The Flash quase revela o nome do vilão da temporada em Abra Kadabra, um episódio ruim e que repete o pior erro da série.

Viagens no tempo. Existe frase mais assustadora para qualquer telespectador de The Flash atualmente? Talvez vilão velocista seja tão horrível quanto, mas em termos de bagunça de trama e dependência do roteiro em cima de uma fórmula já desgastada, ter o herói mais uma vez procurando resolver seus problemas em uma linha do tempo que não a sua, é terrível e demonstra um caminho cheio de trevas para a produção. Mas pelo menos a Nevasca finalmente está a solta e é preciso ver o lado positivo até mesmo quando ele praticamente não existe.

Nas histórias em quadrinhos Flash tem uma excelente galeria de vilões, vários velocistas, porém tantos outros sem nenhuma conexão com a Força da Aceleração, mas a grande maioria já foi esgotada pela premissa da série. A Galeria de Vilões nunca figurou como a força de oposição que deveria e Snart e Mick estão cada vez mais próximos do heroísmo. E a escolha dos vilões da série também ajuda a compreender o real erro de Flash. Nenhum personagem está crescendo. O que temos, repetidamente, são tramas que giram ao redor do mesmo propósito. Caitlin só consegue “brilhar” quando está em seus piores momentos emocionais. Wally só consegue ser herói porque não lhe resta nenhuma outra opção no momento. Barry continua tomando as decisões erradas porque os roteiristas decidiram que esta é a única maneira de impor “crescimento” para o herói. Mesmo quando todas as respostas estão na mesa, o vilão decide não entrega-las apenas para torturar, tanto nós telespectadores, quanto o time.

Dentro do que foi apresentado neste décimo oitavo episódio o único personagem em uma situação compreensível e cometendo erros pelos motivos justificáveis é Joe. Joe que é pai da Iris e também um humano sem poderes decide libertar o vilão porque ele não sabe como agir, não tem nenhuma opção e tão pouco pode viajar no tempo ou vibrar para o futuro para checar se sua filha – até antes da entrada do Wally, a única – está bem. Logo seu erro recebe uma luz, uma justificativa, um porquê. Do restante? Cada vez menos.

Só que não existe nenhum motivo para que o aparelho capaz de entrar na mente da pessoa e usado incessantemente em Julian, não seja utilizado no vilão. Não existe nenhum motivo para que apenas neste episódio Barry decida ir para o futuro tentar descobrir a identidade do Savitar, mesmo que o roteiro dos episódios passados tenham pintado o herói como alguém que já amadureceu ao ponto de não precisar mais desta saída. The Flash continua construindo sua história ao redor de péssimas escolhas.

The Flash 3x18: Abra Kadabra
The Flash 3×18: Abra Kadabra

A introdução do Abra Kadabra foi boa sim, especialmente por oferecer um novo tipo de vilão para o Flash, incluindo inclusive um pouco mais de história para a Gipsy. A cena com a perseguição a nave do antagonista, apesar de um pouco enfadonha por colocar uma nave em Central City enquanto vários carros e pessoas continuavam com suas vidas como se nada tivesse acontecido (talvez eles já estevam vacinados contra ataques), também foi boa e ofereceu uma ótima oportunidade para cenas diferentes, apesar de bem similares ao que a série já está fazendo desde seu primeiro episódio. Foi muito bom ver o Cisco e o Wally se unindo ao Barry para derrotar um vilão, um evento que poderia ter recebido um destaque maior, mas que foi bom de acompanhar momentaneamente.

O problema com a abordagem em cima do vilão é que a história não conseguiu desenvolver uma saída verdadeiramente inteligente. Abra Kadabra tinha todas as informações para revelar a identidade do Savitar, mas a saída escolhida pelo time criativo de Flash optou por evitar qualquer resposta. Além de arrastar mais uma vez a trama em cima do vilão, ausente e sem nenhuma explicação, também forçaram Flash a cometer um erro que ele havia prometido no episódio anterior e para a Força da Aceleração, que não faria novamente.

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Usar novamente uma linha do tempo alternativa oferece a boa oportunidade de termos mais informações e também mitologia para continuar acompanhando o crescimento de Barry e da figura do Flash, mas soa batida, reciclada. Conseguiremos um vislumbre do que poderá acontecer, mas não de uma maneira definitiva, afinal ainda temos um longo caminho até 2024. Logo, por mais que a intenção seja boa, continuo com a impressão de que a entrega está sendo realizada da maneira errada. Talvez este momento de levar o Barry para o futuro seja a forma dos roteiristas encerrarem de uma vez por todas qualquer possibilidade de viagens ao futuro e passado, mas até lá quem sofre é a qualidade da série, presa em uma bolha de decisões erradas e crescimento questionável para seu protagonista.

Easter eggs e outras informações em Abra Kadabra:

– Abra Kadabra apareceu a primeira vez na nona arte em The Flash #128, de 1962. Assim como na série sua magia é atrelada a tecnologia futurista, apesar de ter um lado mais místico. O vilão voltou em DC Rebirth e antagonizou o time de Titãs, incluindo o outro Wally West.

– Abra Kadabra menciona um vilão que ainda não conhecemos e que fará parte do futuro do Barry, Clifford DeVoe, conhecido como Thinker nas histórias em quadrinhos.

– Thinker teve seu debut em All Flash #12 e já fez parte da Sociedade da Injustiça e Esquadrão Suicida. Entre seus poderes podemos citar: telepatia, telecinese, controle mental, projeção de medo e até mesmo a capacidade de controlar sistemas computadorizados e eletrônicos.

– Cisco fez uma homenagem ao Gandalf de O Senhor dos Anéis ao usar a frase “You Shall Not Pass!”.

REVISÃO GERAL
Nota:
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flash-3x18-abra-kadabra Abra Kadabra tinha todas as informações para revelar a identidade do Savitar, mas a saída escolhida pelo time criativo de Flash optou por evitar qualquer resposta.