Que comece a guerra“

Depois de um final épico, com direito a uma noite sangrenta e Mary Sibley mostrando toda sua soberania perante as bruxas, parecia que nada poderia pará-la. Mas os roteiristas de Salem sabem ousar, e mostrar que estão dispostos a levar seus protagonistas do céu ao inferno de forma lenta e dolorosa. E isso é uma delícia de assistir.

Com o fim de Increase, e com John Jr. retornando para os braços de sua mãe, tudo caminhava para um período tranquilo para Mary, comandando Salem. Entretanto todo o terreno foi reconfigurado, com Anne descobrindo sua origem, e poderes, John pai se tornando um caçador de bruxas, Mercy surtando a cada minuto e com uma nova ameaça que veio para atrapalhar os planos de Mary, Condessa Marburg. Com essa nova configuração, já estava declarada a guerra das bruxas, e que só se sobrevive a mais esperta, já que em Salem o foco não são os poderes mágicos, mas sim os poderes de manipulação.

De um lado tínhamos o time Sibley, com Mary, Tituba e até mesmo o George resolveu ajudar a esposa contra o novo magistrado. Do outro lado tínhamos o time Marburg, com Condessa, Mercy e Sebastian. E Anne sendo cobiçada pelos dois lados, por conta dos segredos que o livro de seu pai carregava. Interessante essa guinada que deram na Anne nesta temporada, já que na primeira ela era somente uma criança mimada, até por vezes irritante, mas quando ela caiu de cabeça no mundo da bruxaria, se tornou uma personagem muito interessante.

Por outro lado John Alden sempre foi um personagem que eu não via com bons olhos, e continuou do mesmo jeito nesta temporada. O plot de caçador de bruxas tinha tudo para ser muito interessante, sendo ele mais um a atrapalhar os planos de Mary, mas no final sucumbiu ao seu amor por ela e acabou se tornando um dos aliados. Sério, eu queria que a magia indígena o dominasse e ele acabasse se tornando o grande vilão da temporada, mas ele se limitou a apenas dar pequenos sustos nas bruxas, e a ser usado contra a Mary.

Por falar em usar o John, nunca vou superar a Tituba fazendo o inabalável soldado sucumbir aos desejos da carne. Ela sempre soube acertar os pontos fracos de Mary, que é o amor aos homens de sua vida, e acabou se aproveitando desse amor em benefício das bruxas, e também próprio.

A polaridade que reinava em Salem se mostrou algo interessante, com ambos os lados tentando destruir um ao outro, mas sem os embates diretos. Como falei no início, Mary sempre pareceu invulnerável, mas nessa temporada foi a derrocada da mesma. Ela perdeu todos os “aliados”, e conseguiu perder todo o poder que ainda tinha em Salem.

Neste meio tempo temos Cotton e Dr. Wainwright, fé e ciências unidas para descobrir o gênesis da praga que assola a região. Falando deles, podemos perceber que TODOS os homens da cidade só foram usados pelas bruxas. Nenhum deles agia sem o consentimento de uma delas. Entretanto, eu esperava que o Doutor acabasse se tornando um bruxo e virasse aliado da Mary, mas o amor é uma coisa perigosa, e pode matar as pessoas.

O roteiro sabe transformar seus personagens em pessoas mega poderosas, mas sabe derrubar eles com crueldade. Mary além de perder o poder e respeito pelas pessoas de Salem, ela também perdeu seu filho. Já que para completar o grande ritual deveria existir um sacrifício de amor. E o destino, cruel como ele é, fez surgir o mestre nas terras de Salem.

Salem nos mostrou como o instinto materno pode ser algo deturpado e, por assim dizer, algo perigoso. Uma coisa que Marburg e Mary tinham em comum era o “amor” maternal por seus filhos. Enquanto a primeira só acha que o filho teria o devido valor sendo ele o sacrifício para o mestre, a segunda só queria uma vida normal para ela e seu filho, longe desse mundo das trevas. As relações maternais foi algo bem elaborado dentro da série, tanto na questão das perdas e abandono, como na questão da traição. E algumas vezes não importa o quão cruel sua mãe pode ser você sempre irá protegê-la contra aqueles que querem fazer “mal.”

Outro ponto a se destacar é que a série nunca mostrou os personagens como mocinhos íntegros e de caráter impecável, mas sim humanos, que eram capazes de ter algumas atitudes por motivos egoístas, mesmo essas atitudes prejudicando alguém (essa foi pra você Isaac), e isso que torna Salem interessante. Mary pode ser uma bruxa badass, mas que consegue causar uma identificação com quem vê. Não somente com ela, mas todos os demais personagens que orbitam ao seu redor. Existe uma relação de empatia entre espectador e personagem.

Com um final onde todos os personagens saem prejudicados de alguma maneira, Salem se encerrou com um gancho que nos faz ficar cada vez mais ansiosos pela terceira temporada. Esta segunda temporada serviu para mostrar o quão madura pode ser a série e que os roteiristas não tem medo de ousar. Além do mais sabem criar uma história envolvente, onde todas as partes se interligam e se conectam com a trama principal, de forma a deixar a história enxuta e sem muitas pontas soltas.

Ps1: Bruxas e maçãs pode ser clichê, mas sempre funciona.

Ps2: Queria eu ter um orgasmo mágico como o do Doutor

Ps3: Cotton como novo George foi lindo

Ps4: Isaac, o saco de pancadas de Salem, até que terminou “bem”, para os padrões dele.

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