O melhor spin-off de The Walking Dead até então acabou sua primeira (e possivelmente última) temporada e deixou uma sensação agridoce para quem acompanhou. Não tenho a intenção de fazer um resumo dos outros episódios, mas é fato que depois de um primeiro episódio muito animador, criamos expectativas bem altas para o futuro deste curto spin-off e sua conclusão com The Last Time, nos lembrou que essa história era realmente um tiro curto e não a sonhada expansão do universo que esperávamos por enquanto.

Dando a césar o que é de césar, os roteiristas nos prometeram uma “história de amor” sobre Rick e Michonne e foi, de fato, isto que eles entregaram. Porém, este final deixou para mim, a sensação de que alguns outros personagens poderiam ter sido bem melhor aproveitados, começando obviamente pelo Major General Beale, que além de contar com o ótimo ator Terry O’Quinn, ainda possuía um background gigantesco para ser explorado e merecia ao menos um episódio focado no seu passado (como todos os vilões da franquia tiveram) e na construção do CRM como um todo (algo que nem World Beyond fez). Achei um desperdício enorme, com a ressalva de ter gostado de toda a cena da morte do General.

Beale, que era para ser o vilão principal de todo o universo, acabou sendo reduzido a pouquíssimas falas, e personagens como Jadis e Thorne assumiram a maior parte do antagonismo. Por falar em Thorne, fiquei me perguntando até o final de qual lado a personagem iria ficar, e achei bacana a série trazer essa sensação, de que tudo poderia acontecer. No final, eu achei coerente ela ter ficado do lado dos militares e que a lavagem cerebral dos mesmos, assim como com Jadis, havia funcionado na frontliner Sul-africana.

Em relação aos reencontros, tão esperados, eu achei que ficou à altura do que os fãs aguardavam. Mesmo que a cena em si tenha sido meio pastelão, clichê de filme, valeu a pena e foi emocionante ter visto o reencontro da família Grimes. Obviamente, muitos fãs como eu, ansiavam mais por reencontros diferentes, de Rick com Daryl, Negan, entre alguns outros; porém, acho que os roteiristas estão guardando isso a sete-chaves e como já dito pelo próprio Scott Gimple, possuem a pretensão de fazer uma reunião de todos os sobreviventes no futuro (num novo spin-off talvez) no estilo Vingadores.

Sobre o final em si, achei que todo o conflito com o CRM se resolveu de uma forma muito simples e com nenhuma resistência do lado dos militares, o que soou bastante forçado. O casal foi lá, plantou uma bomba e acabou com tudo, achei meio preguiçoso. E essa resolução meio “filme baixa renda” com alguns clichês clássicos no final, como o protagonista ficar encurralado, à beira da morte (sabemos que não morreria), o reencontro família feliz etc, mostram o porquê a intenção inicial da AMC era fazer uma trilogia de filmes finalizando a história de Rick. Assistindo a este final, fiquei com muita sensação de que o roteiro dos filmes foi simplesmente adaptado para se transformar numa série e não era exatamente o que eu esperava.

Em relação a “brecha para continuação” que foi tão comentada nas últimas semanas, eu acho que existe e existiria de qualquer forma, $e é que me entendem. O arco do CRM está longe de ter sido concluído e ainda existem personagens como Elizabeth Kublek como potencial problema para o futuro. Se vier existir uma segunda temporada de The Ones Who Live, espero que seja logo com uma reunião dos sobreviventes, para lutarem de forma definitiva contra o resto do CRM e não mais uma temporada com apenas Rick e Michonne (com os filhos) tentando destruir ou tomar a república cívica sozinhos, além de ser um desperdício de roteiro, seria uma burrice forçada dos personagens em não procurar o resto do seu grupo para ajudar no conflito.

Mas é aquilo, da AMC tudo pode se esperar, então não botarei a mão no fogo para dizer o que vem pela frente. Este ano ainda tem a segunda temporada da série de Daryl e Carol (além da terceira também já estar confirmada) e veremos ainda a segunda também de Dead City. Quem sabe nós não nos encontremos aqui também futuramente para mais reviews do universo. Até logo…

Rodapé do João:

– Brutalidade extrema na cena de Rick matando o Frontliner que o aborda, forte até para The Walking Dead;
– Aliás, porque deixar o braço mecânico para trás, Rick? Vai fazer muita falta.
– Atuação de Terry O’Quinn nos poucos minutos de tela que teve, mostra o quão desperdiçado foi o cachê do ator;
– Falando em atuações, o ator mirim de RJ (Antony Azor) comprometeu um pouco a experiência do reencontro, principalmente contrastando com a ótima Cailey Fleming, que interpreta Judith.

REVISÃO GERAL
Nota:
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