Chegamos ao ponto de virada da série, devo admitir desde já que não esperava que fosse da forma como foi, o que apenas eleva o nível da narrativa de uma forma positiva, porém trágica.
Existem duas narrativas importantes chegando ao seu ápice neste episódio, começarei falando da que acredito ser a menos impactante em relação a outra que muda toda a dinâmica dos Lyons. A descoberta da traição de Steven não poderia ter sido melhor, dolorosa, mas muito bem interpretada, Celeste aguentou por mais de um ano o fardo de saber sobre o caso de seu marido sem contar para ninguém. A série consegue construir momentos de tensão que explodem em um apogeu de drama de uma maneira exemplar, desde Muriel apoiando Celeste pela primeira vez e dizendo que Stephen deveria sair da casa. Como eu havia dito antes, Stephen era o mais parecido com seu pai e isto fica evidente com a fala de Muriel sobre o quão decepcionada ela estava em descobrir que ele era filho do pai dele, o que afeta Stephen, ainda mais quando a vó cita a mãe dos Lyons. Outro momento muito bem feito e colocado no roteiro foi quando Bethany pergunta qual era a cor de Elaine.
Agora Viktor e Daniel, sempre achei que o final seria diferente, imaginei que o ucraniano eventualmente morreria e Daniel tomaria sua vida para lutar contra Vivienne Rook ou que os dois eventualmente teriam paz, o que com certeza não foi o que aconteceu. A morte de Daniel foi tão fora de qualquer situação que eu pudesse imaginar, o roteirista conseguiu representar tantas situações que devem ocorrer constantemente com refugiados, o desespero não só de Viktor, mas de Daniel. Infelizmente Russell acaba ofuscando o Maxim em quesito de atuação. A cena final do episódio foi a primeira vez que eu realmente vi Maxim no mesmo nível de atuação que os outros atores da série.
A morte de Daniel, da forma que aconteceu depois de tudo que ele fez para conseguir um lugar seguro para Viktor foi extremamente necessária para apontar como refugiados são tratados, como toda a situação tende a piorar, o fato de ter sido Daniel e não Viktor quem morreu foi o que mais chamou atenção, a luta do personagem não era só para poder ser feliz com Viktor, mas para dar ao noivo uma chance de ter uma vida digna, uma vida que ele tinha de uma forma tão simples, Daniel entendia seu privilégio, coisa que sua irmã não entendia, as constantes piadas feitas por Rosie irritam propositalmente para isso, o que para os Lyons é algo natural, como o poder de ser quem eles querem ser, para pessoas que nascem nas condições de Viktor não é.
O ponto de encontro entre os Lyons e Vivienne Rook é marcado neste momento, se pararmos para analisar a série até então, o que faz com que a narrativa se desenvolva e se renove de alguma forma é a situação política em que o mundo se encontra, este episódio é uma reação direta deste mundo caótico que acompanhamos na série e que vivemos pessoalmente, ao juntar uma personalidade polêmica com tanto poder envolvido como Vivienne Rook temos a prova disso.
Quando o episódio acabou não consegui acreditar por alguns minutos que realmente tenham feito isto, desde o momento em que vemos que Daniel está morto até Viktor chegar em casa, ligar para os Lyons e dizer que Daniel fez tudo para que ele voltasse para casa e logo em seguida diz: Eu estou em casa? Existe um debate evidente sobre culpa e responsabilidade na morte de Daniel, seja para Viktor ou para Edith, o que acontece é que Daniel sabia dos riscos e ele faria de tudo por Viktor, não só pelo seu amor, mas pelos seus princípios.
> LA CASA DE PAPEL 3 – Menos Novela e Mais Ação!
Years and Years ultrapassa a metade de sua curta e única temporada mostrando exatamente para que foi feita, seu objetivo de causar uma reflexão, para que percebamos não só nosso impacto no consumo de tecnologia como abordado em episódios anteriores, mas também pelas decisões políticas feitas no mundo e como isso afeta diretamente a existência das pessoas que não possuem o privilégio de serem isentas às consequências das escolhas de governantes egoístas.
Obs:
– Foi bom ver Edith protegendo Rosie de Jonjo e alertando seu cunhado sobre as responsabilidades que ele tinha ao entrar numa família como aquela e ver Rosie com seu próprio negócio também foi gratificante, mas não muito impactante para o resto do episódio;
– Fico triste de pensar que a última conversa que Daniel teve com seus irmãos foi tão casual, mesmo com Edith preocupada, é triste saber que nunca mais teriam aquelas ligações ou jantares como antes.















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