“Eu só queria que existisse um botão para avançar a sua vida pelas partes de merda e passar direto para as partes boas”.
O terceiro episódio de 13 Reaosons Why traz, já em seus primeiros segundos, a teoria do caos como um componente da construção da situação que levou Hannah (Katherne Langford) ao suicídio, algo que já comentamos, indiretamente, no piloto da série. Um pequeno acontecimento que gera outro e desencadeia uma bola de neve (emocional) que arrasta tudo que vê pela frente.
No lado A da fita 2, somos colocados diante de mais um “porquê”: Alex Standall (Miles Heizer). Ele quebrou a confiança de Hannah ao tentar transar com ela, algo motivado, possivelmente, por um desejo de ser como um daqueles garotos babacas aos quais começou uma amizade. Talvez, da lista de todas pessoas que são “os 13 porquês”, Alex, no momento, é o que aparenta estar mais sentindo culpa, uma vez que ele afastou Jéssica (Alisha Boe) de Hannah. Assim, notamos que a solidão, nesse tipo de caso, se transforma num vetor para a depressão e o suicídio. A cena final da piscina foi poética e simbolizou esse estado de limbo que Alex se encontra nesse momento da narrativa.
Nesse episódio, entramos mais na subtrama de Olivia Bakker (Kate Walsh), que está inquieta à procura da busca dos motivos que justifiquem a morte de sua filha. O encontro com o diretor apenas fez piorar uma situação que já estava ruim, pois, agora, Kate, no contexto de judicial, perante a escola, deixa de ser uma mãe e passa a ser alguém que deve ser enfrentada. A ida ao banheiro fez com que Olivia entendesse mais a vida de sua filha do que a conversa com o diretor. Sim, a cena das paredes dos banheiros repletas de ofensas pode parecer clichê, e é. Mas será que já paramos para pensar quais os efeitos reais desse tipo de ataque? É algo tão trivial que, às vezes, esquecemos o quanto esse tipo de manifestação ofensiva pode ser cruel.
Na sequência, há mais uma cena que gostei muito. Olivia encontra Courtney no memorial feito por alguns alunos para Hannah. A mãe pergunta se foram os amigos de sua filha que prepararam o memorial e a reposta é “sim”. Contudo, o que há mais naquele local são rosas, as flores que Hannah menos gostava. Será que deixar uma rosa para uma pessoa que nem sabíamos se gostava desse tipo de flor é realmente mostrar que estamos sensibilizados? Será que colocar um cartaz com os dizeres “suicídio não é uma opção” é a forma mais viável de ajudar alguém que está no caminho de cometimento desse ato? E será mesmo que não é uma opção?
A lista que fizeram destacando, de forma grosseira, os atributos físicos das meninas da turma colocou Hannah, ainda mais, dentro dos holofotes sexuais da escola. Esse acontecimento, agregando-se à foto publicada por Justin (Brandon Flynn), reforçaram uma imagem de promiscuidade. E aqui, temos a evidência do quanto estamos mergulhados na hipocrisia desde muito jovens. Se a adolescência é o período de explosão hormonal, é natural que se queira namorar, beijar, transar. Uns mais do que outros. Porém, aquele que atira a pedra também está do lado apedrejado, só que nem sempre em condições iguais ou semelhantes. Clay (Dylan Minnette) compreendeu a lista como um elogio, porém, sabemos que, na realidade em que a mulher é olhada e julgada pela sociedade, um comentário como o de Hannah apenas serve para objetificar o corpo feminino, reduzi-lo a um bel-prazer. O assédio na mercearia comprova esse ponto de vista. Então, “não”, não foi um elogio.
Esperava um pouco mais do lado A da fita 2, um aprofundamento maior na complexidade em algumas cenas mais específicas sobre o luto e sobre o comportamento diante de um suicídio. Porém, ainda estamos no início dos “porquês”. Muito tape ainda irá rolar. Por fim, vale refletirmos na fala de Hannah sobre a angústia do ensino médio? Será que não dá para pular essa parte e chegar logo no momento em que as coisas boas acontecem? Se desse, não estaríamos vendo essa série…
Take 1: A subtrama de Justin em nada me empolgou.
Take 2: Que trilha sonora! Escutei ontem todas as músicas, pois já estão disponíveis no Spotfy. Vale a pena conferir!















