Outlander perde parte de sua essência e fecha seu quarto ano de forma insatisfatória, com a mesma grandiosidade de suas temporadas antecessoras, mas apresentando vários momentos frustrantes e sem foco. O que era pra ser a ocasião em que o amor familiar teria destaque, se tornou um excessivo desejo em exaltar um relacionamento forçado e sem química (numa tentativa de copiar a relação de Jamie e Claire), tirando os holofotes do casal principal desnecessariamente. Com um roteiro arrastado e irregular, a quarta temporada conquista mais por sua fidelidade aos eventos históricos da época (que continua impecável) e sua perfeita fotografia (sobretudo, em Frasers Ridge), do que pela narrativa e o envolvimento de seus personagens em si.

Antes que eu seja apedrejado, eu preciso dizer algo: Outlander sempre será minha série favorita, então, mesmo que eu não tenha gostado da temporada atual, isso não significa que irei abandoná-la ou defendê-la cegamente sem assumir que seu nível caiu. Porém, também é válido lembrar que tudo que escrevo nas reviews é apenas minha opinião como telespectador e isso significa que ela não é uma verdade universal. Metade do público pode ter gostado, enquanto a outra, odiado, e essa é a beleza de se acompanhar um programa televisivo – cada um de nós tem comentários e opiniões relevantes a levantar, coisas que podem ter passado batido por outras pessoas. Que tal pararmos de odiar quem pensa diferente de nós? Independente da qualidade da temporada, todos continuarão amando Outlander e exaltando-a, afinal, os roteiristas, atores e produtores merecem, não acham?

Após minha mensagem introdutória (espero ter acalmado os ânimos do fandom, é muito triste vê-los brigar por algo tão bobo), começo oficialmente a minha review. Como nunca escrevi um texto com essa estrutura (sempre cobria séries de forma semanal), optei por dividi-lo por etapas. Espero que gostem!
AmericatheBeautiful/Do No Harm/The False Bride (E01/E02/E03)
Bem, tudo começou no que parecem ser alguns meses após a chegada de Jamie e Claire na América, da forma que eles mais detestam (mas atraem onde quer que pisem): enfrentando problemas – o enforcamento de Hayes deixou claro que a estadia no local não seria um mar de rosas. Imediatamente vemos que não apenas o casal principal, como Marsali, Fergus, Jovem Ian e os outros sobreviveram ao naufrágio. Apesar da nova abertura dar indícios de um tom mais animado e descontraído (com a típica ilusão americana, estabelecendo uma ironia bizarra com o final de America the Beautiful), em pouco tempo é possível ver que a temporada será repleta de eventos assustadores, algo que só a mente doentia de Diana Gabaldon pode criar.

Somos apresentados ao Stephen Bonnet, um vilão tão nojento e macabro quanto Black Jack, vemos o Jovem Ian tremer ao lembrar dos momentos que passou com Geillis, o machismo escrachado de Roger e, sobretudo, cenas dolorosamente reais envolvendo a escravidão em River Run, algo que marcou a temporada e deixou todos nós chorando copiosamente, numa das passagens mais marcantes de Outlander até hoje (a aflição e a dor do casal principal foi extremamente palpável ao verem o enforcamento de Rufus). É através de uma fala de Jamie, então, que conseguimos ter uma visão do futuro preocupante que ainda está por vir: tudo indica que o sonho americano pode ser uma ilusão, pois o sonho de uns pode ser o pesadelo para outros.
Enquanto Jocasta vive trancada em sua mansão repleta de riquezas e regalias, sem conhecer a realidade que lhe cerca, ainda vemos escravos sendo torturados e humilhados, vivendo em condições desumanas e sendo tratados como propriedade e mercadorias; vemos fazendeiros sofrendo com o abuso de poder do governo; mulheres sem voz e, mesmo numa época além do tempo em que Jamie e Claire se encontram, escutando que precisam obedecer seus maridos caladas e de cabeça baixa; índios perdendo suas terras, sendo expulsos e comparados com aberrações, como se não merecessem ter uma vida digna como qualquer outro; e, principalmente, vemos Bonnet atacar Claire e Jamie de forma impiedosa, monstruosa e ingrata, pessoas que lhe estenderam a mão quando ele mais precisava. Ah, as injustiças de Outlander!

É, inclusive, até esse momento que a quarta temporada segue um fluxo extremamente positivo, porém, cai logo depois. Finalizo essa primeira etapa com passagens que julgo essenciais para o futuro de Outlander: a metáfora do quanto os círculos afetam a vida das pessoas foi belíssima, demonstrando que isso pode simbolizar que Claire e Jamie sempre voltarão aos braços um do outro, num loop infinito – nada os assusta ou separa, sugerindo até mesmo, quem sabe, o motivo da cena inicial da série, onde o que parece ser a alma de Jamie contempla Claire pela janela (suas almas estarão conectadas para sempre, além do tempo e espaço); o quanto a quebra do juramento de Claire como médica pode significar para sua personalidade daqui em diante (após envenenar Collum e Rufus); e a existência de um novo viajante do tempo (explicarei melhor abaixo). Afinal, também há o que se elogiar, não é verdade?
Common Ground/Savages/BloodofMyBlood(E04/E05/E06)
Não digo que a tríade em questão foi ruim, porque ainda vimos momentos interessantes, com diálogos sensacionais (principalmente no que diz respeito a conversa que Claire teve com Marsali, sobre o papel materno, e Adawahi, sobre sua sabedoria e dom de “cura”), mas foi a partir daqui que as coisas começaram a apresentar indícios de que algo estava faltando. Alias, como pude ver pelos grupos da série, foi no terceiro episódio que as mudanças com relação ao livro se mostraram mais “aparentes” (lembrando que eu nunca li a obra da Diana Gabaldon) – por menor que seja, a troca do urso por um homem não empolgou o público, apesar do paralelo que ele deixou, onde deixa claro não apenas que o homem pode ser corrompido, como perder sua essência humana e, na maioria das vezes, ser monstros e cruéis por natureza.

A expectativa em torno da viagem de Brianna estava altíssima (o encontro dela com Jamie – e a primeira caçada dos dois – foi emocionante, mas o resto foi decepcionante), e torcíamos para que Jamie e Claire tivessem mais cenas em casal, não digo sexo em si, mas sim diálogos profundos e cenas envolventes, como antigamente. A construção de Frasers Ridge obrigava-os a estarem juntos em cena, no entanto, algo estava estranho, quase como se o laço que existia entre eles não estivesse mais ali. É óbvio que entendo que, com o tempo, pessoas mudam (e isso não significa que elas perdem interesse um no outro) e isso é normal, principalmente ao lembrarmos que eles não são mais jovens e passaram vinte anos separados.
> SMALLVILLE, uma série que me MARCOU!
Creio que nesse ponto as coisas podem mudar em breve, pois Claire e Jamie ainda estão reaprendendo a conviver um com a presença do outro. Talvez por causa dessa mudança que a quarta temporada tenha decepcionado grande parte dos fãs – nós, telespectadores, não conseguimos entender ainda que o tempo passou e eles não são mais os mesmos, eles vivem uma nova realidade atualmente. Mas claro, é muito desanimador assistir a série e não conseguir ver a conexão tão real que estávamos acostumados a ver entre o casal principal. Isso é perfeitamente normal. Em compensação, apesar da distância que podemos ver entre os dois, o ponto alto da tríade foi o reencontro de Murtagh (que morreu nos livros) e Jamie, uma das poucas mudanças bem-vindas na série, que rendeu boas risadas e preencheu-nos de nostalgia.

Entre os pontos importantes de ambos os episódios, destacam-se: o reencontro de William e John com Jamie, que merecia cenas mais emocionantes (talvez, a meu ver, isso se deva a atuação de Jamie, que nessas cenas deixou a desejar – posso estar errado, e vale ressaltar que em outras ocasiões Sam deu um show à parte); o paralelo de quem é o verdadeiro selvagem na história que gira em torno dos índios e dos homens brancos (algo que nos faz pensar, tendo em vista que ambos os lados cometeram assassinatos monstruosos); e, obviamente, no grande mistério da temporada, que incentiva Brianna a voltar no tempo – a suposta morte dos pais num incêndio em Frasers Ridge. O que isso significa? Será que eles de fato vão morrer? O que está por trás dessa história: uma morte forjada, talvez?
Down theRabbitHole/Wilmington/The BirdsandtheBees/The Deep Heart’s Core (E07/E08/E09/E10)
Down theRabbitHole, um episódio focado em Brianna e o primeiro sem Claire e Jamie, os protagonistas da série. Eu sempre comentei que era importante que Outlander não focasse apenas em seu casal principal – até porque eu acredito que um show não se segura unicamente pelos personagens principais, mas sim diversos pilares de sustentação, o “protagonismo” é apenas um deles – porém, venhamos e convenhamos, a atuação da Brianna ainda não nos convence (até esse ponto pelo menos). É revelado que Roger vai atrás dela e passa a trabalhar com Bonnet, onde vemos que seu personagem é mais sádico do que pensávamos (se é que isso era possível), e temos o retorno de Laugheire, responsável por cuidar de Brianna, e Frank, por flashbacks.

O episódio foi cansativo, mas eu concordo por motivos diferentes da grande maioria. A meu ver, a abordagem não foi feita de forma adequada, porém, as perspectivas apresentadas foram importantes para a série de modo geral. Diferentemente dos livros, que nesse momento reúnem Brianna e Jenny em cena (a atriz não pôde participar por motivos pessoais e profissionais), os roteiristas encontraram uma nova forma de contar a história de Brianna até achar os pais, introduzindo personagens impopulares – Laugheire e Frank – para explorá-los sob uma ótica diferente da que estamos acostumados e para que pudéssemos vê-los não apenas como “antagonistas”, mas elementos essenciais para a evolução da série e de seus protagonistas. O ponto de vista de ambos era necessário na narrativa e foi bem-vindo nesse momento.
Ambos não foram amados o suficiente por Claire e Jamie (cada um a sua maneira) e, por esse motivo, viveram à margem da história, sem a devida oportunidade de mostrarem seus respectivos valores fora da esfera dos protagonistas. Down theRabbitHole não mostrou o que os fãs esperavam e modificou totalmente a história dos livros, porém, nesses quesitos, me agradou bastante. Entendo a raiva que o público tem com relação à Laugheire (também não gosto dela), mas precisamos ver o olhar de cada personagem, suas experiências e frustrações, e não ficarmos cegos diante das ações dos protagonistas – digo isso, pois é óbvio que Claire e Jamie já prejudicaram alguém até ficarem juntos, e não falo especificamente de Laugheire e Frank, mas diversas pessoas que passaram por seus caminhos.
E por falar em relação, apesar de não gostar do casal “Roger e Brianna” (me aprofundarei nesse ponto mais à frente), preciso esclarecer algo: Sassenachs, por mais forçado que eles sejam, não podemos confundi-los com Claire e Jamie. O que eu quero dizer com isso? Bem, reclamar deles com base no que vem sendo apresentado e na falta de química que eles têm é uma coisa, outra totalmente diferente (e injusta) é acharmos que qualquer relacionamento da série precisa ser idêntico ao dos protagonistas. A beleza de uma relação é justamente as nuances que elas apresentam, como podemos ver em Marsali e Fergus, que agem de maneira diferente de Claire e Jamie, mas, por toda a química e graça juntos, conseguem transmitir um sentimento palpável e autêntico (aliás, precisamos vê-los mais vezes). O que cansa no casal Roger e Brianna é exatamente isso: sua falta de originalidade.

Deixando essa insatisfação de lado, agora é a hora de falarmos de algo sério e extremamente desagradável: o estupro de Brianna. Após o handfasting de Roger e Brianna, a cena mais macabra e asquerosa de toda a temporada acontece, revivendo todo o clima negativo e pesado do que aconteceu entre Jamie e BJR, no primeiro ano da série, e Mary Hawkins, no segundo (corrijam-me caso eu esteja errado). Sem entrar em detalhes (por motivos óbvios), acho válido discutirmos algo que pairou durante dias em fóruns da série, no que diz respeito aos eventos que precederam o ataque. Primeiramente, vamos deixar algo claro: o único responsável pelo que aconteceu, e que carrega toda a culpa do estupro, é APENAS o Stephen Bonnet, mais ninguém – não foi a Brianna, o Roger ou a Diana Gabaldon (com sua mente doentia), e sim o Bonnet!
Gente, pelo amor de Deus, independente da Brianna ter noção ou não dos perigos da época em que estava, nada nesse mundo justifica o que Bonnet fez, NADA! Brianna não foi inocente, ela não foi estúpida, fraca (por não conseguir impedi-lo) ou inconseqüente (quando tentou barganhar a aliança da mãe), a única palavra que se encaixa nessa situação é que ela foi uma vítima, só isso. E ainda, apesar do Roger ter errado absurdamente, ele também não teve culpa no que aconteceu, ninguém imaginava o que estava por vir (também fiquei com raiva dele, mas não podemos isentar o Bonnet do que houve, ele é única e exclusivamente o culpado). Afinal, quantas vezes não vimos brigas feias entre Claire e Jamie (como na ocasião em que ele bateu nela de cinto – algo totalmente errado que muitos não conseguem enxergar)? Roger errou, eu concordo, ele não podia ter abandonado-a, mas ele pagou caro pelo seu erro (o que Jamie fez ao historiador foi bizarro, mas “vingou” a filha).

Para finalizar o bloco, eu repito: precisamos parar de justificar a violência contra a mulher, essa cultura do estupro em “culpabilizar” a vítima é doentia. Bree sofreu uma experiência pesadíssima, engravidou (sem saber ao certo quem é o pai) e ainda teve que decidir se abortaria ou não – eventos que afetarão sua vida para sempre, então, eu digo (mesmo sabendo que posso ser apedrejado): acho completamente normal vê-la instável, assustada e explosiva, o que, por conseqüência, fez com que ela descontasse no pai e no primo. Brianna não é mimada (como li algumas vezes), ela ainda está lidando com o que aconteceu em sua mente, tentem se colocar no lugar dela, Bree está descontrolada e tem razão para tal. Não concordo com o que ela fez com Jamie e Claire, obrigando-os a iniciar uma jornada perigosa e longa apenas para encontrar Roger, mas entendo a sua motivação e seu aborrecimento.
If Not For Hope/Providence/Man of Worth (E11/E12/E13)
Por fim, vou iniciar o último bloco com uma fala de Jamie, que resume muito bem não apenas os eventos dos três episódios restantes, como a quarta temporada de modo geral: “há sempre dois lados em cada história”. De um lado, está Brianna, quebrada com tudo que aconteceu e mais afetada ainda após descobrir que seu próprio pai espancou o homem que ela ama. É fácil compreender Brianna e toda a sua insatisfação com o que aconteceu, ela passou por maus bocados e tem todo o direito de fazer o que fez – afinal, foi Roger que esteve ao seu lado durante os anos em que Claire voltou ao passado, eles têm uma história. No entanto, por outro lado, é injusto ver Brianna atacar Jamie e forçar seus pais a ingressarem numa viagem louca (na idade avançada que eles estão hoje), principalmente ao vermos que tudo não passou de um mal entendido – Jamie tentava proteger a honra de sua filha.
Dois lados de uma moeda, onde é extremamente difícil escolher um lado – apesar de Brianna ter sido automaticamente julgada pelo fandom (mexeu com Jamie, mexeu com todos, não julgo, estou apenas expondo os fatos). Aliás, aproveito o embalo para lembrá-los de algo: Sassenachs, Jamie e Brianna de fato possuem uma personalidade idêntica estressados, então julgar a filha é o mesmo que julgar o pai. O que Brianna fez, explodindo de forma desnecessária, atingindo todos ao seu redor, nada mais é do que um reflexo das características de Jamie, que sempre agiu de forma semelhante no passado. É muito conveniente da nossa parte defender o Jamie (alguém que muitos de nós amamos e desejamos – não nego, ele é incrível), sem lembrar dos seus próprios atos, e julgar Brianna por fazer o mesmo.

Ao mesmo tempo, vemos o lado de Roger, que apesar de ter abandonado Brianna sem saber o que viria a acontecer, sofreu o pão que o diabo amassou com os índios. Roger foi estúpido no futuro e errou em diversas formas diferentes, mas o importante de ter a nossa ótica como telespectador (ao invés do livro, que nem sempre conta todos os lados) é poder ver o que está acontecendo de outra perspectiva – como vimos no sétimo episódio, com o drama vivido por Laogheire e a filha ou o sofrimento de Frank, que sempre soube que a mulher retornaria ao Jamie. Roger coloca sua vida em jogo para acabar com o sofrimento do ex-padre (numa cena de cortar o coração e muito bem editada com a música triste) e para defender o bebê no navio de Bonnet, demonstrando o quanto ele é altruísta às vezes. É claro que é mais fácil defendermos Claire e Jamie, personagens que amamos desde o início, mas também precisamos ter cuidado ao analisar a perspectiva dos outros.

Por fim, chegamos aos momentos finais de Man of Worth, o aguardado season finale da quarta temporada. Já começo quebrando esse “aguardado”: o último episódio foi decepcionante do início ao fim (com exceção de pouquíssimas cenas). Diferentemente dos três anteriores, marcados por eventos grandiosos e emocionantes – no primeiro, pela dor de Jamie, a gravidez de Claire e a ida para a França; no segundo, antes de Culloden, pela despedida de Claire e Jamie, quando ela atravessa as pedras de volta ao futuro e, depois, tomando a decisão de atravessá-las novamente para reencontrá-lo; e no terceiro, de menor proporção, com a morte de Geillis e o naufrágio na América – a quarta não superou as expectativas, apresentando um roteiro monótono, com um plot terrível e cenas desapontadoras.
E isso parece ser um consenso geral: a grande maioria dos telespectadores realmente não gostou do que viu, talvez, como dito acima, por toda a grandeza que esperamos de episódios finais – não tinha o suficiente para ser chamado de season finale, fechando a temporada com chave de ouro e entregando um cliffhanger interessante para o próximo ano. Man of Worth foi mais longo que o normal, porém extremamente previsível e cansativo: Claire, Jamie e Ian chegam na aldeia e tentam salvar Roger, um conflito de pequenas proporções se dá entre eles e os índios, tudo isso na metade da história. No entanto, preciso exaltar um dos únicos momentos realmente emocionantes (além do parto de Brianna – essas cenas sempre me conquistam): quando Ian opta por ficar na aldeia e substituir o Roger, confirmando que ele merecia mais tempo de tela e oportunidade para brilhar – mais um erro gravíssimo.
Porém, apesar do questionamento sobre o futuro de Ian pairar em nossas mentes (pedido de spoiler: ele volta algum dia?), a insatisfação com o que veio a seguir é gritante e justa. Ao invés de termos um diálogo emocionante (e necessário) entre Claire, Jamie e Brianna, numa reconciliação ou até mesmo uma conversa que demonstre que ambos perdoaram o outro (até mesmo uma preocupação de Brianna com Ian – ninguém nem comentou sua ausência, coitado) e cenas do casal contando à filha sobre o que eles passaram para chegar em Roger (afinal, a temporada era sobre família, o que custava mostrar esses momentos?), tivemos uma apelação exagerada da relação de Brianna e Roger. O intuito foi claro… Os roteiristas quiseram compará-los a Claire e Jamie, forçando algo que ainda não desceu. Não deu outra: foi péssimo e extremamente inapropriado. Como diria o meme: erraram feio, erraram rude!
Concluindo…
Como dito antes, é possível ver que Outlander mantém sua grandiosidade, com cenários belíssimos, vestimentas deslumbrantes, uma discografia impecável e histórias impactantes e bem elaboradas (como mencionado acima, com todo o cuidado em abordar temas como escravidão, aborto, estupro, etc), porém, a série começa a pecar em outros pontos. É perceptível que sua essência está abalada e não conquista mais como antes, tendo em vista que a trama opta por investir pesado nos tópicos acima (não acho errado), mas se perdendo em suas histórias, deixando perspectivas importantes em segundo plano. Apesar do episódio 7 ser relevante para o ponto de vista de Laogheire, por exemplo, ele deixou a desejar por excluir totalmente Jamie e Claire, como ocorreu nos últimos episódios, quando Brianna foi exaltada de forma exagerada e o casal principal ficou à deriva pela floresta, com pouquíssimas cenas ou diálogos, ou, até mesmo, Ian, que teve a devida atenção apenas no finale.
Para o próximo ano, Outlander precisa se reencontrar e definir um rumo, como as últimas temporadas, e não ficar planando por núcleos diferentes sem a devida atenção a cada um deles. Talvez essa seja a hora disso acontecer, tendo em vista que Jamie e Claire estarão inseridos em mais uma confusão, com objetivo estabelecido, já destinada a originar dezenas de repercussões na narrativa. Qual será o destino de Murtagh? O que o casal principal fará para acatar a ordem do governador, mas ao mesmo tempo ajudar Murtagh? Será essa a trama responsável por causar o incêndio em Frasers Ridge, algo provocado pelo envolvimento de Jamie nessa nova empreitada do governo? O que vocês acham disso e do restante da temporada?
Bem, isso é tudo, pessoal. Antes de me despedir adequadamente, preciso explicar o motivo de não termos feito as reviewsde Outlander de forma semanal (como foi feito nas outras temporadas). Infelizmente, minha rotina de trabalho e pós se intensificou e, por essa razão, não pude assumir o compromisso de cobrir a série como antes. No entanto, fiz questão de escrever um texto completo agora, descrevendo cada sensação que tive ao ver a quarta temporada. Ainda não sei se manterei esse procedimento no próximo ano, se conseguirei escrever semanalmente ou alguém assumirá a série no meu lugar. Independente do que aconteça, agradeço a presença de todos e o carinho que sempre tiveram comigo nos comentários, vocês são leitores incríveis! Espero vê-los no grupo que criei (comento sobre ele abaixo), será muito legal ter esse ambiente de contato com cada um de vocês. Até a próxima, Sassenachs!
Curiosidades e Comentários:
– Mais alguém percebeu a referência que o Lord John fez a Margaret Campbell no jantar que Jocasta deu para apresentar Brianna? Ao citar sua estadia na Jamaica, ele conta que havia uma mulher no local que dizia ser capaz de ver o futuro ao segurar um objeto pessoal daquele indivíduo. Acho interessante a série fazer questão de mencionar personagens antigos, mas eu fiquei na dúvida e preciso que me ajudem a lembrar:afinal, qual foi o destino de Margaret? Ela ficou na Jamaica com o Mr. Willoughby?
– O primeiro encontro da Brianna e do Jamie foi lindo, mas vamos ser sinceros: todo mundo achou nojento o Jamie acariciar o rosto da filha logo depois de ter urinado. De ter urinado, pelo amor de Deus!! Eca, Jamie!!
– Como foi bom rever o “Pippin” de Senhor dos Anéis na série! Billy Boyd fez o papel de Gerald Forbes, um dos pretendentes de Brianna em River Run. Seu personagem teve pouco tempo na telinha, mas a nostalgia em vê-lo foi sensacional!
– Outlander continua impressionante no que diz respeito à inclusão de personagens que se baseiam em histórias reais do ambiente que Claire e Jamie se encontram. Nessa temporada, foi a vez do Coronel George Washington, o primeiro presidente eleito pelo povo por derrotar os britânicos.Outlander é perfeição pura!
– Jocasta com Murtagh é a coisa mais fofinha que já vi. Quem não concorda é doido!
– Não citei no texto completo, pois é algo tão absurdo, mas tanto, que não tenho nem o que comentar a respeito: porquê diabos a Brianna visitou o Bonnet, repito, o BONNET, na cadeia? A carta de Jamie falava para ela não se vingar, mas creio que ele nunca disse isso com a intenção de incentivá-la a reencontrá-lo. É surreal demais, de onde Diana Gabaldon tira essas loucuras, minha gente?! Consigo nem comentar isso, de tão doentio que foi!
– Alguém pode me explicar o motivo da ausência de Fergus, Marsali e John do season finale? John aparentemente estava viajando (o que não justifica – aproveito para tirar uma dúvida: ele e a Brianna chegaram a casar?), mas e o casal? Eles ajudam Murtagh a escapar e, sem mais, nem menos, desaparecem da narrativa. É óbvio que eles devem estar em Frasers Ridge, mas custava mencionar esse detalhe? Isso foi extremamente decepcionante, os três merecem mais atenção daqui pra frente!
– Pedido de spoiler I: quantos viajantes do tempo Claire ainda conhecerá (ou ficará sabendo de sua existência, como foi com o Dente-de-Lontra)?
– Pedido de spoiler II: medo de saber a resposta, mas.. Bonnet não morreu e ainda vai atormentar nossos personagens favoritos, não é?
– Pra quem ainda não sabe, eu criei um grupo no Telegram voltado estritamente para os leitores dos meus textos de Outlander. Quem ainda não estiver no grupo e quiser fazer parte para discutirmos sobre a série, basta clicar aqui. Aguardo vocês por lá (o grupo permanecerá para as próximas temporadas)!















