Quase um ano e meio depois, Anne continua a ser nossa série quase secreta, por mais famosa que sua protagonista seja. Somos quase um clube secreto, suspirando pelas cenas delicadas e temendo por nossas crianças quando o roteiro inventa de colocá-las em perigo. De lá para cá, a série foi bem recebida em seu país de origem, ganhando indicações em diversos prêmios, como o Canadian Screen Awards, no qual concorria com treze indicações e levou a de melhor série dramática, além do devido reconhecimento ao trabalho de R.H. Thomson.
Após este retorno, percorrendo a recepção da internet, vejo diversos comentários apontando a capacidade da série de tratar de tantos assuntos sérios de forma sutil. Tenho um problema com esta palavra para esta série. Anne with an E se torna em diversos momentos tão terrível e angustiante que fica complicado assistir. A série cria ambientes torturantes não só para suas personagens, mas para os telespectadores, não os permitindo fugir da realidade aqui retratada. É uma amostra do melhor e do pior da infância: um relato bem construído sobre o que pode ser tanto o melhor período da vida de uma pessoa quanto o pior.

Maior e melhor, a segunda temporada tem diversos conflitos que não só envolvem sua protagonista singular, mas personagens novos e antigos lidando com questões universais, que respingam mesmo em nossa realidade, ou à época. Por mais que não seja (ainda) um grande conhecedor da obra literária de Lucy Maud Montgomery, percebo que há respeito nesta transposição de mídias para retratar uma Green Gables real: caridosa e nociva na mesma dosagem. Se não com a devida fidelidade, reclamação aliás de muitos fãs dos livros, pelo menos um compromisso com os novos admiradores, oferecendo-lhes um roteiro que amadurece junto com suas personagens, transformando lições morais em momentos cativantes.
Mesmo escorregando aqui e ali, os dez episódios que chegaram no começo de julho constroem uma jornada mais forte, interessante e completa. Acomode-se e prepare suas anotações, temos muito o que conversar.
Anne Shirley: a construção de uma protagonista
Segundo Amybeth McNulty, a (excelente) atriz que lidera o elenco da série, houve um momento de susto ao pegar o roteiro da nova temporada e reparar nas primeiras folhas: nelas apenas monólogos de sua personagem, que se espalhavam por páginas e mais páginas. Assim, voltamos a Green Gables, em cenas contemplativas, com uma protagonista diante de uma natureza que nos é mostrada bela e grandiosa. Os primeiros minutos podem, inclusive, nos causar um estranhamento. Demoramos um pouco para nos lembrar que Anne é esta garota que fala muito, tem frases longas e de palavras longas, e pode chegar ao irritante. Não sinta culpa, esta é a construção da protagonista, um dos maiores acertos da série.

Pela temporada, Anne encara diversos conflitos e para que acreditemos neles, a personagem precisa nos mostrar de maneira indireta como sofre com eles. Para que acreditemos que ela recebe de maneira natural algumas coisas que aos outros podem parecer incorretas, é necessário que ela seja vista tanto pelas outras personagens como pelo próprio telespectador desta forma. Isto é, mesmo diante de seus amigos, Anne se destaca como a mais imaginativa, a mais falante e a com mais reclamações a fazer. É uma maneira acertada de depois destacar o quanto isso pode lhe prejudicar e causar uma impressão ruim, como ocorre em certo momento dos últimos episódios.
Para ser fiel à melancolia tão presente ano passado por aqui, temos o retorno dos flash backs de Anne no orfanato. Através deles, descobrimos como se deu o contato dela com a leitura e a que precisou se submeter para adquirir o conhecimento de hoje. Por mais desconfortável que seja assisti-los, eles são quase uma aula de como os gatilhos funcionam e respeitam a história da garota, não permitindo que seu passado, bem afirmado anteriormente, desaparecem por conveniência.
Youth Is the Season of Hope nos recebe dizendo “esta é a protagonista, lembra dela?”. Requer que nós respiremos, tenhamos a calma que diversas outras séries da enxurrada da Netflix não nos permitem. Cinco minutos depois, nós nos lembramos dos pensionistas apresentados naquele final tão estranho no primeiro ano. Seria uma crueldade deixar nossa heroína sem destino, diante da possibilidade do risco. Esta toma corpo em Nate (Taras Lavren) e Mr. Dunlop (Shane Carty), mostrados desde o primeiro momento com personalidades diferentes, mas unidos pelo mesmo objetivo.
Começamos nossa jornada refletindo sobre o comportamento familiar na presença de um estranho, o que muda em sua rotina, quais gestos influencia. Os trapaceiros não estão aqui apenas para formarem a aventura de partida, mas para nos revelar aspectos do trio protagonista que ainda não tínhamos percebido. Vemos um malicioso jogo com a solidão de Marilla, mexendo com a vaidade e a ingenuidade dela.
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Toda a trama, que não dura tanto quanto eu imaginava, também serve para compor Avonlea e seus habitantes. É com essa desculpa que temos uma reunião na cidade ou um jantar mais íntimo em Signs Are Small Measurable Things, segundo episódio. Há um ciclo completo a respeito disso, porque tanto a primeira subtrama como a última são voltadas à comunidade em seu coletivo — no primeiro caso, tendo as crianças escondidas, no segundo, sua participação, na qual demonstram tudo o que aprenderam até então.
A conversa sobre o ouro tem a conhecida A Roupa Nova do Rei como intertexto, levando mesmo Anne a se questionar sobre aquilo que vê ou não. Não demora muito, no entanto, e ela se mostra a altura dos antagonistas. Isso porque, enquanto eles possuem um conhecimento de mundo astucioso para enganar o resto da cidade, há algo a respeito da infância e seu instinto que os desmonta.
Através do conflito, fazemos novos contatos com os Barry, pais de Diana. Seu pai, Mr. William Barry (Jonathan Holmes) representa a ambição de todo o povoado e enfrenta, mais tarde, as consequências disso. Visualizamos um pouco de como seria um casamento à época através do relacionamento que tem com sua esposa, Eliza Barry (Helen John). As cenas do casal nos ajudam a entender qual a base da melhor amiga de Anne, que nesta temporada ganha mais espaço. Somente observando seus pais é que faz sentido a reação que tem quando sua visão de mundo é testada.
The True Seeing Is Within nos pega de surpresa em seus primeiros minutos ao antecipar desde a primeira cena o desfecho para a história. Conforme avançamos na maratona, percebemos que foi a escolha correta — o que vem depois é mais empolgante. Aqui o roteiro toca novamente na questão do pertencimento e o não pertencimento: Dunlop sente a mesma paz em Green Gables que Anne sentiu, o que promove o desacordo com seu parceiro. O sexto sentido dos irmãos Cuthbert, porém, alerta-os sobre essas pessoas, não lhes poupando o impacto em saberem que não são bem-vindos. É através dessa confiança estabelecida mesmo no silêncio que Marilla é capaz de compreender Anne antes mesmo que uma palavra seja dita.
“As crianças são puro instinto.”
— Anne With an E.
Com o sonho de conseguir fazer parte da família da região desfeito, os trapaceiros têm em sua fuga o primeiro grande momento de aventura da temporada, lembrando-nos a corrida que Matthew dera indo atrás de Anne lá atrás. O roteiro coloca suas personagens em perigo, desde aquelas cuja vida sabemos que não será afetada às secundárias, como Jerry — personagem que rendeu um prêmio ao ator Aymeric Jett Montaz. Sua participação na série é pequena, mas bem utilizada. Temos a questão da alfabetização inserida no primeiro episódio, passeando pelas responsabilidades assumidas por si diante da família.

Vale destacar que, antes do desfecho, temos uma viagem feita por Anne, algo que se estende para outros momentos e episódios. Nesta, há novamente um contato com um estranho, no qual recebe um conselho. Para entender nossa heroína, não basta que analisemos sua relação com os irmãos que a acolheram, mas como se porta com os desconhecidos. Em muitos momentos a série gosta de destacar a visão do adulto sobre esta criança, mas não deixa de também fornecer-nos o oposto.
Uma reflexão sobre amizade através de Anne with an E
Algumas séries enfatizam com mais força seu tema principal. Aqui não o há, e sim diversos temas espalhados pelos episódios. Entre eles, é incontestável que a amizade seja um. É com a ajuda do tema que algumas personagens são introduzidas, outras são mais exploradas e destinos são traçados. É improvável não usar “amizade” como palavra-chave para a série caso tenhamos que fazer uma lista. Para avançar e dialogar com os outros capítulos desta jornada, precisamos voltar e perceber como se deu, desde o começo, a apresentação deste tópico na temporada.
A amizade formou diversos pares para debater algumas questões. Um deles se dá com Rachel (Corrine Koslo) e Marilla. A divertida personagem de Corrine é o melhor exemplo sobre como a série sabe trabalhar diversas características das pessoas que acompanhamos. Se em um episódio Rachel é caridosa o bastante para ajudar a amiga a retomar parte dos bens que se desfizera anteriormente, no outro tem a malícia de sua pequena cidade e mostra outro lado de si.

Anne divide-se entre formar um par com Diana em seu clube de histórias mostrado no primeiro episódio ou no “estranho” garoto de sua turma. Cole (Cory Gruter-Andrew) é talvez a melhor adição ao elenco e tem uma invejável saga pelos episódios. Invejável somente na riqueza dos conflitos que enfrenta, porque é muito difícil assisti-lo se debater entre questões existenciais e sociais. O menino torna-se ferramenta para falar sobre aceitação, sobre o destino do homem dentro do contexto no qual está inserido e sobre arte — tema sempre bem-vindo e que faz ótimo casamento com série de tevê.

Dividindo a tela desde o começo para retratar o desenvolvimento deste tema na história, temos Gilbert e Sebastian (Dalmar Abuzeid). Este vem para tocar em certas feridas e responder uma pergunta que alguns de nós podem ter feito no ano passado. Gentil e charmoso, o companheiro de viagem do jovem que decidira explorar o mundo tem seus pés fincados no chão, sabe muito sobre a dificuldade do homem negro em seu tempo e qual a realidade de alguns locais. A dura cena de reencontro do segundo episódio sintetiza bem isso.
Um passeio pela realidade das coisas
No trio inicial de episódios, Anne parece infantil demais lidando com algumas situações, daquele tipo que sofre à toa, rendendo-se aos dramas da infância. Quase à busca de se magoar; meio manhosa. É assim que ela se vê envolvida com o passado de Matthew em The Painful Eagerness of Unfed Hope, quarto episódio. Perto dos conflitos familiares enfrentados por Diana, sua história parece boba. Vale pontuar, claro, que a infância tem disso, e é válido dar-lhe tal narrativa enquanto sua amiga ganha o foco. Além disso, vemos mais uma vez como a protagonista tem um senso de moral e de ética bem diferentes dos outros.
Na família dos Barrys, temos um casamento debatido o tempo todo em razão do fracasso pela questão do ouro. Acompanhando esta relação familiar, outro dos grandes temas da série, voltamos a tratar sobre infância. O que o roteiro tenta nos mostrar é que enquanto algumas crianças têm a liberdade de explorar sua infância, outras são obrigadas a amadurecer por conta da influência de diversos fatores: a ausência dos pais, a condição social, etc. Esta é a razão para que tenhamos o passado de Matthew tão presente, assim como um Gilbert quase inacreditável de tão maduro, tudo costurado pelas cenas da família de Diana, tristes e ridículas.
“Eu acho que coisas quebradas têm uma beleza triste tão grande.”
— Anne with an E.
Saindo do individual, temos debates que se alongam e exploram realidades externas. Falando de beijo em The Determining Acts of Her Life, episódio basicamente dedicado a isso, não ficamos apenas neste ponto, mas exploramos a visão do feminino e do masculino da época nas definições dadas por Anne e suas amigas. Também esbarramos na figura de Billy (Christian Martyn), antagonista em diversos momentos. O rapaz e seus amigos nos fazem pensar em crueldade infantil, algo inexistente para algumas pessoas.

Tão insegura quanto sempre, temos uma Anne incapaz de explorar a própria beleza em razão da leitura que os outros fazem de sua aparência — algo sobre o qual falei no texto da primeira temporada. É muito fácil dizer ao outro “construa sua autoestima”. Difícil é colocar o exercício em prática quando se está em um ambiente onde todos repetem, diariamente, o quanto seu cabelo e suas marcas de nascença são feios. Anne passa por isso, então se rende ao pessimismo de visualizar a beleza apenas pelos relatos da melhor amiga, que a alerta sobre o peso da admiração. Destaco também como o roteiro mostra o tipo de contato físico que a órfã teve anteriormente, resposta para muita coisa.
A consequência para uma Anne curiosa, capaz de acreditar em vendedores que encontra no meio do nada, e afetada pelo desastroso modo de consolo de Marilla é um corte de cabelo nada tradicional. Este surge em I Protest Against Any Absolute Conclusion, sexto episódio, tido por Amybeth McNulty como seu favorito. Os quarenta minutos são focados na peça teatral da vila, que dá um papel de última hora à menina ruiva, mas não força qualquer protagonismo exagerado. Isso fica com Matthew, mas depois daquelas lembranças tenebrosas exibidas, nós até perdoamos. Em clima natalino, visualizamos os gestos afetados pela época, como Cole sendo ajudado pelos amigos depois que Billy causa um acidente ou Anne ganhando um lindo vestido.
Na sequência, Memory Has as Many Moods as the Temper, visualmente bonito, é importante em diversos pontos. Para começar, mostra uma Marilla debilitada por sua visão — aquela situação que as pessoas com enxaqueca infelizmente entenderão. Sua fragilidade é a desculpa perfeita para que os dois irmãos pensem no futuro da criança que acolheram e tenham discussões envolvendo fatos ainda não esquecidos. Vemos também que eles enxergam o passado de maneira diferente, afinal cumpriram papéis diferentes em relação à mãe e à morte do irmão.
Mas esse também é um episódio de celebração. Nele revemos Josephine Barry (Deborah Grover), a Fada-madrinha da série. Trocando momentos tocantes com ela, o trio Cole, Anne e Diana passa por diversos estranhamentos que contribuem para a formação de suas personalidades. Memory retrata o comportamento do padrão dentro de uma situação não padrão, no caso de Diana, ou do sentimento de pertencimento quando se encontra pessoas com as mesmas características que as suas, caso de seus dois amigos. Vale sublinhar a importância de episódios assim em séries voltadas ao público infantil.

Hora de falar sobre o episódio que talvez tenha o melhor final da temporada: Struggling Against the Perception of Facts é quase libertador. O caminho para a última cena, com as garotas dançando, sentindo-se livres depois de irem ao resgate de uma amiga, é bem construído. Temos cenas com uma mãe que faz parte de um grupo progressista, importante para a subtrama seguinte. O professor Phillips (Stephen Tracey) também não caiu repentinamente por aqui: protagonizou cenas desconfortáveis desde o segundo episódio, dividindo com Cole uma dinâmica estranha de acompanhar. Fui pego de surpresa à revelação de que é homossexual, uma vez que eu acreditava que seu relacionamento bizarro com sua aluna fosse o foco de sua personagem. Reconheço que a série trilhou este mistério, entretanto.
É nesse episódio também que vemos uma bola de neve começar a rolar e o destino de Cole ligado a ela. Quando o jovem sai da escola e se abriga na cabana que compartilha com Anne e suas amigas, não imaginava o que aconteceria depois, quando a casa desmoronasse. O momento em que os dois amigos encontram seu abrigo destruído é uma das cenas mais tristes da série, só perdendo para a conversa que ambos têm no precipício no episódio seguinte — ignoremos aquele fundo difícil de ignorar.

Depois de entrarmos em contato com a visão de Anne sobre o casamento, What We Have Been Makes Us What We Are chega com a mencionada missão da série de nos torturar. Não só seu final tem o efeito oposto ao do episódio anterior, mas diversas cenas nos empurram para a desesperança. A toca de nossa heroína, claramente uma representação de seu coração, é destruída, e com ela a vida de seu novo amigo. Este se volta à vingança, o que só piora sua situação. Vermos a família de Cole também foi bom para que sua furua decisão fizesse sentido.
“A questão não é o que o mundo tem preparado para você, mas o que você traz para ele.”
— Anne With An E.
Antes de focar na última grande subtrama da temporada, dá para destacar o destino de Sebastian que encontra um lugar onde se sente mais acolhido, por mais que enxergue sua marginalização. A carência de não ter terra, amigos (Gilbert é meio babaca com ele) ou até mãe para retornar explica sua apressada relação com Mary (Cara Ricketts). O encontro dos dois é charmoso, talvez muito abrupto, mas faz uma boa adição à produção.
Um destino mais sólidos para as personagens
Então Miss Stacy (Joanna Douglas) chega à Avonlea. Com grande potencial para ter participado de toda a temporada, é uma pena que a tenhamos apenas aqui no final. Não posso culpar a série por não atropelar suas próprias tramas, no entanto, e o lado positivo para seu aparecimento apenas no nono episódio é que sua história ganha o destaque que merecia. Com um passado que descobrimos apenas aos poucos (sempre uma boa condução na construção de personagens), a professora é independente e inteligente, mas mostra também traços de sensibilidade e se deixa afetar pelas palavras de Rachel, inimiga desde o primeiro instante.

O nono episódio apresenta, portanto, a última aventura da temporada, seu derradeiro conflito. Anne é sedenta de conhecimento, tanto de vocabulário quanto de mundo, então tratar de pedagogia complementa o enredo, dando-nos a oportunidade de visualizar o outro lado: não só vemos a garota esperta e que se distingue de seus colegas, mas sua professora, aquela que alimentará sua vontade de aprender.
“Se você fosse uma pessoa comum, não seria um artista extraordinário.”
— Anne With An E.
O desfecho para os conflitos estão em The Growing Good of the World, que fecha a temporada. Acompanhadas por um clima de aventura, as crianças embarcam em mais uma viagem para defender a senhorita Stacy do julgamento encabeçado pelas mães progressistas — estas, aliás, cumprem um papel que soa irônico a nós. Anne e Gilbert se esbarram durante o trem para que, novamente, tenhamos os amigos dividindo os mesmos sonhos e objetivos. Seria bem perigoso se a série tentasse algo além do clima divertido de rivalidade ou companheirismo entre eles, então fico feliz de que tudo tenha sido tratado com o respeito que esperávamos. Tem a delicadeza e a inocência condizentes.

Após a jornada, fica a sensação de que lições foram aprendidas não somente às personagens aos arredores Green Gables, que têm a oportunidade de celebrar o casamento de Sebastian, mas a nós, telespectadores. É um entretenimento rico, com recheio e substância para muito debate. Seja de maneiras diretas, com Anne expressando a necessidade de não se afligir ao se perceber como não sendo parte do “normal” ou nas constantes metáforas ao apresentar uma raposa como símbolo de tantas coisas. Menos solta do que da última vez, a segunda temporada termina intacta, depois de realizar um bom percurso e investir seu tempo onde reside a grande força da série: a combinação de um bom elenco com um bom roteiro.
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ps:
(1)
Uma pena que, por diversas razões, Amybeth McNulty não esteja ganhando a mesma repercussão que seus colegas mirins da Netflix. A atriz merecia ter seu trabalho aqui celebrado — e não só em seu país de origem, onde concorreu ao lado de Tatiana Maslany por um prêmio de atuação. A força com a qual carrega cenas dramáticas e a facilidade para falar sem parar de forma que pareça natural são incríveis. Mesmo que isso não ocorra com Anne, espero que ela tenha uma vida longa na tevê ou no cinema.
(2)
Talvez diretamente ligado ao motivo acima, Anne corre bastante risco de ser cancelada, tendo a criadora, inclusive, pedindo em redes sociais para que as pessoas assistam e reassistam. Então espalhe Anne por aí, não deixemos isso acontecer! Há um carinhoso texto escrito por mim sobre a primeira temporada. Se puderem, compartilhem.
















