Entre os  “cabeças” e os “alienados”.

O BBB sempre foi um programa de polarizações. Durante muito tempo tudo no que os produtores conseguiam pensar era em maneiras de dividir a casa a partir de uma narrativa maniqueísta: bonzinhos contra malvados. Às vezes era a todo um grupo contra uma pessoa só (no caso de Jean e BamBam, por exemplo) e outras vezes era todo um grupo contra outro grupo (como no caso do Quarto Praia contra o Quarto Selva). Algumas vezes essas divisões aconteciam naturalmente, mas assim que a edição percebia, armava um verdadeiro circo em torno, transformando uma subnarrativa em narrativa protagonista, empobrecendo o resultado final do show.

As polarizações mudaram com o tempo… Perderem um pouco o seu caráter imutável e passaram a variar de acordo com o participante e a semana. Isso foi fruto de uma seleção de “elenco” mais atenta, diversificada, que trouxe ao programa outro tipo de debate. Assim, fenômenos curiosos puderam acontecer, como Ana Paula Renault passando de insuportável a essencial ou Emily, que mesmo sendo um dos seres humanos mais problemáticos que a casa já viu, conseguiu chegar à vitória por conta do quanto seus adversários acabavam construindo ramificações que a favoreciam. A casa passou a jogar menos o jogo-do-coitado e, assim, provocou o acesso do público a disputas estratégicas de verdade.

Embora a décima nona edição não tenha engatado ainda na audiência, parece que estamos diante de outra grande possibilidade de plurinarrativas. Isso porque dessa vez a seleção resolveu ser política, colocando dentro da casa dois grupos distintos, os ativistas e os alienados, que não se dividirão em grupos daquela mesma forma de antes – a maniqueísta – porque dentro desses grupos estão extremos ou vozes que se colocarão sob prismas que abrem interpretações diversas, gerando empatia ou ojeriza, na mesma medida, o que impedirá o “efeito colmeia”, deixando o público julgar indivíduos e não blocos. Estamos cercados de ativistas odiados e racistas amados; é daí que pode vir o grande diferencial dessa nova edição.

As Branquelas 

Para quem assiste o BBB pela internet, o caso de Paula é preocupante. A moça que tem uma porca de estimação declara seu isolamento social para quem quiser ouvir e quando paramos para pensar em suas atitudes, fica evidente que conhecer o mundo é algo que ela não sabe fazer. Sentiu-se intimidada por um certo número de participantes porque eles representam tudo aquilo sobre o qual ela não pensa: tons de diversidade. Negros, gays, pobres, socialistas… Grudou na Hariany porque mesmo sem a porca, ela é como o duplo de Paula. Andam juntas para cima e para baixo porque são inseguras intelectualmente e atacam o “papo cabeça” do outro grupo com argumentos de futilidade porque estão em busca de aprovação. Se não de alguém lá dentro, pelo menos de alguém aqui de fora.

E vocês sabem como é no BBB: passar por um paredão é sinal de validação. Óbvio que, assim, o discurso será reiterado. Paula é um poço de preconceitos… E ela não tem a menor ideia disso. O grupo oposto desfila como pavões intelectuais e é claro que isso atinge o pessoal do “quero festa”. Os primeiros sinais de atrito vieram por conta de pequenas percepções diárias de que “o jeito que o fulano pensa é diferente do meu” ou “o fulano acha que é melhor que eu porque pensa desse jeito”. Mesmo que um grupo jamais tenha discutido pra valer sobre certos assuntos, a compreensão das divergências vem por intuição. O problema é que Paula verbaliza, parece ter consciência dessa divisão e investe nela, usando seus preconceitos para tentar desestabilizar os adversários diretamente afetados por eles. Não podemos esquecer de Dicesar e Marcelo Dourado. O posicionamento certo no discurso errado pode arruinar a boa intenção.

É claro que dificilmente Hana se sentiria obrigada a ser próxima de Paula e Hariany se não fosse o episódio do quarto dos desafios. Elas são incompatíveis. Isso ficou claro quando elas foram percebendo que Hana prefere a companhia do outro grupo. Então, mesmo que pudessem se agrupar de forma antagônica com todo mundo que quer ver os “cabeças” pelas costas, as duas amigas não farão isso, porque a narrativa do “somos excluídas” é sedutora pra elas. Isso sem contar com o fato de que mesmo que os grupos existam, cada um quer tentar cavar o próprio capítulo. Teresa, Diego, Maycon, Rodrigo, Gabriela e até o eliminado Gustavo sempre aparecem tentando construir uma identidade no jogo. Pode ser que esteja errado, mas não demora muito até que as duas “branquelas” sejam engolidas.

Cuca no Lance 

A eliminação de Gustavo, inclusive, era esperada. O jogo perde, porque ele era um participante com intentos incisivos, mas apareceu demais indo contra Hana (que tinha acabado de passar pelo lance do quarto) e contra um grupo que o público aqui fora ainda quer – de certa forma – proteger. Hana, contudo, está no radar da exclusão. Lá dentro, pelos colegas que já a veem como relevante; e aqui fora, por pessoas mais atentas, que já percebem como ela é intensa demais e às vezes morre pela boca. O dia em que ela chamou Diego de “Diega” foi um exemplo disso. Ela parecia ter tido um súbito ataque de babaquice preconceituosa, chamando um homem pelo feminino só porque ele se recusava a ficar com uma menina. Hana sempre vai estar a um passo de morrer pela boca.

A edição também tem se dedicado a mostrar os ótimos e instrutivos papos de Rodrigo com Gabriela, Danrlei e etc. Mas, não se enganem, ela faz isso não só para instruir, mas para conseguir anular um pouco os efeitos positivos da questão, fazendo com que o grupo comece a parecer chato. E esse é o DNA dos realities mesmo: eles querem discórdia e não bonança. Eles próprios, lá dentro, já precisam começar a se preocupar com isso. Tem que saber equilibrar, para que o público não caia na proposta da edição e canse; e também para evitar os olhos virados dos colegas. O que eles dizem ainda é ESSENCIAL, mas não pode transformar em palanque, ou o Senhor Edição se zanga e começa a colocar os trechos com trilha de comédia ou emojis de sono.

Com Carol ganhando o líder as coisas podem se movimentar, porque ela não pertence ao pessoal da “cuca no lance” e atualmente reside no campo neutro, com uma narrativa de “ladra de comida” que não ajuda ninguém. A liderança dela, contudo, pode significar alguém do lado oposto no paredão. O fato é que os jogadores precisam abandonar a missão “Paula e Hariany”, antes que elas se tornem mártires. A indicação de Hariany por Allan, inclusive, foi completamente idiota, produto notório de quem não está pensando no jogo e sim indo junto com a correnteza (embora a piada RIDÍCULA de Hariany sobre Gabriela merecer um “selinho” de Paula por conta de um simples agradecimento tenha sido motivo para seguirmos detestando-a).

Vamos em frente, com nosso ranking da semana ficando um pouquinho mais claro que na semana anterior.

Hana: Ainda acho que está fazendo direito e aparecendo bem no jogo.

Rodrigo: Se souber dosar e não ficar dormindo e nem se vitimizando, tem muitas chances.

Elana: Quem é ela mesmo?

Maycon: É o “menino-caipira-inocente-que-a-menina-rejeita” da vez. UM PERIGO. Mandem para casa LOGO. Já não gosto.

Hariany: Precisa sair e deixar Paula sozinha. Esse pode ser um cenário cheio de potencial.

> SMALLVILLE, uma série que me MARCOU!

Teresa: Todo mundo de quem ela chega perto ela diz “nos damos bem com todo mundo, mas somos só nós”. Cansa.

REVISÃO GERAL
Nota:
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