Em Something They Need a gente tem tudo, menos o que precisamos mesmo.
Além de tudo que já é sintomático em The Walking Dead, começamos a nos deparar com outro aspecto complicado do show de uns anos para cá: a forma como os walkers passaram a ser tratados como uma simples muleta de “ação”. Na época em que o maravilhoso Frank Darabont saiu da produção executiva do show, em uma de suas entrevistas ele disse que se interessava muito pelas muitas maneiras de se falar sobre os walkers na mitologia. Para ele, saber que aquelas pessoas tinham um passado, tinham sido amadas e tinham uma vida era muito sedutor e traçava paralelos interessantes com quem ainda estava “vivo”. Considerando os rumos a que fomos entregues, talvez essa hipótese tivesse fortalecido melhor a estrutura da série.
Sempre digo que minha produção sobre zumbis preferida é In the Flesh, a curta série de um canal britânico que não se focava em sobreviventes e sim nas próprias criaturas. Na trama, o governo descobre uma “vacina” que reverte o processo de inconsciência e embora eles continuem clinicamente mortos, seus cérebros recuperam quem eles eram antes de serem infectados. Imaginem então a avalanche moral que isso provoca em quem de repente toma consciência do tempo morto, de quando devorava cérebros… Era uma premissa fascinante.
The Walking Dead entregou seus “walkers” (chamados assim porque não necessariamente representam a mitologia clássica dos zumbis) a uma posição de apoio. Já faz bastante tempo que eles são apenas um recurso que “salva” os episódios do marasmo. E isso é sublinhado de maneira claríssima. Something They Need, por exemplo, é um desses episódios em que o teaser já anuncia que uma horda vai chegar em determinado momento para dar trabalho aos personagens. Contudo, essas criaturas já foram tão entregues à desimportância, que se a série substituísse zumbis por piratas daria no mesmo.
Something They Don’t Need
Por que estou falando sobre isso? Porque no inútil plot em que Sasha fica prisioneira dos Salvadores, tivemos um momento em que o roteiro usou a premissa dos walkers de alguma forma menos retardatária. É claro que ficar de “prisioneiro” dos Salvadores já é um recurso esgotado dentro dessa mesma temporada. Tivemos Carl, Daryl, Eugene e agora Sasha. Prender alguém e colocar um morto do lado para que o tempo de transformação se torne uma tensão também já é batido. Mas, temos aqui um sopro de como a série deveria tomar mais partido do fato de que existe uma espécie de “magia negra” estabelecida no mundo e que gente morta retorna para devorar gente viva. Contudo, essas pessoas “mortas” que andam já foram efetivamente pessoas. Por que perdemos contato com isso?
Existe um elogio espremido aí no meio dessa colocação e ele reside naquilo que faz com que nosso coração se volte para a série: o fato de que ela tem zumbis. Toda a sequência com a horda náufraga eu achei tosca e desinteressante, mas aquele pequeno momento em que Sasha observa o homem morto ao seu lado e ele abre os olhos brancos mexeu comigo. A personagem está claramente seguindo para o caminho da morte e estão enchendo-a de cenas filosóficas que pretendem sublinhar o talento da atriz, outro recurso clássico de The Walking Dead. Fórmulas e mais fórmulas das quais a série não se livra.

Estruturalmente falando essa reta final está uma bagunça… A falta de talento desses roteiristas para promover convergências é colossal. Pelo menos a ideia de Rick chegando para perturbar a paz alheia foi mantida e me agrada. Como sempre, ele chega com aquela banca de “eu sou o herói que vocês precisam” e acaba espalhando corpos pelo caminho. Tara não tinha nada que dar com a língua nos dentes e comprometer uma comunidade que estava quietinha na dela. A chegada do grupo, entretanto, é relaxada, estranha, não se arruma direito no roteiro. Se Hilltop, Oceanside, Alexandria e o Reino estão envolvidas nesse ataque aos Salvadores, esperava que a convergência desses polos fosse acontecer aqui, na penúltima semana. Fico com uma desconfiança de que o Season Finale vai continuar preparando terrenos para o que não vamos ver.
Tudo é muito estranho… Negan era o “grande vilão” do ano e passa mais da metade do tempo ausente (principalmente nessa segunda metade da temporada). Comunidades são procuradas para lutarem, mas depois de episódios centrais focados nelas, elas somem de vista e qualquer processo de agrupamento de forças me soa frouxo. Essa tal “grande batalha” prometida de maneira velada pela série desde que Negan apareceu, vai acontecer simplesmente do nada, sem que os episódios tenham dedicado a atenção devida ao crescimento de preparativos, estratégias, blocos emocionais que por ventura o conflito fosse trazer. Atualmente – e por gostar muito do personagem – saber o que vai acontecer com Eugene é a única coisa que me interessa.
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A Finale é daqui a alguns dias e não me surpreenderei se o show decidir nos enganar com mais cliffhangers que se arrastarão por meses. A coisa que a série mais precisa é coragem e o que a gente mais precisa dela é que ela seja menos cristalizada. Essas fórmulas estão podres e ninguém por lá parece se dar conta disso.
Right Bite: Só quero reforçar que para mim a coisa mais legal de Something They Need foi Eugene mandando veneno para Sasha ao invés de uma arma. Odeio gente que subestima a inteligência dos outros e ela teve o que merecia.
Random Bite: Alguém entregou o plano de Rick pra Negan. Eu aposto minhas fichas na comunidade-robótica-escura-que fala pontuando e tem uma líder com senso estético suficiente para sempre aparar a franja.
Wrong Bite: A figura escondida nas sombras era o Dwight. Óóóóóo´… ZZZZzzzzZZzz















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