Seguindo o final do último episódio, “The eyes of Texas” começa mostrando Lee Oswald tentando melhorar seu tempo na montagem de um rifle. Com essa cena podemos imaginar tanto que seja uma preparação para matar Kennedy, quanto algo completamente diferente.  11.22.63 continua apresentando situações suspeitas, mas que não são suficientes para afirmarmos se Oswald agiu sozinho, se conspirou com a CIA e George ou se nem mesmo participou. E é essa a sensação que os personagens ficam durante todo o episódio.

Embora Jake tenha voltado para impedir o assassinato de Kennedy e saiba do objetivo de estar em 1963, existem alguns momentos que parecem retirá-lo completamente da realidade. Em primeiro caso, deixou a missão de lado para salvar Harry e sua família e agora, encontra-se totalmente envolvido com Sadie e os problemas da amada. Embora Jake saiba que deve ser discreto e é perigoso se envolver, impedindo Bill de ajudar Marina, ele não consegue perceber que está fazendo exatamente o contrário do que diz para o “irmão”. E dessa forma, parece que subliminarmente, outros personagens alertam Jake para a grande confusão que está sendo criada.

“A discrição é a melhor parte do valor”

“É errado manter segredos de quem nos importa”

Tanto a primeira frase dita por Sr. Simmons quanto a segunda dita por Srta. Mimi poderiam ser utilizadas como conselho a Jake. Concretizando um relacionamento sério e fingindo ser quem não é, Epping não põe apenas em risco toda sua missão, como também sustenta todo seu amor em uma rede de mentiras. Assim, de uma forma ou de outra, se torna presumível a falha nesse relacionamento, como comprovado já no final do episódio. Entretanto, acredito que esse cliffhanger não gerará em nenhuma consequência séria, já que o tempo aparentemente decidiu ser tranquilo e permitir que a vida de Sadie, Bill e Marina sejam modificadas. Contudo, a sombra vista na casa de Jake pode modificar todo cenário, pois além de guiar a amada de Epping até o andar debaixo, sua silhueta aparenta ser idêntica ao do Yellow Card Man.

Voltando a Lee Oswald, George e a CIA, o episódio desenvolveu pouco sobre esse plot principal, avançando apenas na gravação em que descobrem o plano de assassinato do General Walker. Espero que no próximo, tal plano seja colocado em prática, obrigando Bill e Jake a correrem contra o tempo, pois faltam apenas 8 meses para o atentado que precisam impedir e 6 episódios para a série finalizar.

Com um episódio morno, sem maiores desenvolvimentos do plot principal e focando mais nos relacionamentos secundários e que podem impactar toda a missão (Sadie e Jake, Bill e Marina), 11.22.63 continua apresentando episódios sólidos e com uma ambientação perfeita da década de 60, pondo em pauta os valores sociais daquela época e uma reflexão em relação às diferenças ou infelizes igualdades nos dias atuais. Além disso, a série continua surpreendendo no uso de anacronismos como forma de quebrar momentos tensos e livrar Jake de momentos de apuro. Acredito e espero que após a introdução e desenvolvimento dos personagens, os próximos episódios avancem mais no plot principal e que o ex-marido de Sadie prejudique Epping nos seus planos, pois seria um furo muito grande do roteiro permitir que esse relacionamento não decorresse em consequências maiores do que uma discussão na rua.

Curiosidades:

– Jake canta uma parte da música de Beatles, porém eles só farão sucesso em 1964 e por isso Sadie não reconhece.

– A mentira contada por Jake para Srta. Mimi faz referência à história de O Poderoso Chefão.

– O segredo do ex-marido de Sadie:
Além de ter transtorno obsessivo compulsivo e um lado cruel, Johnny usa um pregador em seu pênis que o impede de ter ereções. Por ter nojo da vagina de Sadie, eles nunca tiveram uma relação sexual com penetração, recorrendo no máximo à masturbação. Entretanto, por possuir TOC, ele obrigava Sadie a lavar as mãos até ficar vermelho, pois se sentia enojado ao ver seu sêmen nas mãos da esposa.

Esse fetiche já comentado por King em uma reportagem ao Rolling Stones, ao falar sobre o estuprador Ted Bundy’s, aparentemente tem relação a uma maneira que algumas mães encontravam de impedir os filhos de se masturbarem. Colocando o prendedor nos seus filhos, as mães conseguiam misturar uma sensação de dor, prazer e problemas maternais toda vez que a mão deles tocava o órgão genital, levando-os a evitar qualquer toque ou curiosidade que envolvia práticas sexuais.

Entretanto, mais do que o segredo em si, a fala da mãe de Sadie, mostra que naquela época a mulher deveria satisfazer o marido independente de qual fosse a maneira e as reações. Ou seja, ela deveria apanhar e ser humilhada se a consequência fosse ele chegar ao prazer. Com isso, a série abre um espaço para a discussão de tabus sexuais e a submissão da mulher.

– Lee Oswald realmente tirou a foto com o rifle.

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