Em episódios anteriores, teci duros comentários à produção e aos participantes do Aprendiz Universitário. A crítica é natural aos meus textos no Série Maníacos: diante da menor evidência de mediocridade ou falta de coesão, uso a palavra escrita em defesa dos telespectadores. Em defesa dos leitores que tanto torcem pela continuidade bem sucedida de uma atração, e muitas vezes acabam desapontados.

Imaginem agora a minha reação ao mais revoltante episódio do Aprendiz no Brasil.

Se vocês acompanham o programa há tanto tempo quanto eu, conhecem bem a prova que dá um contorno peculiar ao reality show no cenário nacional. O Quiz sempre nos fez apontar o lápis, escrever com dedicação os palpites num bloco de notas e comparar erros ou acertos com amigos e família. Mesmo que a tarefa de responder a perguntas de conhecimento geral pareça alheia ao cotidiano das empresas, não dá pra se enganar: o melhor aprendiz é aquele que, enquanto destaque numa área específica do conhecimento, se mantém informado e no que possível polivalente diante das ameaças e oportunidades no mercado.

Em primeiríssimo lugar: ninguém estuda pra Quiz. As pessoas estudam pra provas. Um Quiz é uma série de perguntas desimpedida e desconexa de qualquer situação pretérita dos indivíduos. A prova, por outro lado, é uma ferramenta de avaliação baseada no conteúdo ministrado num período qualquer. ESPECIALMENTE em programas de televisão, ninguém dá aulas preparatórias pra Quiz. Dá-se aula preparatória pra quando a pessoa for fazer uma prova, como o ENEM, o Exame de Ordem, dentre outros exemplos.

Em segundo lugar, MESMO COM A PREPARAÇÃO, mesmo com acesso à biblioteca da Estácio (cujo curso de férias para criação de Twitter é um verdadeiro sucesso), os universitários ainda patinaram em perguntas sobre geografia, “sustentabilidade” e economia. As próprias questões variaram entre dois extremos dignos de riso: ora o enunciado parecia tremendamente vago ou simples, ora a pergunta era específica demais (a exemplo da investigação sobre os business affairs da Hillary Clinton).

Finalmente, e nisso concordo com a minha prima Maytê, não existe qualquer mérito em uma vitória baseada em informações – e não conhecimento. É como se os universitários entulhassem a cabeça com uma infinidade de conceitos decorados, apenas para se dar bem na tarefa do dia. Tenho certeza de que, como eu e a Maytê, muitos de vocês responderiam a esmagadora maioria das questões sem dificuldade. E a gente não estudou antes de começar o programa.

Por sinal, é um outro erro não demitir ninguém após uma prova como o Quiz. Sob a argumentação de que “não houve muita diferença entre as equipes”, ficam os conselheiros reféns de um raciocínio muito limitado. Hoje, a sala de reuniões deveria ter se concentrado em tirar o excesso da equipe perdedora. Aquela pessoa que não vem cooperando com o time e que, sem muito brilho, empurra com a barriga a chance de vencer no programa. Danny, Ramon ou Rodrigo: qualquer um deles me faria arrancar os cabelos se conquistasse o título de Aprendiz Universitário.

Irritado com a prova, com o desempenho das equipes e com o “perdão” do João Dória Jr., encerro aqui a review. Meneando a cabeça e estalando a língua no meu Twitter.

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