Com um cliffhanger relacionado à perda da memória no episódio passado, os roteiristas poderiam utilizar a trama para realizar um drama interessante, emocionante e repleto de tensão sobre a incerteza do futuro da missão, porém, em “Soldier Boy”, vimos um roteiro preguiçoso e superficial.

Depois de tantos percalços ao longo dos últimos 6 episódios, a amnésia não poderia ter acontecido em hora pior. Quando finalmente Jake descobriu (ou acha que descobriu) que Lee atuou no assassinato sozinho, sua memória foi afetada e o único que poderia ajudá-lo estava em algum lugar que ninguém além de Epping sabia. Essa conjectura possibilitava um episódio inteiro focado no lado dramático da série, fazendo os telespectadores rangerem os dentes e ficarem tensos ao ver que embora os dias se aproximem do atentado, Jake se encontra em um momento crítico beirando o desespero de não saber qual é o seu objetivo.

A falta de objetivo na vida é uma questão que afeta milhares de pessoas e pode decorrer em enfermidades psicológicas, como a depressão. Não ter sonhos, planos, metas ou um propósito para suas ações transforma tudo em algo mecânico, sem sentido, sem sentimento e sem importância. Jake não perdeu seu objetivo de vida, pois continua apaixonado por Sadie e querendo ficar com ela, porém, ele não sabe qual é o motivo de estar ali e o propósito de tudo que ele fez. Ele não consegue lembrar quem é quem, o que aconteceu com aquele que era próximo a ele e o que ele iria fazer depois de ligar para Sadie. E isso não deveria ser tratado com tamanha apatia. Essa confusão não deveria ser tratada com cenas de 2 minutos ou menos sem importância entre telas nos dizendo quantos dias pularam. E muito menos, essa situação não deveria ser tão mal interpretada quanto foi por James Franco, permanecendo com a mesma expressão todos os dias de (bosta) falta de interesse pelo que ocorreu. O ator e o personagem ficaram intragáveis durante todo o episódio, passando uma quantidade de emoção a la Kristen Stewart e deixando para Sarah Gadon/Sadie todo o peso da cena, até mesmo quando Bill suicidou e a notícia do falecimento de Mrs. Mimi veio à tona.

Essas mortes, inclusive, foram os momentos mais emocionantes do episódio, ainda que já fosse esperado que os dois tivessem um final trágico. Deixando o plot principal de lado por tantos episódios e focando nos personagens, 11.22.63 fez com que a morte de Kennedy se tornasse apenas um fato longínquo e aparentasse ser secundário a tudo que estava acontecendo. Assistindo toda semana as tentações humanas marcarem as melhores cenas dos episódios, escolher um lado entre Jake e Bill e defendê-lo quando as brigas aconteciam se tornou uma discussão maior do que a indicada em “The Rabbit Hole”. A questão proposta no início da série se perdeu e o questionamento em torno da autoria ou não de Lee Oswald no crime foi ofuscado em vários momentos pela relação entre ele, Bill e Marina.

Dessa forma, “Soldier Boy” mostrou mais uma vez que a mudança do passado pode ser fatal e que o melhor seria deixá-lo intacto, porém não há mais tempo para procrastinar e a escolha deverá ser tomada imediatamente. Embora tenhamos chegado ao dia do assassinato, fiquei com a impressão de que enrolaram bastante a história que deveria ser secundária e agora tiveram que correr com a trama em apenas um episódio para finalizar a série na semana seguinte. O penúltimo episódio de 11.22.63 deixou um gosto amargo na boca, mas com 45/50 minutos restantes ainda há esperança de que o final nos faça esquecer os poréns deixados nas últimas semanas e o nível de “Kill the Floor” volte com tudo.

Curiosidades e outros comentários:

– Não comentei do Yellow Card Man na review, pois não sei direito o que falar a respeito utilizando a visão de quem não leu o livro. Ele quase matou a Sadie, atormentou Jake todo esse tempo e agora conta uma história trágica e diz que seu objetivo é ajudá-lo? Vamos juntar o que nos foi dado até agora:

  • Por algum motivo relacionado a algo que ele fez, sua filha morreu.
  • Ele viaja no tempo, mas nunca consegue salvá-la.
  • Por sentir essa dor imensa de ver a filha morrendo e morrendo, ele decidiu impedir que outros façam o mesmo.
  • Ele só quer ajudar Jake, não deixando-o errar da mesma maneira que ele e acabar sofrendo.
  • Para isso ele quase mata pessoas que realmente vivem em 1960.
  • Ele é sobrenatural.

Se conseguirem tirar uma teoria disso dai, por favor, me avisem.

– Bill morre por culpa do Jake e ele tem a coragem de propor a Sadie que os dois desistam da missão. Chegamos a um nível de babaquice tão grande que agora podemos categorias as pessoas como, sacanas, babacas, muito babacas, Jake Epping’s.

– Não superei até agora a morte da Mrs. Mimi. Ela ia morrer alguma hora, eu sei, mas precisava ser tão rápido assim? Não me preparei o suficiente.

– Um site americano mostrou que a abertura da série vem em constante mudança desde o piloto, como exemplo, a aproximação do Yellow Card Man ao carro de Kennedy. A quem interessar, só clicar aqui.

– Diferenças livro x série

  • No livro, Jake realmente apanha devido a aposta feita e tem alguns contratempos mentais por isso, porém o livro não foca muito nessa questão e ele nunca esquece da missão, dando continuidade na busca por seu objetivo.
  • Tudo envolvendo Bill e Oswald nesse episódio não está no livro.
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