Ascensão e queda de Octavia como personagem em We Will Rise.
De uns anos pra cá, uma tendência muito interessante vem acontecendo na televisão: a ascensão das “mulheres fortes”. Depois de anos e anos de séries protagonizadas por homens (geralmente brancos), conhecidos por anti-heróis, a indústria do entretenimento começou a perceber que precisava de maior representatividade. Até certo momento, a grande maioria das séries tinha na figura feminina apenas a esposa, amante, dona de casa, etc. O que vem acontecendo de um tempo pra cá, é o aparecimento de séries protagonizadas por mulheres, que buscam quebrar os estigmas perpetuados por uma Hollywood extremamente sexista. Mas em The 100 temos um caso interessante: ainda que a série seja repleta de “mulheres fortes”, não podemos esquecer que o showrunner segue sendo um homem, Jason Rothenberg e talvez seja por isso que Octavia se tornou a personagem que vemos hoje, completamente incoerente, dando a entender Rothernberg imagina que uma mulher ferida pela perda de seu companheiro agiria dessa forma. (não podemos esquecer que não apenas uma pessoa escreve a série, tenho certeza que existe diversidade na sala de roteiristas de The 100, mas a palavra final segue sendo do showrunner).
Octavia surgiu no segundo grande “boom” de personagens femininas fortes. Ao lado de Clarke, formava uma dupla implacável, uma espécie de aliança entre inteligência estratégica e força física, coração e cérebro. E a dinâmica funcionava muito bem, mas com o tempo, e com a adição (desnecessária) de muitos novos personagens, Clarke e Octavia se distanciaram, e Octavia infelizmente não funciona mais sozinha. Depois da morte de Lincoln, Octavia anda pelas sombras, obstinada pela vingança, com sede de sangue, às vezes beirando a irracionalidade e isso cansa depois de uns dez episódios. O estranho é que Octavia sempre foi assim: aventureira, corajosa, disposta a fazer o “trabalho sujo” sozinha, como uma assassina que caminha pela neblina. Mas antes da morte de Lincoln, suas intenções eram moralmente aceitáveis (dentro do universo bagunçado de The 100, onde as regras são muito frágeis). Entendo que existe uma linha invisível entre uma personagem buscando vingança e se tornando uma força maléfica, algumas séries não conseguem balancear essa dinâmica, The 100 é uma delas. No caso de Ilian, o homem responsável por colocar fogo na arca, Octavia pede para que lhe concedam sua morte, mas é incapaz de finalizar o ato. Talvez The 100 busque a redenção de mais uma personagem, como vem fazendo por quatro temporadas: o personagem comete um ato “imperdoável”, e passa o resto da série tentando se redimir e sentindo culpa pelo que fez, tentando afirmar que foi para um bem maior.

Longe do arco de Octavia, temos The 100 voltando às suas origens, trabalhando com “missões diárias”. Essa é uma das características que mais gosto na série: um problema é apresentado, é preciso ir do ponto A ao ponto B, e no meio do caminho existirão desafios. É um artifício narrativo simples, mas funciona muito bem porque o universo de The 100 é enorme, misterioso, beirando o místico. Cada tribo tem suas características próprias, existem inúmeras ameaças e ver como os personagens resolvem pequenos problemas acaba fazendo com que os conheçamos de uma maneira natural e muito eficiente. No caso do transporte do combustível (que por incrível que pareça não queimou com a Arca, que também não queimou totalmente!!!), temos a união do grande arco narrativo (sintetizar o nightblood) com um arco que começa e acaba no mesmo episódio (transportar o combustível pelas florestas). Esse tipo de artifício leva a contato com outras tribos, cenas de ação interessantes, reviravoltas divertidas, coisa que The 100 sempre teve competência em fazer.

E o melhor de tudo, é quando esses pequenos planos não funcionam. Depois de toda a jornada, com empecilhos naturais (um rio descongelado), sociais (uma barricada do Trikru) e internos (a traição dos guardas de Roan), um barril foi atingido por uma flecha, e o restante do combustível é insuficiente para levar a nave ao espaço e depois trazê-la à terra. Sem contar com Raven, que é uma grande incógnita. Estamos no meio da temporada, a personagem parece ser a única capaz de voar a nave, a série vem investindo bastante na narrativa de sintetização do nightblood, e talvez tudo que fizeram até agora tenha sido em vão, por conta da convulsão de Raven, que parece estar em péssimo estado de saúde. Em uma série onde reviravoltas são constantes, não consigo identificar o caminho que tomarão, espero que os roteiristas já tenham identificado e não estejam apenas escrevendo no freestyle.
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Outras observações em We Will Rise:
Gosto de Kane como referência ética e moral da série. Queria mais tempo de tela para o personagem.
O Skaikru se julga superior aos povos da terra, mas agem como animais na maior parte do tempo.
Qual é o lance com Jaha e Jasper? Sempre pelos cantos observando o mundo acabar.
Achei inacreditável a arca não ter sido completamente destruída. Estava esperando o Skaikru vagando pelo mundo, mas talvez o orçamento da série não permitiria novas locações.
É legal ver a série abordando a sexualidade de Clarke sem dar grande importância, tornando tudo mais natural.













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