Justiceiro coloca Frank Castle e Micro em uma missão, naquele que pode ser considerado o melhor episódio da série, até agora com Crosshairs.
Ritmo, este pode ser classificado como o maior inimigo de Frank Castle, após sete episódios. Considerando que já atingimos a marca de meia temporada exibida, o que a história de Justiceiro contou, até o momento, é um emaranhado de armações, estresse pós traumático e muito, mas muito diálogo. Pode não ser o maior atrativo para o homem que surgiu, em Demolidor, coberto de sangue em um corredor, mas é a realidade da mais nova série da Marvel, em parceria com a Netflix. E então, o que podemos retirar de Marvel’s Punisher, é que ela pode ter demorado, mas parece finalmente ter começado a entregar o tipo de história que merecemos.
Claro que ainda temos alguns desvios, com Lewis e sua história, que continuam indo em direção ao precipício. É um tipo de crescente que está ficando cada vez mais interessante, mas que permanece como uma grande incógnita. Depois de sete capítulos posso dizer que finalmente estou me preocupando com este personagem, mesmo que a história desenvolvida até aqui tente me puxar para outras direções.
Em outro ponto temos a faceta do Billy Russo dentro do panorama geral de Justiceiro e do homem que era o amigo e se tornou o inimigo. Estamos mais uma vez diante de um clichê já batido de produções do gênero, especialmente quando o único motivador é o dinheiro e os contratos da empresa criada por ele. Mas é por causa desta história que algumas mudanças começam a operar dentro da trama de Justiceiro.
Finalmente Frank tem uma missão, e uma que não começa e termina nos minutos finais do episódio. É em Crosshairs que Justiceiro se aproxima da aura que ela vendeu com seus trailers e imagens promocionais. É aqui que a série do Justiceiro realmente começa a tomar forma – mas meu Deus, como demorou até conseguir realizar tal feito.
Micro e Frank operando juntos, utilizando o conhecimento técnico e tático, é exatamente o que eu esperava de Justiceiro, desde o começo. Também é neste tom que a série consegue demonstrar o lado ético de um homem que age de acordo com sua própria lei. Justiceiro, tradução brasileira que não consegue realmente trazer a alma do personagem, não é sobre justiça, é sobre punição. Em inglês, to punish (punir), coloca Frank Castle como o carrasco, ele é aquele que castiga, mas também é o que se ressente pelo soldado que estava apenas cumprindo ordens.
Dentro da missão criada por Frank e Micro para conseguir capturar o cabeça por trás da morte de sua família, o mesmo homem responsável pelas operações nada convencionais que o batalhão de Castle precisou cumprir, existe uma sensação de que finalmente a série saiu do chão, depois de tanto taxiar antes da decolagem. Crosshairs é o resultado de muito planejamento, mas não de planos feitos entre dois homens em uma missão, mas sim da própria série e o que ela queria para cada um de seus personagens.
A impressão de que existiu muita enrolação, porém, permanece. Este pode ter sido o melhor episódio da série, até agora, mas não foi tão bom que conseguiu, como mágica, apagar a sensação de lentidão e ritmo ruim que Justiceiro ainda mantém como maior característica. Novamente, continuo com a ideia de que a história de Lewis é sim muito interessante, mas somente agora, após 7 capítulos, que consigo visualizar o que a série tentou fazer. Existiu muito marasmo, cenas que poderiam ter sido cortadas e desenvolvimento que deveria ter sido melhor condensado, porém a trama geral de Justiceiro permanece sólida.
Talvez você não tenha escolhido acompanhar uma produção com um viés tão político e que tenta, aparentemente, colocar um veterano como um possível terrorista. Esta, contudo, é a parte mais interessante do estresse pós traumático que Justiceiro conseguiu inserir, depois de tanta preparação. Para o mundo do streaming em que a temporada inteira está disponível para uma maratona em poucos dias, funciona, mas em termos do sistema linear com um episódio por semana, não. São muitas pequenas histórias se desenrolando sem grande impacto.
Justiceiro se firma então como uma série que demanda paciência. Temos a trama de Madani correndo nos bastidores, com a personagem tendo encontrado Castle apenas uma vez, apesar de ter nele todo seu objetivo, e lá no fundo aquela mesma imagem, do vídeo vazado por Gunner, sobre os crimes cometidos por aqueles soldados. Este é, no fim das contas, o grande motivador de vários personagens, mas em alguns momentos ele parece desaparecer em prol de outras vertentes menos interessantes. Família, trauma, justiça e punição compõe a base de Justiceiro, infelizmente a ação não está inclusa neste pacote, mesmo aparecendo vez ou outra para mostrar o que estamos perdendo.
Easter eggs e outras informações em Crosshairs:
– Nos quadrinhos Billy Russo/Retalho (Jigsaw) usa lâminas retráteis feitas de adamantium, mesmo material das garras do Wolverine.
> DICAS DE SÉRIES IMPERDÍVEIS #4 | SM Play #80 [4K]
– Uma das placas do local que Frank invade para conseguir as informações contidas no esconderijo do Morty é L47. Na edição de Julho de 2007, #47, Frank lida com as consequências de seus atos após formar, sem querer, um grupo de viúvas assassinas conhecidas como As Cinco Esposas.















