The Damned reforça o caminho de péssimas decisões dramatúrgicas de The Walking Dead.
Primeiro é preciso esclarecer uma coisa: não sou fã de filmes de guerra. Esse pode ser sim um fator importante na hora de julgar o meu envolvimento com esse lamentável episódio dois da oitava temporada da série. A razão pela qual detesto filmes de guerra é porque geralmente os diretores entendem “ação” como “tiroteio” e sou obrigado a ficar um tempão ouvindo tiros sendo disparados a esmo. Há uma ou outra exceção, claro… Spielberg, por exemplo, criou uma pequena obra-prima já na sequência inicial do ótimo O Resgate do Soldado Ryan. A razão pela qual aquela longa sequência de batalha não incomoda é que o roteiro e a direção sabem como arrancar catarse de todos os detalhes que conduzem a ação. Em The Walking Dead é como se ninguém soubesse direito onde quer ir.
É muito estranho… Fico pensando em como as decisões foram tomadas na hora de colocar essa guerra em prática. Trata-se de um evento grande, cheio de desdobramentos e ramificações, mas que representam um todo e que tem um único objetivo: exterminar o poder entre os Salvadores. Por tratar-se de uma operação grande, faz sentido que os personagens se dividam em muitos núcleos e que os roteiros queiram acompanhá-los por onde eles precisem estar. Nesse tipo de dramaturgia a atenção é importante justamente porque a fragmentação de histórias exige uma edição mais dinâmica. E nós sabemos que a última coisa que The Walking Dead tem é dinamismo.

O maior demônio que ronda essa série é sua necessidade de ser “profunda”. Junte isso a essa necessidade maluca de adiar conclusões e está preparado um episódio-fraude do show. A tal guerra começou na finale passada, já estamos no episódio 2 e a trama se esfarelou tanto, que não há nenhuma tensão realmente estabelecida pelos acontecimentos. The Damned, por exemplo, é um episódio onde Negan, o arquinimigo, nem aparece. A cronologia é desorganizada, os lados não são claros, todo mundo anda e anda, não chega e parece perdido na floresta, atirando e caminhando sem direção. Pegaram uma guerra, uma virada importantíssima; e estão masturbando drama estilístico até um ponto em que tudo perde o poder de atração.
Condenados
Os problemas desse episódio são tão graves que não dá nem pra desvendar uma storyline. Os núcleos estão tão frouxos que virou uma missão impossível contornar os objetivos de cada um deles. Enquanto Rick e Daryl vão atrás de Negan – ao que parece – Carol e Ezequiel lideram um grupo que tá na floresta. Aroon também está em outro ponto, dando tiros e vendo seu amado ser ferido. Aliás, tiros são o que mais acontece desde a semana passada. A munição era um problema e precisava ser racionada. Agora não precisa mais. Pela quantidade dada de tiros, uma horda de walkers do tamanho de Manhattan já devia ter encontrado o grupo. E Morgan tá de um outro lado, nesse vai e vem insuportável de uma hora mata e outra hora não, Jesus e Tara fazendo uma sequência inútil do outro e a vida segue nesse ritmo enfadonho.
Nada, absolutamente nada. Não há nada que torne The Damned um episódio relevante ou interessante. Referências constantes a outros episódios não são suficientes para um salvamento e muito menos um cliffhanger maroto, tirado da gaveta empoirada. Morales tá há tanto tempo fora do show que precisei recorrer ao google para lembrar quem ele era. E não era nada demais, isso é claro, visto que o personagem não seria relevante nem se pudesse entrar no clube pra testar a teoria. Esse retorno pode até ter sido planejado, mas soa estúpido e desesperado.
Enfim, aqueles closes dramáticos nos rostos dos personagens, os detalhes superestimados acerca de passagens do passado de alguns deles, as pistas apáticas de um “futuro sensacional” que nunca é tão sensacional assim… Chega a ser perturbador que essa equipe de criação ainda julgue necessário adiar confrontos dessa maneira tão descarada. No fim das contas, todos nós já sabemos o que vai acontecer: eles lutam, personagens importantes morrem, tudo se assenta até que uma nova comunidade apareça e o ciclo continua… Triste ter que admitir, mas os grande condenados dessa história toda somos nós, que reconhecemos essa fórmula quase satânica e somos incapazes de sair do lugar.
Right Bite: Os walkers sem pele são o tal prenúncio dos sussurradores.
Wrong Bite: O texto continua capenga e constrangedor. As falas de Ezequiel então, são enervantes.
> STRANGER THINGS 2 – Veredito
Random Bite: Querem saber a única cena que me fez acordar? O pessoal que virou zumbi depois de morrer no tiroteio. Que falta disso…















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