O corte do cordão umbilical que unia a franquia cinematográfica à série de TV.
Gostaria de começar essa review, anunciando que daqui pra frente eu, Igor Hufnagel, irei assumir as críticas de Ash vs. Evil Dead, e já de imediato confesso, não poderia estar mais feliz. Como fã da trilogia, do remake e agora da série de TV, espero encontrar outros como eu para que nossas discussões sejam regadas à referências, risadas, muito gore e que a nossa viagem seja tão prazerosa e maluca como a de Ash para Jacksonville.
Ash vs. Evil Dead foi um série criada para não ser levada a sério, o tom canastrão, o personagem principal, o gore e a loucura, foram elementos que estiveram presentes em todos os episódios até aqui, e foram eles que trouxeram nós fãs, de volta à ativa. Em Books from Beyond não foi diferente, porém o terreno aqui é outro, pois uma série precisa criar sua própria mitologia e se apoiar nela para poder se desenvolver, e com um tom mais sombrio, o demônio Eligos é inserido a história. Eu não me lembro de ver um deadite se materializar daquela forma em toda trilogia, e não sei se gostei muito não. Sabemos que os deadites estão vagando pelo mundo afora, mas é muito mais legal assistir a possessão de pessoas, com aquela tensão do – é um demônio ou não é (vide mãe da Kelly). Aplaudo Sam Raimi pela coragem de se distanciar um pouco dos filmes para explorar uma mitologia própria sem perder sua essência principal.
Reunidos na loja de livros, Ash, sua gangue e a policial Amanda, tentam desfazer a invocação dos deadites, e a maneira mais inteligente que eles encontram é: invocar um demônio, mais cruel – aparentemente inofensivo, pois no livro parecia uma bebê demônio – para ajudar. O curador não sabia como mandar o demônio de volta, deixaram o bicho escapar e tentaram arrancar informações sem oferecer algo em troca. Poxa Ash, você sempre foi um bobão, mas já foi mais inteligente. Mas não importa, os melhores momentos vieram desse plot.
Pablo e Kelly são dois personagens que se complementam, um com a personalidade fanfarrona e amedrontada e o outro com um desejo de vingança e um ar mais badass, dão ritmo necessário a trama e são ótimas companhias para Ash. Sem eles, nesse episódio, Ash não estaria vivo e o demônio não teria sido mandado embora (ou quase).
Sobre a policial Amanda Fisher, anda despertando meu ódio, por presenciar a morte do seu parceiro, ver novamente aquilo tudo acontecer de novo e ainda insistir em bancar a certinha, quase se dando mal. Faça um favor e perca logo essa mão bichada, e quem sabe assim role um pouco mais de empatia entre você, o público e o nosso protagonista. Já Lucy Lawless, AKA Xena, mas aqui Ruby, deu as caras e começou a colocar as garras de fora.
Sendo o divisor de águas, Books from Beyond soube dosar muito bem os elementos presentes nos filmes para inserir um pouco mais da mitologia que a série se apoiará a partir de agora, e preparou um sólido terreno para tudo que veremos a seguir.
Brujo, outro contraponto, dá um show de diversão e coloca o nonsense da série em um high level, se é que vocês me entendem. Não esperava ver tanto flashbacks dos filmes, não esperava que Jacksonville fosse o lugar dos sonhos do Ash e muito menos que seu lagarto iria se tornar a sua consciência (Pinóquio?). Sam Raimi é um gênio e Bruce Campbell é mestre em dominar textos afiados e interpretação descompromissada e canastrona, e novamente só me resta aplaudir a tamanha canastrice do roteiro.
De fato, o episódio não teve muita coisa relevante, já que mais da metade dele, passou-se dentro da mente inconsciente e inconsequente de Ash. A parte mais interessante ficou por conta de Ruby e Amanda, que se tornaram parceiras e agora tem o mesmo inimigo em comum, ainda com a motivação da primeira sendo revelada.
Possuída a la Supernatural pelo Eligos, Kelly andou tentando matar Ash através da manipulação de sua mente. Não sei até quando esse plot vai se estender, mas está se tornando interessante, já que ninguém sabe que ela está possuída. Pablo parece estar criando um tipo de mão robótica para Ash, mas não vejo a hora da reunião entre ele e sua mão possuída. Será que vai rolar acerto de contas?
Por fim, Ash vs. Evil Dead nos apresentou dois episódios capazes de mexer com o emocional de qualquer fã: um se apoia em novas histórias e mitologias, enquanto o outro se apoia nas referências e na metalinguagem. Se a mistura dessas duas receitas darão certo, só o tempo dirá, mas eu já fui fisgado e não largo por nada.
NOTES FROM BEYOND
– Ruby é a segunda filha do Professor Raymond Knowby – que leu e gravou a leitura do necronomicon em Evil Dead – e Henrietta Knowby, presente no segundo filme da franquia. Ela busca vingança pela morte da família, pois acredita que Ash foi responsável por tudo. Teoricamente nada disso foi culpa do Ash, já que seu pai era detentor do livro e liberou o mal que destruiu a família inteira.
– A mão possuída de Ash, responsável pela morte de Annie Knowby, em Evil Dead II está agora sobre os cuidados da irmã Ruby.
– Annie Knowby volta a vida, possuída por um deadite, e se torna o chefão de um jogo de Playstation.
– “Whoa I’ve got two hands! Brujo, I need two beers!”
– Fiquei impressionado com o rating da série no IMDB, e isso tudo se deve ao bom trabalho de Sam Raimi e Bruce Campbell, e a devoção de nós fãs. Que continuem nos entretendo com qualidade por muito tempo. Palmas, pela terceira vez.
– Sobre a trilha sonora, impecável.
Desculpem a review um pouco extensa, é que cheguei bem empolgado e já com dois episódios em mãos, mas prometo escrever menos da próxima vez. Espero que tenham gostado, comentem bastante e até o próximo episódio.













![Os Melhores Episódios de 2018 | Primeiro Semestre [20-11]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2019/01/TOP-100-Primeiro-SemestreVitrine_4-218x150.jpg)

