
Quando se espera que The Event finalmente tome um rumo, somos apresentados a algo como isso.
Spoilers Abaixo:
The Event é daquelas séries que lembram muito a política brasileira. Quando estamos escolhendo as novas produções para a fall season, prometem muito com uma intensa divulgação. Mais do que isso, vendem algo que sabem que não podem oferecer. Quando o piloto é apresentado, vemos que nossas expectativas, se não foram cumpridas, pelo menos foram atingidas em grande parte. Aí passam alguns episódios e nos é mostrado o verdadeiro potencial da série. The Event não possui um imenso potencial, mas seria mentiroso dizer que a série não possui nenhum atrativo. O problema é que em nenhum momento somos levados a acreditar que a série um dia consiga se desenvolver adequadamente. For the Good of Our Country mostra bem isso.
Começamos o episódio com o presidente Martinez procurando o culpado pelo tentativa de assassinato sofrida por ele e sua família. Para isso, ele interroga Michael Buchanan, piloto do avião, na tentativa de descobrir o mandante do atentado. O piloto revela ter recebido uma ligação autorizando que cometesse o atendado. Com isso, Martinez passa a desconfiar de um dos integrantes da reunião que ocorrera minutos antes do avião aproximar-se do local. Revela-se então que Raymond Jarvis, vice-presidente, teria feito uma ligação três minutos antes da autorização, o que aponta todas as evidências para ele. Enquanto isso, Sean e Leila tentam escapar do prédio onde encontravam-se no episódio anterior. Na tentativa, no entanto, Sean acaba sendo baleado, fazendo com que Leila sequestre um médico para ajudá-lo, já que ele não pode entrar em hospitais por ter um mandado contra ele.
Começo minha análise pela trama que foi tratada como principal no episódio, e que na verdade desenha-se como a principal de toda a série. Toda a conspiração dentro do governo americano, com pessoas pisando em cima uma das outras para atingir seus objetivos, consiste talvez no ponto mais interessante do episódio, muito embora tenha apresentado inúmeras falhas. Uma delas é um erro que a série insiste em cometer. Apostar em um número muito alto de coincidências para fazer o roteiro funcionar. O fato de Mike se lembrar exatamente do horário que recebeu a autorização para cometer o atentado terrorista é uma forcação de barra sem precedentes. Primeiramente porque, como já disse, é uma coincidência que mesmo não sendo totalmente incoerente irrita o espectador, justamente por soar excessivamente artificial. Além disso, mesmo descartando esse equívoco, acho no mínimo estranho uma pessoa que tenha acabado de se recuperar de um enorme trauma consiga se recordar de um detalhe ínfimo de sua experiência.
Deixando de lado o interrogatório com Mike, nos concentremos um pouco mais no desenvolvimento da trama em si. Eu honestamente duvido que algum leitor se recorde da existência de Jarvis. Inclui-lo nesse momento na história, envolvendo-o no atentado é outra dessas coisas que impedem um roteiro de ser natural. Apesar disso, a maneira como essa situação é desenvolvida não é de todo ruim, apesar de superficial. Gosto do envolvimento do novo vilão da história, Dempsey, com a trama governamental. Ele será provavelmente o elo de ligação entre as duas tramas, fazendo com que os detalhes mais obscuros finalmente surjam para os olhos do espectador.
Já que falei no vice-presidente, aproveito para falar do retorno da vilã em crise existencial, Vicky. Lembro-me que há algumas reviews comentei que gosto da humanização da personagem, caracterizando-a como uma pessoa não completamente má. E mantenho minha palavra. Mas o que vemos aqui não se trata disso que acabo de dizer. Pelo contrário, mostra um desenvolvimento precário de uma personagem, que, após alguns episódios completamente desaparecida, surge como uma pessoa simplesmente incapaz de executar alguém. Sim, a mesma Vicky que nos primeiros episódios surrava Leila sem dó nem piedade. Será que a chantagem emocional feita por Sean afetou tanto a garota assim? Pode até ser que isso seja explicado mais pra frente, mas a falta de um desenvolvimento decente tornou a vilã como uma personagem completamente estranha para o espectador.
Se a trama envolvendo o governo não consegue convencer, o que dizer da que envolve Sean e Leila? Não sei exatamente quantos minutos perdemos vendo a babaquice da garota tentando salvar o namorado a todo custo, mas eu não reclamaria se o episódio viesse com esses minutos a menos. Aliás, não fariam falta alguma. Sem acrescentar absolutamente nada a trama, a trama busca simplesmente mostrar como Leila tem a capacidade de fazer tudo por Sean, mesmo que isso signifique roubar um carro e sequestrar um médico na porta de um hospital. Aliás, ela teve uma gritante sorte ao raptar o único médico no mundo capaz de manter-se tranquilo com uma arma apontada para ele, além de realmente se importar com o futuro do namorado da sequestradora, motivo pelo qual passa por esse apuro. Pra piorar, a certeza de que Sean não morreria por um motivo tão idiota torna a espera pelo desfecho do draminha mais longa ainda. Além disso, a série ainda nos faz o favor de insultar nossa inteligência ao repetir os momentos antes da explosão no prédio fora do momento “Previously on The Event”.
Apesar de ter um nível muito próximo do ridículo, a história dos namorados não causa um estrago tão grande na série. O que preocupa é o que os roteiristas pretendem exagerando tanto nos elementos sci-fi de The Event. Os segundos finais do episódio me causaram uma imensa preocupação com o futuro da série (certo, talvez não imensa porque eu realmente não me importo tanto). O que significa aquela metamorfose? É a mesma coisa que aconteceu com as meninas do episódio anterior? Dempsey seria um “sleeper”? A inserção dessa cena me soa como uma tentativa desesperada de recuperar a audiência perdida nos primeiros capítulos. Claro que semana que vem posso queimar minha língua e termos um desenvolvimento brilhante para isso, mas eu sinceramente duvido muito. Além disso, permitam-me fazer mais uma comparação de The Event com a finada FlashForward. Sabem aquele cliffhanger deixado no final do episódio passado? Então, foi completamente ignorado aqui. É um erro tão infantil que quase me deprime. A supracitada série insistiu inúmeras vezes nesse erro e acabou apanhando da CW nos seus últimos suspiros. Os roteiristas de The Event realmente querem ir pelo mesmo caminho?
Em um episódio em que são raros os momentos que se salvam, The Event acende uma imensa luz vermelha, precisando urgentemente mostrar que tem capacidade de criar uma boa história. Por enquanto, ficamos só na promessa.












