Está na hora de darmos adeus a 13 Reasons Why, uma das séries de maior sucesso da Netflix, mesmo que esteja até o pescoço por críticas negativas pelo modo como os roteiristas lidaram com temas tão delicados. De fato, muitos podem dizer que o trabalho do showrunner Brian Yorkey não merecia tanta atenção assim, não quando a Netflix está cancelando produções como One Day at a Time e Anne with an E, mas não quero entrar nesse questionamento de se a série merecia novas temporadas ou não. A verdade é que não é fácil adaptar qualquer tipo de trabalho para uma outra mídia, principalmente quando você já ultrapassou o material original. A última temporada de Game of Thrones pode ser o mais exemplo disso. Da mesma forma que os showrunners do maior sucesso da HBO pareciam perdidos ao não ter mais livros para seguir, 13 Reasons Why mostrava dificuldade para explorar os temas da primeira temporada mesmo contando com bons personagens. Na verdade, posso dizer tranquilamente que são os atores que fazem com que a gente queira continuar investindo nessa história. Eles dão tudo de si e até conseguem fazer a história parecer melhor do que é.

Dito isso, preciso admitir que a quarta e última temporada conseguiu superar as duas anteriores. Nós começamos com uma atmosfera no estilo de Riverdale ou Pretty Little Liars, com Clay recebendo ligações misteriosas sobre a morte de Monty. O garoto começa perder a noção da realidade no momento que Winston chega à Liberty High School e você se sente inteiramente como o Clay: perdido e sem saber no que confiar. O talento de Dylan Minnette vendeu esses momentos de tensão sem nenhuma dificuldade e vejo um ótimo futuro para o ator.

No entanto, não sei se essa foi a melhor abordagem para a série. 13 Reasons Why devia ser sobre os problemas que os jovens passam e como essa idade de descobertas e crescimento pode ser difícil. Como por exemplo o arco da descoberta sexual de Alex, que o texto tratou de maneira sincera e que muitos jovens vão acabar se identificando.

Infelizmente, os roteiristas pareceram se encontrar de verdade nos momentos finais da série. É onde você sente que os traumas e os momentos de terapia são tratados da maneira que deviam, com o episódio do tiroteio fazendo a série voltar aos trilhos. Não foi preciso nenhum exemplo gráfico, apenas o sentimento de angústia dos nossos personagens em não saber se o que viam era real ou apenas uma simulação e o fato desse tipo de realidade ter se tornando comum para tantos deixa tudo mais impactante. Esse foi um dos melhores episódios da série, que ainda trouxe um diálogo honesto entre Clay, Monty e Bryce sobre quem merece ser salvo.

Só que a partir desse ponto, já estávamos na reta final. Não me entendam mal, eu quase chorei com a morte do Justin. As cenas dele com a Jessica e o Clay são de partir o coração e foram feitas com toda uma sinceridade. Ainda mais quando você lembra a jornada desses personagens. A formatura então me fez sentir como se um ciclo tivesse terminado e agora pudéssemos dizer adeus de verdade.

O problema é que a temporada toda devia ter sido assim. Não pense que estou desapontado, longe disso, mas não tem como pensar que as coisas podiam ter sido muito melhores. Pelo menos os roteiristas nos ouviram um pouco mais nessa temporada final. Até a personagem Ani senti que foi melhor trabalhada. No final ficamos como Clay e Tony. Mesmo com tantos traumas, mesmo com o sentimento de que o legado de 13RW teria sido mais memorável se a história tivesse sido concluída na primeira temporada, a vida segue.

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorRuPaul’s Drag Race All Stars 5×02: I’m in Love
Próximo artigoWarner anuncia ‘DC FanDome’, evento global online com muitas novidades
critica-entre-traumas-e-perdas-13-reasons-why-encerra-sua-jornada-de-forma-agridoceNo final ficamos como Clay e Tony. Mesmo com tantos traumas, mesmo com o sentimento de que o legado de 13RW teria sido mais memorável se a história tivesse sido concluída na primeira temporada, a vida segue.