg e outra informação em Virtue of the Vicious:

–  Neste episódio tivemos o retorno de Brett Mahoney, que começou como um policial em Demolidor, ajudou na prisão de Wilson Fisk, se encontrou rapidamente com Killgrave e Jessica Jones, e foi promovido a detetive ao prender Frank Castle – na verdade quem prendeu foi o Demolidor, mas ele levou o crédito.

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REVISÃO GERAL
Nota:
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