Quando Deus Salve o Rei começou a ser anunciada, no final do ano passado, as expectativas sobre a investida medieval da Globo eram muitas. Histórias que fogem dos métodos habituais (trama urbana – trama de época) são raras e sempre excitam o espectador. A proposta era interessante, o tratamento artístico era ambicioso e o saldo do que representou a passagem da novela será assunto de um texto futuro. Agora é hora de falar sobre O Tempo Não Para, a próxima investida do horário, que também tentará explorar novos métodos dramatúrgicos e flertará com a ficção científica de um modo que as produções da casa nunca tinham feito antes.
O evento de lançamento de O Tempo Não Para aconteceu no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro¸ como a síntese perfeita do que a trama vai nos mostrar: uma família inteira do século XIX (incluindo seus escravos), passa por um naufrágio e acaba congelada num grande iceberg, que 132 anos depois é encontrado no Guarujá, em São Paulo. Descongelados, a família precisa enfrentar as diferenças entre o século XIX e o ano de 2018, num constante choque cultural que promete ser o grande atrativo da trama. A premissa é muito específica e lembra os argumentos seriados que pipocam nos pilotos americanos todos os anos.

Escrita por Mario Teixeira e com direção artística de Leonardo Nogueira, O Tempo Não Para é defendida pelo autor como “uma comédia romântica” e como uma “crônica de comportamento”. Palavras como “leveza” e “humor” foram usadas por praticamente todos os atores presentes no lançamento. Mas, tanto autor quanto diretor sublinharam o caráter sagaz com o qual a trama foi construída: “Estamos falando de observação, de como lançaremos luzes sobre coisas óbvias, porque o olhar dos congelados será uma voz audível que diz tudo que muitos de nós pensamos”, disse Mário. O núcleo do passado foi pensado para ter seus equivalentes do presente, numa dinâmica que vai, provavelmente, considerar questões feministas, raciais e hierárquicas. É uma iniciativa extremamente interessante, em que até a gramática pode servir como ponto de exploração narrativa.
Frozen
O elenco de O Tempo Não Para foi dividido pela direção artística premeditadamente. “Tivemos o cuidado de não misturar os núcleos durante a preparação. Então, o elenco do passado só se encontrou com o elenco do presente quando as gravações começaram”, contou Leonardo Nogueira. A novela, então, tem uma organização bem marcada nesse sentido:
Os Congelados
O elenco congelado é encabeçado por Edson Celulari, que vive o patriarca Dom Sabino. Ele é íntegro, trata os escravos com respeito e vai se encantar com parte da autonomia moderna, principalmente ao observar a personagem de Christiane Torloni. Contudo, o clipe com as primeiras sequências da novela (exibido na festa) mostrou a grande ênfase em Marocas, a personagem de Juliana Paiva, que é filha de Dom Sabino e que por conta de um acidente vai se descolar do iceberg onde foi congelada com a família e ser encontrada sozinha por Samuca. O elenco congelado ainda tem Chris Viana, Kiko Mascarenhas, Olivia Araújo, entre outros. Até o cachorro da família será congelado junto com ela.
Os Contemporâneos
O núcleo contemporâneo é bem grande e bifurcado em duas partes. A primeira está em volta da SamVita, uma empresa agrícola e que preza pela sustentabilidade. A empresa foi criada por Samuca (Nicolas Prattes) e quando ela for mostrada vai lembrar as empresas do Silicon Valley, com uma rotina de trabalho muito leve e livre. Cleo Pires ficou com o papel da noiva de Samuca e que vai ser a rival de Marocas depois que ela for encontrada por ele e os dois se apaixonarem. Cada um em sua época, Samuca e Marocas lutam pela melhoria social como um todo. Nomes como Milton Gonçalves, Carol Castro, Solange Couto e Ricardo Duque compõem um braço do núcleo que se passa na Freguesia do Ó.
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A criogenia será discutida quando os congelados forem encontrados e a figura de Eva Wilma vai comandar esse subnúcleo. Luiz Fernando Guimarães foi anunciado como o grande vilão, que vê a chegada dos congelados como sinal de que a eternidade pode ser alcançada. Ele tentará a vida eterna a qualquer custo, enquanto Zelda, personagem de Adriane Galisteu, fará de tudo para tirar sua grife do buraco. Adriane foi intensamente assediada na festa de lançamento e depois de muito tempo pairando sem destino midiático, fez teste e acabou aprovada para integrar o elenco da novela. Ela já esteve em Xica da Silva, anos atrás; e na Globo fez um episódio do Sai de Baixo. Há muita expectativa sobre o trabalho que ela – que tem muita experiência de teatro – mostrará na novela. “Minha segunda peça foi sendo dirigida pelo Paulo Autran e ele me fez prometer que nunca pararia de fazer teatro. Então eu faço, um ano sim e outro não; ou a cada dois anos. Isso vai me ajudar muito nesse novo desafio” disse ela.
Sleeping Cold Beauty
A linda festa de lançamento ocorrida no Museu se encerrou com a exibição de um clipe longo com as primeiras sequências (disponível logo abaixo) e nelas é bem perceptível que o humor e o romance serão o foco central da história. O naufrágio referencia o Titanic, a moderníssima trilha sonora cheia de rock pop e as discrepâncias comportamentais reforçaram que a intenção da novela é divertir. Então, nada de esperar discussões profundas. O romance entre a congelada e o jovem empresário costurará tudo e a grande expectativa é que O Tempo Não Para consiga ser melhor sucedida que Deus Salve o Rei na tarefa de ser mais que um conceito à deriva de uma execução. A partir do momento que a premissa se perca, a novela perde identidade e passar a ser só mais uma, com os recursos de sempre, com as recorrências de sempre.
Dia 31 de Julho já vamos poder começar a conferir como será essa nova experiência. E a crítica do capítulo de estreia já está prometida. Enquanto isso, o próprio Edson Celulari tem um convite especial pra galera que acompanha o SM.




















