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Uma noite no museu.
Spoilers abaixo!
Um episódio escrito por Carter Bays e Craig Thomas como “Natural History” é quase sempre reconfortante. Eles, como criadores, entendem os personagens de maneira plena: seus desejos, medos, qualidades e fraquezas, o que um diria após determinada situação ou qual alimento comeria quando irritado. O que não quer dizer que os outros roteiristas talentosos da série (Kourtney Kang, Jamie Rhonheimer, Matt Kuhn e etc) não sabem fazer isso, mas que a dupla vai além, com uma sincronia ímpar.
Aqui, isso foi elevado à terceira potência em um dos episódios mais importantes da história recente da série. As piadas, ainda que sempre ótimas, foram escassas e deram espaço pra vinte minutos de muito diálogo, com personagens tagarelando pra tudo que é lado sobre os mais diversos problemas. Ted, por exemplo, descobre um lado diferente de Zoey e decide colocar em cima da mesa a rivalidade que os dois cultivaram nos últimos meses e como ela estava chegando a um nível insuportável. Séries veteranas buscam renovações de diversas maneiras e How I Met Your Mother foi uma das poucas a acertar na mosca, com uma dinâmica que tornou a vida do protagonista cada vez mais difícil e disso arrumou um grande arco dramático para ele (que deve continuar nos próximos episódios), ao mesmo tempo em que arma o palco para o potencial último amor dele antes de conhecer a tão esperada mãe.
Também não esquece dos outros personagens em tramas secundárias que de secundárias só têm o tempo de tela, já que representam situações cruciais. A do Barney e da Robin começa apenas como uma pequena gracinha, brincando com a ambientação – muito apropriada ao exemplificar a visão perfeita que temos do passado e como ela afeta o futuro, tema não só do episódio como de toda a série – e com o imaginário popular. Então se desenvolve, o fervor com o qual Barney busca a “vitória” se torna cada vez mais curioso e no fim ele atinge um ponto aterrador, obrigando o recipiente de toda a incredibilidade que existe na face da terra a confrontar mais uma vez os seus problemas paternos. Com Marshall e Lily a única diferença é que já começa forte para contrabalancear a leveza dos primeiros minutos, mas conclui de maneira similar, atingindo todos os pontos emocionais e, no finalzinho, surpreendendo.
Depois de duas semanas abaixo da média, How I Met Your Mother voltou a apresentar a qualidade dos primeiros episódios dessa temporada com uma forte interpretação de Josh Radnor (talvez a sua melhor em um papel que não entendo como se tornou tão odiado) e alguns floreios estilísticos por parte de Pamela Fryman. Que continue assim.
Outras observações:
– Só eu que quero o retorno do Capitão? Tão simpático.
– Ao lado do artigo de Zoey existem dois textos, um sobre o barrato e outro sobre Dowisetrepla. Ótimo easter egg pros fãs de carteirinha (que também podem tentar resolver as palavras cruzadas com os títulos dos episódios).
– Ainda que Marshall queira fazer o bem, ele pensa na sua família e no dinheiro. Muito raro uma comédia levar a sério esse tipo de dualidade a sério e gostei de como HIMYM a tratou (os flashbacks também foram super bem-vindos).














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