
Em um episódio que pouco avança nas tramas principais, The Event alterna bons e maus momentos e atinge uma certa estabilidade em seu roteiro.
Spoilers Abaixo:
São necessários um certo número de episódios para que uma série encontre seu rumo e consiga dizer o que pretende com ele. Algumas demoram menos episódios, outras mais e existem as que nunca encontram e normalmente acabam canceladas. No episódio passado, The Event já tinha se desvinculado de vez de seu rótulo de “nova Lost”, passando a se estabelecer como uma série de ação com elementos de mistério. Foi um passo acertado, evitando novas comparações com a saudosa série da ABC. Em I Know Who You Are o que vemos é o roteiro tomando forma do que virá a acontecer. E, apesar de errar muito, isso contribui para que as pessoas continuem interessadas na série.
Partindo exatamente do ponto onde o episódio anterior terminou, vemos Sterling procurar pelo agente duplo dentro de sua equipe, e após encontrar seu encarregado da missão no porta-malas de seu carro, resolve investigar Lee, com a suspeita de que o agente é na verdade um dos “sleepers”, o que seria facilmente descoberto, se Thomas não tomasse providências para encobrir as evidências e direcionar a culpa do vazamento de informações para Murphy. Enquanto isso, Sean e Leila continuam em busca da verdade e da irmã da garota, Samantha. Para isso, procuram um amigo de Madeline, Peter, que pode ajudar Sean a encontrar informações sobre o paradeiro de Samantha.
O episódio basicamente se foca em dois aspectos. O primeiro é a recuperação do agente Lee e a investigação em torno dele. Apesar de um pouco previsível, a solução encontrada por Thomas para limpar as evidências é interessante e, apesar de para alguns soar absurdo o fato dele entrar e sair como quer de lugares do governo, mostra o poder de infiltração que os “sleepers” possuem, mesmo quando se trata de setores de segurança máxima. Imagino inclusive que Lee não seja o único infiltrado no governo. Aliás, a cena em que Sterling pede um cigarro para Thomas não cria o efeito de suspense desejado, mas mostra-se eficaz em evidenciar a facilidade que o “sleeper” tem de andar livremente por aí. Achei estranho Sterling não reconhecer o vilão, uma vez que o presidente Martinez apontou para ele no vídeo, mas não chega a ser um absurdo.
Já que falei em Sterling, lembro que há alguns episódios citei que ele era um personagem com um bom potencial para ser melhor desenvolvido. Pois bem, parece que os roteiristas enxergaram o mesmo que eu e contruíram para ele um background, que se não é espetacular em sua carga dramática, explica muito bem a personalidade dele e até seus problemas de julgamento. Aliás, fica evidente que The Event vai mesmo se apoiar no uso de flashbacks para contar histórias, mas dessa vez esses foram bem colocados, pouco invavisos e de boa utilidade para a trama em si. Só acho um insulto à inteligência do espectador colocar em todos os flashbacks a frase “Catorze anos atrás”, sendo que é perfeitamente possível entender se fosse colocado só no primeiro.
Enquanto a trama envolvendo o governo se desenha como a mais bem desenvolvida da série, a que envolve Sean e Leila continua pecando nos mais variados aspectos. Confesso ter me enganado no envolvimento de Sean na trama, uma vez que ele parece realmente ter entrado na história de gaiato, já que o problema está em Mike. Além disso, a trama parece querer tomar um rumo um tanto quanto destoante para a história em geral. Enquanto todos os personagens são construídos em torno de uma certa ambiguidade, Sean e Leila mostram-se como defensores da humanidade em busca de justiça. É verdade que Samantha está desaparecida, mas não consigo enxergar nesse plot um grande potencial mesmo assim. Pelo contrário, o considero o mais fraco e dispensável da série.
A salvação para Sean e Leila pode estar justamente na irmãzinha desaparecida, Samantha. Finalmente aparecendo após cinco episódios de sumiço, a garota tem um papel de destaque no novo arco desenhado no fim do episódio. Primeiramente para deixar evidente o fato de os “sleepers” não serem os principais envolvidos no sequestro de Leila e Samantha. Além disso, levanta uma nova questão do porquê essa pessoas comuns não querem a revelação da prisão de Irostranka? Ou será que não são pessoas comuns? O importante na verdade é perceber que a série procura fugir de um eventual rótulo de série sobre aliens. Depois do episódio passado, passei a temer que a série procurasse uma trama mais ou menos nos moldes de V. Felizmente estou enganado. Enquanto uma investe num exagerado maniqueísmo a outra busca desenvolver seus personagens de forma mais real. E é impossível não ficar assustado com o estado das outras crianças, novas “companheiras” de Samantha. A menina, desaparecida por vários episódios, é responsável pela construção de um arco com um bom potencial. Espero que o desenvolvimento seja suficientemente satisfatório.
Se a série investe em alguns arcos interessantes, um pecado em especial começa a se tornar incorrigível. Pra começar, os personagens não tem absolutamente nenhum carisma. Boa parte da culpa é sim do roteiro que não sabe tridimensionalizar com eficiência seus personagens, mas a maior parcela de culpa é do péssimo elenco escolhido para a série, a começar pela bonitinha mas ordinária Sarah Roemer, que com suas caras e bocas não consegue convencer nem sua mãe. Laura Innes também vai muito mal no papel de Sophia, não conseguindo fazer transparecer suas emoções. É primordial para qualquer tipo de drama que seus atores estejam em sintonia com a história, e The Event parece seguir por um caminho muito perigoso nesse aspecto.
Se solidificando como série, The Event tenta com I Know Who You Are desenvolver um novo arco e se estabilizar nos demais. Parece que a série começa a encontrar um bom caminho. Temos que ver os futuros acontecimentos.












