A segunda temporada de The Handmaid’s Tale recebeu 20 indicações para o Emmy 2018. Entre elas, Yvonne Strahovski, que nomeada pela primeira vez, está na corrida pela estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante pela interpretação de Serena Joy, uma inteligente ex-escritora e ativista cultural religiosa, que aceita abdicar de tudo para se tornar a submissa esposa do Comandante Fred Waterford na República de Gilead, a cruel sociedade que ela ajudou criar em nome do grande sonho de ser mãe.

Em entrevista ao Harpers Bazaar, Yvonne Strahovski revelou alguns segredos sobre a segunda temporada de THT.

***ALERTA: este texto contém spoilers da segunda temporada

Yvonne Strahovski

“Nunca confunda a mansidão de uma mulher com fraqueza”, citação do fictício livro A Woman’s Place escrito por Serena Joy.

Ainda que Serena seja um personagem por vezes odiada, foi impossível não ter empatia e sofrer junto em diversas cenas desta segunda temporada. A exemplo do episódio 8, onde ela é submetida a humilhante surra de cinto por desobedecer ao marido. Yvonne contou que durante as filmagens da cena, era visível a mistura de horror e desgosto de toda a equipe.

“A razão pela qual é tão chocante, é que isso está acontecendo com uma mulher que está no topo da cadeia alimentar, e isso mostra que ninguém está seguro. Esse é realmente o período de transição para Serena, o seu sistema de crença moral agora está dividido”.

Outra forte cena desta temporada, foi ao ar no episódio 10, onde Serena compactua do estupro de June, personagem vivido por Elisabeth Moss, na tentativa de acelerar o nascimento do bebê que ela carrega.

“Isso foi realmente difícil. Foi uma das cenas mais poderosas que filmamos. Acho que Serena está completamente farta. E todas essas frustrações de ser infértil, não ser capaz de ter um filho, ter que ter uma criada… a levam a esse momento que talvez não tenha pensado muito bem”.

Yvonne falou do ainda do desagradável e confuso sentimento de ter que defender a sua personagem. Pois, ao mesmo tempo que é capaz de compreendê-la, sabe o quanto as suas atitudes são indignas.

“É sempre uma posição muito estranha para se estar, ser o ator que está justificando esses tipos de atitudes do personagem… você meio que se sente sujo depois. Como atriz, devo justificar e compreender verdadeiramente Serena e por que ela faz essas coisas, ao mesmo tempo em que a desprezo completamente e compartilho o sentimento do público em relação a ela”.

Contudo, nem só de mesquinhez vive a ex-escritora. Em um momento de sensatez, estimulado por June, a Sra. Waterford sugeriu mudanças em Gilead e desafiou o alto comando ao ler a bíblia. O que lhe rendeu uma severa punição com aval do seu marido. A atriz revelou que não sabia que perderia um dedo e explicou a importância daquela atitude tomada por sua personagem.

“Embora tenha esperanças, Serena deve saber que provavelmente nenhum outro homem ali a ouvirá. É mais sobre o fato que ela precisa fazer isso para viver bem com ela mesma. Faz parte de todo esse arco de Serena aprender o que é ser uma boa mãe que se sacrifica por seu filho. Então ela faz um movimento ousado ao ler, sabendo que provavelmente será punida, porque o marido já lhe virou as costas antes. E agora sabe que Fred não fará nada ao seu alcance para salvar uma criança. Ele escolherá poder e posição todas as vezes”.

Não só pelas cenas de crueldade, mas também foi por estes rompantes de humanidade muito bem interpretados, que a personagem de Strahovski ganhou destaque nesta temporada. Na segunda tentativa de salvar outro bebê, Serena emocionou ao renunciar a “sua” filha no episódio final da temporada.

“Foi intenso, e foi muito comovente ler isso no roteiro. É o último sacrifício que Serena poderia fazer, desistindo da coisa que ela queria o tempo todo, mas é esse o momento crucial de finalmente ter aprendido o que ser mãe significa. Ela realmente chega a esse entendimento de que Gilead não é o melhor para a criança, e ela deve agir de acordo. É devastador e bonito ao mesmo tempo”.

Ainda em entrevista ao Harpers Bazaar, a atriz conta que até o momento não sabe nada sobre o que irá acontecer na terceira temporada, mas palpita sobre o destino de Serena e qual caminho gostaria de vê-la seguir.

“No final, essa foi realmente a única coisa que a levou à Gilead: a esperança ter o seu próprio filho. Agora que isso acabou, não sei onde Serena vai. Mas gostei deste desmoronamento e na terceira temporada espero vê-la desmoronar de várias maneiras enquanto tenta lutar com o seu conjunto original de crenças morais. Se ela finalmente chegou à conclusão de que Gilead não era exatamente o melhor lugar para alguém, como uma pessoa que arquitetou tudo isso, você teria tanta culpa e teria que lidar com tantos sentimentos. Seria interessante vê-la tentar se redimir, talvez não tenha sucesso, mas continue tentando mesmo assim”.

Sucesso de crítica, o primeiro ano de exibição rendeu à The Handmaid’s Tale diversas indicações e prêmios, e a cena final da primeira temporada trouxe ao público a esperança de uma continuação menos degradante e com reviravoltas positivas para os mocinhos. O que não aconteceu. A segunda temporada retornou repleta de dor, humilhação, tortura física e psicológica, gerando alguns comentários negativos dos fãs que apelidou a série de “pornô da tortura”. Quanto a isso Yvonne questiona enquanto sorri: “Nós fomos longe demais em The Handmaid’s Tale?”

O último episódio da segunda temporada de THT foi ao ar nos Estados Unidos dia 11 de julho pelo serviço de streaming Hulu. No Brasil, a série é exibida pela Paramount Channel que estreará a segunda temporada ainda este ano em data a ser anunciada.

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 A cerimônia do Emmy acontece no dia 17 de setembro, com transmissão exclusiva do canal TNT e contará com comentários ao vivo de Michel Arouca.

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