Para começar nossa programação especial de comemoração ao ano de 2018 na televisão, decidi falar sobre algo que não celebramos muito por aqui (talvez de forma individual), mas que tem uma importância incomparável na vida de qualquer série-maníaco: as personagens. Se ano passado listamos os momentos musicais que uniram séries de tevê e a música, dessa vez falaremos da composição escrita e visual dessas pessoas que acompanhamos nas maratonas.
Enquanto os rankings de melhores episódios estão no forno (e se prepare porque aí vem algo épico), reuni a galera do SM para indicarmos essas pessoas ficcionais que, de tão bem escritas e atuadas, se destacaram nos últimos meses e permaneceram conosco até agora.
Para a lista, decidi considerar SOMENTE personagens que apareceram este ano em séries veteranas ou novatas. É por esse motivo que não veremos nomes já conhecidos e talvez esperados. Isso porque a ideia é conversar sobre a jornada realizada neste ano e não fazer uma retrospectiva total, apontando aqui e ali quais rumos as personagens tomaram entre uma temporada e outra. Como chegamos ao número trinta, e facilmente chegaríamos ao cinquenta, decidi separar em duas partes. Antes de começarmos, vale sublinhar que não há qualquer ordem por aqui — mas fica o convite para tentarmos descobrir qual foi a melhor personagem do ano nos comentários e falarmos sobre os veteranos.
Como essas listas costumam ultrapassar os leitores do site, aos que não conhecem o Série Maníacos, sejam bem-vindos. Com esse spoiler no nome, aqui falamos sobre televisão e sua produção nacional e internacional.
Os textos abaixo NÃO possuem spoilers, então quem não assistiu às séries pode dar uma lida e ver se algo o instiga a começar. Colocamos só uma personagem por série. Introdução feita, as melhores (novas) personagens este ano são:
- Villanelle (Jodie Comer) — Killing Eve [BBC America]
Por: Denis Lira

Oksana Astankova é a personagem mais brutal, ousada, insana, estilosa, engraçada, ácida e assustadora de 2018. Parece muito, mas, na verdade, é possível adjetivá-la ainda mais, por horas e horas.
A força motriz de Killing Eve é um ícone que já pintou seu nome no hall de psicopatas da ficção com seus assustadores joguinhos mentais e impressionantes habilidades. A russa é o contraponto perfeito para a protagonista e, além de tudo, consegue a proeza de cativar o público, mesmo com suas ações e motivações torpes. Todos os méritos para Jodie Colmer, que compõe Villanelle com uma leveza quase infantil e, em um olhar, destrói toda a construção, trazendo a monstruosidade da assassina.
(Para saber mais sobre a série, você pode dar um pulo no nosso canal do YouTube, onde o Michel deixou suas impressões registradas: aqui).
- Cole Mackenzie (Cory Grüter-Andrew) — Anne With An E [Netflix, CBC Television]
Por: Welson Oliveira

Anne With An E retornou para sua segunda temporada com a tarefa de renovar nosso amor cultivado pela sua série desde março do ano passado quando, através da Netflix, saiu de sua terra natal para conquistar fãs pelo mundo. Bem atuada, bem escrita e bem dirigida, é difícil destacar o melhor (ou o grande feito) dessa temporada. Focando nas personagens, nós temos uma das melhores protagonistas atuais — e atrizes também, porque Amybeth McNulty constrói sua heroína com uma inteligência e intuição assustadoras.
Se eu puder ousar, digo que Cole Mackenzie entra na disputa sobre a melhor aquisição da série neste ano, e os motivos são vários. A personagem faz uma dupla perfeita com Anne, fazendo-nos refletir sobre a amizade entre meninos e meninas na infância, quando outras séries falham. Ele ainda tem a chance de ser o início de muitas conversas, dar abertura a muitos diálogos, pois sua vivência na cidade pequena onde moram é de outro ângulo, com outros problemas e outra realidade. Assim, falamos sobre sua solidão, sobre o desespero de se descobrir artista em tal lugar e as consequências de se render à ira. Cole ainda casa muito bem o mundo adulto e protagoniza uma das melhores e mais emocionantes cenas do ano — que com certeza constaria por aqui se eu fizesse um ranking temático nesse estilo. Tudo amparado pelo ator Cory, que reforça a qualidade do elenco impecável da produção.
(Se você ainda não parou para assistir Anne With an E, nós temos textos sobre a primeira e a segunda temporada sem spoilers).
- Raul (Milhem Cortaz) — Rua Augusta [TNT]

Na fábula sobre relacionamentos abusivos perdidos na noite paulistana produzida pela TNT, algumas coisas se destacam. Além do esforço no tratamento da imagem para que se distancie do que conhecemos como produto televisivo brasileiro das maiores redes — e finalmente alcancemos a linguagem própria das séries —, temos bons atores e boas personagens aqui e ali. Nem todas são apadrinhadas por esse cuidado no roteiro, principalmente no que diz respeito às protagonistas, mas algumas têm a grande sorte, pois além de ganharem reforço com histórias complexas, são colocadas nas mãos de atores competentes. É o caso de Raul, possivelmente a melhor coisa por aqui.
Milhem Cortaz interpreta um chefe de segurança que precisa seguir ordens e vigiar uma das ruas mais famosas de São Paulo. Sua história se resumiria aí se ele não mantivesse relacionamentos secretos, uma quase obsessão em proteger os amigos e um comprometimento com os próprios planos. Para que sua vida não desande, ele, motivado por essas três questões, vai até o limite. Então, vemos uma saga não só individual, de um certo Raul perdido no tempo, mas de uma vítima das regras sociais onde vive — regras que, quando ousa quebrar, deixam-no desprotegido. Isso porque quando você atravessa uma fronteira, às vezes atravessa sozinho. Milhem, o premiado ator que carrega todo esse material, é um dos nomes que nos deixam orgulhosos de como vendemos talento no ramo da atuação brasileira.
(Para saber mais sobre a série e ainda pegar outras dicas, você pode dar um pulo lá no SM Play).
- Liz Reddrick-Lawrence (Audra McDonald) — The Good Fight [CBS All Access]
Por: Welson Oliveira

Depois de uma breve aparição aqui ignorada em um episódio de The Good Wife (também conhecida como Minha Série Favorita da Vida), Liz e Audra chegam ao sping-off, que ainda não é melhor que a série original, por favor, parem de dizer isso. Em seu impecável segundo ano, The Good Fight fez o caminho oposto a tantas séries que entregaram segundas temporadas e se superou. Trabalhando temáticas tão presentes em nosso cotidiano, a série talvez seja mais importante e válida do que The Handmaid’s Tale, por exemplo.
O elenco e as personagens são parte do motivo para considerar que fechamos treze episódios intactos. Há ainda um problema na forma como as personagens negras são retratadas, um problema que Robert e Michelle trazem consigo há quase uma década — quem também se sente incomodado que atire o primeiro comentário. Ainda assim, é possível celebrar Liz e o quanto ela contribuiu esse ano.
A personagem de Audra é o contraponto perfeito para Diane e as atitudes egoístas que esta toma durante a temporada. Liz chega carregando um nome, um peso nas decisões, e desiquilibra quando pode e acha que deve toda a estabilidade do lugar. A advogada quebra regras, fecha os olhos para leis e não perde a compostura diante de provocações. Compõe, com uma paciência que talvez não teríamos, uma das duplas mais interessantes da série. Tem a grande força que as mulheres negras possuem aqui fora, mas que a televisão muitas vezes teima em ignorar.
(Por aqui temos textos para todos os episódios de The Good Fight que você pode ler aqui).
- Benjamin Poindexter (Wilson Bethel) — Daredevil [Netflix]
Por: Victor Tourinho

No terceiro ano da já saudosa Daredevil nos foi apresentado uma personagem que pode facilmente entrar para a galeria de melhores vilões live-action entregues pela Marvel. Ben Poindexter, ou simplesmente Dex, tomou muito da série para si com seus traumas e transtornos e suas tendências psicopatas, brilhantemente interpretado por Wilson Bethel.
Dex foi sendo desenvolvido sem pressa, com o roteiro primeiro trabalhando em cima de seu passado sangrento e de seus distúrbios do presente, até transformá-lo no mais exímio soldado de Wilson Fisk, protagonizando sequências de ação que beiravam a perfeição. Uma pena que, com o cancelamento precoce da série, não deveremos nunca saber o que viria a seguir para o Mercenário, afinal, potencial de histórias ainda melhores é o que não faltava.
(Com textos para as três temporadas, você pode ler mais sobre a terceira temporada de Demolidor aqui).
- Miz Cracker (Maxwell Heller) — Rupaul’s Drag Race (VH1)
Por: Henrique Haddefinir

A décima temporada de RuPaul’s Drag Race foi uma temporada marcada por polêmicas que envolviam Vixen, mas se vamos falar de “personagem”, não podemos nos focar apenas no comportamento social. A corrida das drags é uma reunião de elementos que não se limitam ao talento, mas grandes competidoras surgem quando conseguem unir uma boa narrativa social e demonstrações de talento que nos provocam e fogem do âmbito convencional. Cracker conseguiu uma passagem diferenciada por justamente encaixar-se na dinâmica entre talento e palavra.
A edição da décima temporada bem que tentou, mas a narrativa de antagonismo com Aquaria não vingou. Enquanto a “rival” seguia priorizando a moda, Cracker (com seu nome já transgressor), aplicava estranheza e desajuste em seus looks e posicionamentos, nos aproximando muito mais de uma ideia de questionamento da “perfeição”. Sua passagem pelo Rio de Janeiro foi tomada de controvérsias, o que só reforçou sua relevância dentro da mitologia da corrida. Numa temporada tão cheia de insipidez, seu pensamento outside the box foi extremamente valioso.
(A gente também resenha Rupaul’s Drag Race nos caprichados textos do Henrique Haddefinir que você pode encontrar por aqui).
- Samantha Alencar (Emanuelle Araújo) — Samantha! (Netflix)
Por: Vera Tocantins

Emanuelle Araújo já foi vocalista da Banda Eva e da Banda Companhia Clic, também liderou os vocais da Banda Moinho, com a percussionista Lan Lan. Mas além de cantora, ela é atriz, formada pela Escola de Teatro da Ufba. Ela já apresentou um programa infantil em uma TV local, na Bahia. Fez várias peças de teatro infanto-juvenil. Fez várias novelas e mostrou grande versatilidade durante a dança dos Famosos. O que não esperávamos é que Emanuelle Araújo surgisse com uma personagem icônica como Samantha! (é, tem uma exclamação no final do nome artístico dela).
Samantha! transita dentro da zona de conforto da atriz, mas isso não diminui em nada a possibilidade de Emanuelle brincar com o caricato, flertar com a malícia e a maldade, muito atribuídas aos ícones infantis mimados e com egos inflados dos anos 80. Isso torna cada ação da personagem mais cômica e elaborada, embora Emanuelle não precise fazer nenhuma piada ao longo dos episódios. O faço tudo por sucesso nunca fez tanto sentido! O próprio nome da artista, que adicionou uma exclamação ao seu final, é uma piada pronta muito engraçada.
Por ter sido a criança mais amada do Brasil, Samantha! se recusa a crescer, se recusa a procurar um propósito para a sua vida adulta. Às vezes ela se mostra mais infantil que os seus dois filhos — Cindy e Brandon, um capítulo à parte na vida de Samantha!. Os filhos da artista são engraçados, inteligentes e às vezes mais maduros que a mãe. E a forma que ela os chama com um sotaque acentuadamente estrangeiro é bem engraçada. Samantha! é sem sombra de dúvidas um dos melhores papeis já feitos por Emanuelle Araújo, uma personagem que agrada só de aparecer em cena.
(Rolou texto também da divertida Samantha! escrito por mim que você pode ler aqui).
- Hilda (Bell Ramsey) — Hilda (Netflix)
Por: Welson Oliveira

Agora precisamos sublinhar o que lá no fundo já sabemos: personagens de séries animadas também precisam ser bem desenvolvidas. Assim como nas séries live actions, elas podem se tornar o motivo para acompanharmos as jornadas propostas pela história. Se procurarmos exemplos nas veteranas, não precisaremos ir muito longe. Como a proposta é que falemos sobre esse ano, destaco Hilda como exemplo de personagem bem construída — tão rica e carismática quanto as cores de sua série.
Interpretada pela atriz Bella Ramsey, conhecida por interpretar aquela menina linha dura de Game of Thrones (Lyanna), Hilda é uma criança corajosa. Até aí nada novo, porque a série é de aventura. Conforme nos aventuramos na maratona, no entanto, descobrimos que a coisa não se resume a isso. Isolada da sociedade, vivendo com a mãe no meio do nada, a garota solitária é obrigada a se integrar à cidade, conhecer as regras da vida social deste lugar e corrigir o próprio comportamento. Entra em ação seus princípios já muito formados (lealdade, solidariedade) para ajudá-la na fase de ajuste. É com essas qualidades que nos permitimos fazer parte de suas aventuras e embarcamos nos treze capítulos que investigam o sobrenatural, o fantástico e a amizade.
(No #MêsDoHorror deste ano, conversamos sobre Hilda em um texto sem spoilers que você pode ler aqui).
- Rikki Carter (Tessa Thompson) — Dear White People [Netflix]
Por: Vera Tocantins

Dear White People, a polêmica e controversa série satírica americana, foi inspirada no filme independente de mesmo nome e teve, na ocasião, a atriz Tessa Thompson interpretando a personagem protagonista Samantha White. Todavia, o diretor e roteirista Justin Simien tinha em mente trazer para a série alguns dos atores do filme de 2014. E para o nosso deleite, a talentosa Tessa Thompson retorna à cena dando vida a personagem Rikki Carter, uma figura política controversa e conturbada, que aparece no volume dois da série para acirrar os ânimos e lançar provocações. Gabe, namorado de Samantha, classifica Rikki como uma incógnita, alguém que ninguém entende direito e, por essa razão, a jovem locutora deve temer a rival.
Rikki Carter chega no segundo volume de Dear White People para mostrar à Samantha que toda a luta dela pode se voltar contra ela em algum momento do futuro, que tudo que ela combate agora pode ser material para a construção de uma personagem que combate a opressão, mas que transita entre os dois polos da sociedade em busca de sucesso. Rikki é implacável ao abrir os olhos de Samantha, embora de forma distorcida, com o seu discurso poderoso sobre o que realmente importa: views, likes, dinheiro, publicidade e quem oprime e quem é oprimido. A personagem se coloca no mesmo patamar da protagonista, que lida com temas polêmicos e espinhosos para chamar a atenção da audiência. Tessa Thompson está de parabéns por transformar em algo memorável a sua passagem em Dear White People volume dois.
(O segundo volume de Dear White People foi inteiramente resenhado pela Vera e você pode maratonar acompanhado dos textos por aqui).
- Lavinia Peck-Foster (Kristin Chenoweth) — Trial & Error [NBC]
Por: Welson Oliveira

Todos de pé, Lavinia chegou ao nosso post. Não apenas importante na cidade, pois tem seu sobrenome na placa do município (East Peck), ela é uma celebridade capaz de gerar um fascínio que lhe ajuda a concretizar seus planos. Não é de se estranhar, portanto, que ao ir parar no tribunal nada lhe aconteceria do mesmo modo que aos outros acusados. Nada disso: ela é capaz de fazer o juiz se levantar para recebê-la, dispensar os presentes e ainda cantar. Parece absurdo, mas não por acaso: Trial & Error é quase uma ode ao ridículo. Na segunda temporada da série de estilo falso documentário, a dama mais importante do município precisa responder pela morte do marido, encontrado em seu carro.
Assim como Larry Handerson, que teria sido presença fundamental se tivéssemos feito esta lista no ano passado, Lavinia tem a responsabilidade de nos ganhar por sua personalidade e pelas bizarrices de seu caso: a comédia só funciona se os clientes de Josh e sua equipe nos cativarem. Não é uma tarefa muito difícil para Kristin, premiada e talentosa atriz, que se mostra a melhor coisa para esse novo ano da produção da NBC. Cômica por acidente, sua personagem flerta, manipula e despreza todas as outras personagens com tanta habilidade que é impossível que nós não acabemos também enfeitiçados. Isso explica porque, após seu último número musical, eu me peguei aplaudindo a televisão, fazendo coro ao resto do elenco.
(Se você gosta de nonsense, precisa assistir Trial & Error. Temos textos para os dois anos que você pode ler aqui).
- Kirsten Lindstrom (Morven Christie) — Ordeal By Innocence [BBC]
Por: Welson Oliveira

Na já tradicional adaptação de final de ano de obras da Agatha Christie feita pela BBC ganhamos este ano, quando a estreia foi adiada devido a polêmicas, uma versão de Ordeal By Innocence (Punição para a inocência no Brasil). Na história, uma família disfuncional passa pela tragédia de perder sua matriarca, uma mulher rica que adotara cinco crianças. Se isso não fosse triste o bastante, um dos filhos é preso e acusado pelo assassinato, morrendo na prisão antes do julgamento. Conforme vamos assistindo, percebemos que aqui todas essas pessoas são desprezíveis e no fundo se odeiam. É uma família que se convive para trazer o pior um do outro. Assim, facilmente colocaríamos qualquer um deles por aqui.
A escolhida para representar essa maravilhosa minissérie foi a governanta Kirsten, parte essencial para o desenvolvimento e o desfecho da trama. A mulher que cuidara desses jovens desde a infância ficou marcada em suas lembranças como divertida e doce, mas, no presente, o quarteto ainda vivo se questiona sobre os mistérios que a envolvem, sua figura sempre presente e quais suas motivações para se manter por tanto tempo na família. Quando descobrimos os motivos, percebemos uma mulher presa em situações complexas, resistindo com força ao jogo doentio da família Argyll. Morven, por sua vez, nos situa no terror e no desespero dessa mulher com a mesma entrega que as melhores produções britânicas possuem.
(Reafirmando a recomendação, você pode ler mais sobre a minissérie sem spoilers por aqui.)
- Irma Leopold (Samara Weaving) — Picnic at Hanging Rock [Amazon Prime]
Por: Welson Oliveira

Em clima de sobrenatural e de feitiçaria, Picnic at Hanging Rock é uma deliciosa minissérie australiana que foi abafada por diversos motivos, incluindo o culto ao livro no qual foi inspirada e o filme de mesmo nome que tem uma legião de fãs. Aos que não conhecem a história, essa nova adaptação pode ganhar com mais facilidade. Além de uma fotografia encantadora e um jeito singular de construir sua narrativa, temos personagens femininas complexas e indecifráveis. Reunindo defeitos e qualidades, elas flertam entre si e jogam com o próprio público, que jamais é capaz de entender suas motivações por completo.
Irma é mais uma personagem inusitada para a carreira de Samara, que, para exemplificar, tem uma babá “não convencional” em seu currículo. Mesmo dividindo espaço com Natalie Dormer que, por sua vez, conseguiu construir uma das personagens mais charmosas de Game of Thrones, Samara parece a atriz que mais se adequou à proposta da série. Invejosa, dissimulada e às vezes ingênua, Irma é uma amiga complicada de se ter por perto porque mostra devoção e possessividade na mesma medida. Suas cenas são para ver e rever, tentando descobrir qual a intenção da atriz e da personagem — tarefa frustrada, porque aqui é tudo segredo.
(Como eu meio que preciso de outras pessoas que assistam a essa série e venha manifestar seu amor, você pode ler mais por aqui e deixar seu comentário para trocarmos figurinhas).
- Cornelius Hickey (Adam Nagaitis) — The Terror [AMC]
Por: Welson Oliveira

The Terror mistura aventura, drama e horror para contar a história de tripulantes perdidos no gelo. Além de enfrentar situações precárias, como comida envenenada, uma gigante criatura sobrenatural e os efeitos do frio, os homens precisam enfrentar a que talvez seja a pior provação: eles. Quem já viu muitos filmes de sobrevivência nesse estilo sabe que a qualquer momento vai se levantar entre as vítimas um antagonista para criar um conflito. A forma como a produção da AMC faz isso, entretanto, é de se sentar e tomar notas. Cornelius é um dos mais interessantes vilões desse ano.
A personagem de Adam Nagaitis entende que há uma lógica na hierarquia e sabe com quem deve conversar para se destacar. Apenas um ajudante no começo, o misterioso tripulante começa a formar uma equipe para descumprir ordens e seguir os próprios planos. Nessa jornada, ele passa por humilhações e derrotas, mas aprende com elas para que, bem observador, saiba como agir a seguir. Quando todos começam a morrer, Cornelius consegue driblar diversas situações. Ele protagoniza o momento de maior tensão na série e tem uma das cenas mais fascinantes, quando se coloca em frente à criatura. Faz tudo isso sendo homossexual, o que prova que personagens gays não precisam ser representados como as frágeis vítimas das circunstâncias.
(Por aqui dava para colocar diversas personagens da antologia, com destaque para o capitão Francis Crozier, o médico Henry Goodsir e a inuíte Lady Silence.)
[Rolou texto sobre The Terror no #MêsDoHorror. Leia mais sobre a antologia por aqui.]
- Norman Scott (Ben Whishaw) — A Very English Scandal [BBC One]
Por: Welson Oliveira

Adaptação de um livro baseado em fatos reais, a minissérie da BBC conta com dois lados da história em uma luta que vai parar nos tribunais. De um lado temos o importante e famoso político Jeremy Thorpe (Hugh Grant), líder de seu partido. De outro temos Norman Scott (Bem Whishaw), paciente de uma clínica psiquiátrica liberado há pouco. Os dois se envolvem em uma afetuosa relação que funciona entre ambos por um tempo. Isso até que Norman, em crise com a visão criminosa e clínica dada à homossexualidade à época, decide ir embora. As coisas não ficam por aí porque a ajuda que o político prometeu ao amante nunca se realiza, e este passa a exigir o que é seu por direito, utilizando das armas que possui.
“Eu fui rude. Eu fui vil. Eu fui queer. Eu fui eu mesmo.” Assim se define Norman depois de seu testemunho no qual nos presenteia com um dos monólogos mais empolgantes da televisão este ano. Como sublinha em tal cena, ele representa uma parcela da sociedade que não pode ficar calada sem denunciar o modo como pessoas em situação de poder a trata. Recheando tudo temos um humor desajeitado da personagem e o talento de Ben que, ao lado de Hugh, faz a trama ganhar dinamismo e se aproximar de nossas questões. Podemos começar a maratona o odiando, mas, ao fim do terceiro episódio, não dá para torcer contra essa excêntrica figura.
- Poderosa / Sheila Pereira (Roberta Rodrigues) — Cidade dos Homens [Globo]
Por: Welson Oliveira

Meu top, minhas regras.
Fechando meus olhos para o fato de que já conhecemos a Poderosa há bastante tempo, vou me focar no fato de que as novas temporadas de Cidade dos Homens são consideradas por muitos como sping-off, outra série. Assim, consigo exaltar por aqui o grande talento do elenco e do roteiro desta série maravilhosa. Em último caso, a gente considera como menção honrosa, tudo bem? Coloca honra nisso! O retorno de Roberta Rodrigues contribui bastante para a dinâmica dos episódios exibidos em janeiro deste ano. Não mais a jovem inconsequente de antes, afinal, muito tempo se passou, a ex-Poderosa (hoje de nome trocado) tem uma jornada de redenção na qual tenta reconquistar seu filho.
“Tá pensando que é a primeira vez que um vagabundo bota a arma na minha cara e grita comigo?” desafia a personagem em um momento tão louvável que se fosse Grey’s Anatomy estaríamos aplaudindo até agora. A fala faz referência também ao caminho percorrido lá nas primeiras temporadas, fazendo alusão à criação que ela, Laranjinha e Acerola tiveram. Poderosa aparece na onda de nostalgia que tem atingido produções atuais, mas, nesses novos rumos para sua personagem, não fica apenas como uma ode ao passado, tornando-se caricatura de si mesma: ela traz consigo o mesmo impulso que leva Cidade dos Homens a se tornar uma série também do agora.
(Fique por perto que em janeiro pretendo fazer um post especial para Cidade dos Homens).
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Quinze nomes dados e quinze nomes faltando, nos vemos na parte II. Por enquanto, liste suas personagens favoritas, quais não podem faltar na outra parte e quais ficaram surpresos de ver por aqui. Enquanto o TOP de episódios não chega, você pode dar uma olhada no nosso já tradicional top temático de episódios de horror e mistério que este ano chegou ao terceiro: aqui.
Vale aproveitar a oportunidade para agradecer ao André Zuil pela grande ajuda nas (lindas) capas dos nossos dois rankings, ao Michel Arouca pela licença e confiança que sempre me dá para elaborar essas listas, aos meus companheiros de site que fecharam mais um ano difícil contribuindo para esse constante diálogo que o Série Maníacos tenta estebelcer. E, claro, aos leitores carinhosos do SM que dedicam tempo para nos ler e começar conversas conosco.
> AS 10 MELHORES SÉRIES DE 2018!
Nos vemos na parte II!
















