Eles se uniram e fizeram muito sucesso da primeira vez, mas conheceram o fracasso total quando tentaram novamente.
A teledramaturgia brasileira faz clássicos com cada vez menos frequência, mas sua lista de momentos icônicos é extensa. Mocinhas, mocinhos, vilões, cenas e pares, constroem os pilares dessa arte tão vívida na nossa cultura e que somos capazes de fazer tão bem. Dramaturgia é dramaturgia, seja onde for. Até mesmo Hollywood tem seus rompantes de recorrência, quando fórmulas dão certo e resultam em uma infinidade de reproduções. Julia Roberts e Richard Gere resolveram reviver a boa parceria de Uma Linda Mulher em Noiva em Fuga, apenas para que todo mundo percebesse que a boa química deveria ter ficado lá para trás. Até mesmo Bete Davis e Joan Crawford – inimigas mortais em Baby Jane – foram convencidas a trabalharem juntas novamente num longa que só as fez parecerem decadentes.
Também temos a nossa listinha de equívocos causados pela ambição e esse top traz 5 dessas tentativas de revival que foram desastrosas. Quase sempre porque a história da novela já era ruim ou porque os personagens não ofereciam nada de complexo para os atores. Essa, aliás, é a dinâmica de todos os exemplos: nas primeiras vezes os personagens eram intensos e aprofundados. Na segunda, eram apenas uma desculpa superficial para fisgar a audiência. Confiram a nossa lista e estejam à vontade para dar mais exemplos nos comentários. Vamos lá.
Marcelo Novaes e Letícia Spiller

Primeira Vez: Quatro por Quatro
Floparam em: Zazá
Marcelo Novaes e Letícia Spiller formaram aquele que é – provavelmente – um dos casais mais fortes da história da nossa TV. Babalu e Raí, de Quatro por Quatro eram irresistíveis. Ele, um mecânico meio burro, mulherengo e de coração puro. Ela, uma manicure esquentada, afetada, cheia de objetivos e trejeitos. A química foi tão forte que os atores se casaram na vida real e anos mais tarde, em Zazá, voltaram a formar um par romântico.
Contudo, Zazá (estrelada por ninguém menos que Fernanda Montenegro) tinha uma trama confusa e ainda foi cruelmente esticada, resultando num fracasso de audiência e popularidade. Os personagens de Marcelo e Letícia eram tediosos, rasteiros e foram se apagando gradativamente, resultando num desejo sincero de que a parceria nunca tivesse sido revivida. A insatisfação com a roubada onde tinham se metido chega a aparecer em suas feições cansadas conforme a novela segue adiante. Atualmente, voltaram a se encontrar em Sol Nascente e agora em O Sétimo Guardião.
Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis

Primeira Vez: Por Amor
Floparam em: Pecado Capital
Nando e Milena, da novela Por Amor, foram outro exemplo de como uma boa química pode melhorar uma novela. Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis viviam uma relação meio Romeu e Julieta, com direito a famílias se odiando e armações para separá-los. O bom texto de Manoel Carlos ajudava os personagens, que eram também muito bem construídos em seus núcleos paralelos. Tanto Nando quando Milena funcionavam bem em todas as suas outras interlocuções.
Pouco tempo depois eles voltaram em Pecado Capital, um remake do sucesso de Janete Clair que tinha tudo para ser uma grande virada para o horário. Contudo, a novela foi um fracasso e uma série de problemas de bastidores prejudicou muito o resultado final. Carolina e Moscovis estavam com suas imagens cansadas e a falta de carisma dos personagens ajudou a desandar o caldo. O jeito truculento dele e a sexualização dela resultaram numa relação quase agressiva, longe da ternura que os atores tinham transmitido em Por Amor. Enfim, tanto o público quanto eles fazem questão de esquecer que esse novo par um dia existiu.
Patrícia França e Leonardo Vieira

Primeira Vez: Renascer
Floparam em: Sonho Meu
Tanto Leonardo quanto Patrícia participaram apenas da primeira fase de Renascer, que durou pouquíssimos capítulos. A beleza e o talento de Leonardo fizeram o moço virar um verdadeiro fenômeno de popularidade e Patrícia, mesmo muito jovem, criou uma Maria Santa forte e terna, que permeou toda a trama da novela ainda que não estivesse presente. A boa química surpreendeu tanto que não demorou para que fosse repetida, agora no horário das seis, com a quase infante Sonho Meu.
Com Xuxa e José Augusto cantando na abertura, a novela era uma remontagem de A Pequena Órfã e Leonardo e Patrícia reviviam um par romântico clássico do horário. Além da novela ter demorado muito para engrenar, aqui o fato dos personagens serem o mocinho e a mocinha também atrapalhou os atores. Em Renascer seus personagens eram cheios de transgressões e ao se reencontrarem nas 18 horas, tanto ele quanto ela situaram suas interpretações num campo de segurança que não ajudou-os a se destacarem na multidão. Ficou um ar de “não precisávamos disso” e a novela, inclusive, jamais foi reprisada.
Renata Sorrah e Susana Vieira

Primeira Vez: Senhora do Destino
Floparam em: Duas Caras
Por onde quer que vá Aguinaldo Silva sempre vai lembrar a todos nós o quanto Senhora do Destino foi um dos maiores sucessos da televisão brasileira. E foi mesmo. Na novela em questão, Susana Vieira vivia a protagonista nordestina que segurava a trama. Porém, Renata Sorrah tinha uma Nazaré na manga e roubou tudo para si. Não é como se a parceria tivesse dado certo, porque a guerra fria entre as atrizes (mais por parte de Susana) era notória e fundamentada. Mesmo assim, Aguinaldo resolveu repetir o antagonismo em Duas Caras.
Tudo deu errado. A novela teve um milhão de problemas de escalação, uma trama confusa, bastidores tomados de escândalos, incluindo até a vida pessoal de Susana, que vivia o casamento conturbado com o homem da sunga branca. O antagonismo com Renata não deu em nada, mas muito mais porque as personagens eram risíveis. A frustração do autor, dos atores, da equipe, resultou numa verdadeira avalanche de problemas que foram sentidos por muito tempo. Por fim, Aguinaldo precisou amargar um grande fracasso logo depois de seu maior sucesso.
Regina Duarte e Glória Pires

Primeira Vez: Vale Tudo
Floparam em: Desejos de Mulher
Se há uma parceria histórica na nossa teledramaturgia é a de Regina e Glória em Vale Tudo. A história de mãe e filha que viram inimigas foi contada com tanto apuro que até hoje nos surpreende em suas reprises no Viva. Raquel era uma mãe devotada que depois de muito ser enganada ignora a existência da filha e Fátima era uma filha cruel, que mesmo depois de muito prejudicar a mãe continuava a amá-la. A profundidade das personagens e a condução impecável de suas histórias não deixa dúvidas do quanto um bom planejamento pode criar uma obra prima.
Desejos de Mulher prometia um reencontro inesquecível. A novela foi vendida como aquela que ressuscitaria a rivalidade e terminou sendo um dos maiores fracassos da emissora carioca. Regina e Glória dessa vez seriam irmãs, mas a novela (escrita por Euclydes Marinho, na época passando por muitos problemas) começou a perder o rumo com tanta rapidez que era como se fosse dez novelas diferentes a cada semana. Muito rápido os caminhos das irmãs vividas por Glória e Regina se separaram e Desejos de Mulher virou o Show de Selma, a vilã de Alessandra Negrini, que mesmo estando numa novela terrível, deu o sangue no papel. Uma lástima das maiores que vimos até aqui.
Assim, todos os exemplos citados podem servir como lição para as cúpulas que resolvem repetir parcerias de sucesso como se a simples presença de dois atores numa mesma cena fosse o suficiente para reviver uma mágica.
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E vocês? O que acham? Que outras parcerias repetidas deram em nada e quais aquelas que jamais devem se repetir?
















