Olha ela… Protagonizando ação enquanto os mais espertos protagonizam jogo.
Era uma vez um paredão fake, que não eliminaria ninguém e sim daria ao escolhido a chance de olhar o jogo com olhar panorâmico. Foi uma escolha baseada em oportunismo pleno e absoluto. Cada voto representava um desejo visceral de ver a escolhida “causar”. Se foi um “presente” para ela, que o seja dentro de seus devaneios de autoestima. O que aqueles dedos nervosos que votavam queriam, era que ela tivesse mais material para continuar a mover as peças do melhor jeito de todos: com espetáculo. E Ana Paula… Ana Paula deu ao público tudo que ele queria.
A quarta semana do Big Brother Brasil foi tomada por uma Ana Paula que, na verdade, eram duas. Vimos a participante consciente de seu papel como estrategista, sendo esse papel o que abriria para ela mais chances de chegar até o final. E vimos a participante consciente de seu outro papel: o de ser uma peça de entretenimento, sendo esse papel o mais arriscado de todos. O programa tem um histórico de livrar-se de seus “astros” antes mesmo da metade da brincadeira chegar. A audiência sobe com os barracos, mas ela derruba num barranco os que protagonizam o show.
Há dois momentos emblemáticos dos últimos acontecimentos que ilustram muito bem a maneira como a costura narrativa do BBB se deu essa semana. E esses momentos foram todos protagonizados por Ana Paula, ainda que esse protagonismo esteja afastando-a cada vez mais de uma chance de permanência. São eles:
Ana Paula Dente por Dente
Embora eu tenha achado anticlimática a volta dela do segundo andar, a moça conseguiu marcar seu nome na história do programa ao usar um estridente “OLHA ELAAAA” enquanto acordava seus companheiros. Bordões eficientes foram poucos no BBB e esse já era trending nas primeiras horas da manhã. Voltando cheia de “informações privilegiadas”, Ana Paula guardou algumas delas na manga e reuniu uma síntese de impressões que era absolutamente correta: Ronan foi condenado por jogar, mas dando aos bois nomes diferentes, estavam todos ali fazendo a exatamente a mesma coisa. Por isso, o intuito dela era organizar uma força-tarefa de proteção e irritar os oponentes ao máximo, para que eles fossem obrigados a lidar com a realidade de que movimento para votar junto, para proteger amigo, para se salvar… Tudo isso é jogo.
Sob esse aspecto, ela estava certíssima. Foi com especial deleite que acompanhei o momento em que Tamiel, influenciado pela ideia de que estava ameaçado, começou a se articular para se proteger com todas as ferramentas criticadas por ele mesmo. Ao ser confrontado com isso, afirmou “só joguei para me proteger e nunca tinha feito isso antes”. E disse isso assim mesmo, como se fosse alguém dizendo que “só roubou para comer”. TODOS precisam se mover para própria proteção e isso numa engrenagem como a do BBB sempre significa colocar outra pessoa na reta. São as regras, é inevitável e não tem que ser demonizado por eles. Mas é, porque segundo a Escola Daniel de Bom-Caratismo, BBB é lugar pra meditar e fazer amizades. NÃO! NÃO É!.
Bastou a desestabilização provocada pelo retorno de Ana Paula, para que Juliana, Adelia, Tamiel, Renan e Daniel, começassem a movimentar a rotina com articulações que eram jogo na sua tradução mais simples. O que acontece é que para se sentirem mais orgulhosos do quanto são boas pessoas, eles tentam se convencer de que quando é para proteção, o jogo é permitido. É aquela coisa do mocinho, que pode estar vilão num determinado ponto, desde que seja para contra-atacar os super malvados. Sob esse aspecto, Ana Paula é um frescor, porque aos troncos e barrancos ela dificulta que esse teatro demagógico se fortaleça.
Ana Paula Pão e Circo
O problema é que Ana Paula implode as próprias metas… Ainda que seu destempero lá seja bom para forçar os “bonzinhos” a revelarem o próprio jogo, ele também é o que ela tem de pior. A moça promoveu um espetáculo de proporções épicas nas brigas com Renan e Juliana. Não tenho o menor interesse em saber quem começou ou não, mas o fato é que no momento em que ela atravessa o limítrofe da razão, enche os carrinhos do outro grupo de munição. Dona Geralda é o maior exemplo do quanto as tempestades promovidas por Ana Paula transformam tudo num borrão. Geralda já cansou tanto, que tudo foi eclipsado e ela passou a não querer mais ter Ana por perto.
Aí entra a parte boa, a parte da hipocrisia detectável. Toda vez que qualquer membro do grupo de Daniel percebe que alguém do grupo de Ana Paula está hesitante, faz o mesmo trabalho de aliciamento que acusam a oponente de fazer. Todo o “péssimo comportamento” de Ana Paula e Ronan é replicado na rotina de Daniel e CIA… Mas, “é só pra gente se defender”. Chega a ser engraçado, porque é uma falta de empatia e olhar panorâmico que chega a ser chocante. E tudo apoiado no maniqueísmo que Pedro Bial trouxe à tona na hora da eliminação: o grupo de Daniel acredita ser “do bem”, lutando contra a turma “do mal”. Nenhum deles entende que na vida não existe maniqueísmo puro e que no BBB tudo se baseia em maledicência.
Então, enquanto Ana Paula grita, berra e se indispõe com aliados, Munik é quem vai pelas beiradas usando da estratégia certa: ataque direto, mas com um ótimo jogo social. Sim, porque pode parecer chocante para vocês, mas BONS jogadores MESMO, sabem fazer jogo social. Munik está do lado de Ana Paula, é talvez sua maior aliada, mas se movimenta com a esperteza de quem sabe que precisa manter o likeability perante o público e perante os companheiros. É muito diferente do jogo-sabonete de Cacau e Matheus, que não se comprometem. Munik está na frente do tabuleiro, mas quase ninguém percebe.
A eliminação de Daniel desequilibrou um pouco o jogo, porque Ana já havia ganhado com a eliminação falsa. Porém, é um sinal para o grupo dele, de que talvez a demagogia tenha saído pela culatra. Como o público pode ter mantido Ronan se eles fizeram certinho o jogo do “somos perseguidos pela banda podre”? Há uma pequena chance, mesmo que ínfima, de que os paredões estejam sendo decididos pelo público da internet, que tem um apreço maior pelo desenvolvimento e movimentação da casa e não pelos valores de cada um. Se for isso, o teatro do bom-mocismo não vai pegar e os resultados continuarão a ser imprevisíveis, obrigando todos eles a mudarem o foco e experimentarem novas alianças. Isso transformaria o BBB16 num grande evento e eu nem posso dizer como isso me faria feliz.

Munik: Por todos os motivos citados acima.
Ana Paula: Porque seria incrível ver alguém doido como ela ganhando.
Geralda: Sendo ou não manipulada pelos grupos, ela dá um banho em Tamiel, Cacau, Matheus e Adelia no quesito comprometimento.

Matheus: Tomara que seja cada vez mais fofoqueiro, porque ele precisa sair antes que seja escolhido pelos conservadores como “o menos pior de todos”.
Cacau: Já passou da hora de ficar em cima do muro.
Tamiel: Menos uma planta e vai ficar perfeito.















