A sétima temporada de The Walking Dead continua sua caminhada para se tornar a mais estúpida de toda sua história, ainda mais depois de Say Yes.
Acho que muitos de vocês já devem saber o significado de Deux Ex Machina, essa expressão de origem grega que surgiu nos primórdios da dramaturgia antiga e que significa literalmente “Deus surgir da máquina”. O termo é usado para determinar soluções imediatas, mirabolantes, providenciais, para problemas em obras ficcionais. Ele não surgiu à toa, a vida está cheia desses momentos que parecem mandados por Deus para nos tirar de situações que pareciam perdidas. É como se o “cara lá de cima” já tivesse esgotado as possibilidades de nos fazer chegar sozinhos às soluções e então, dissesse: “ok, cansei, eles acharão uma mala de dinheiro perdida na próxima esquina”. Na vida não soa tão controverso quanto na ficção.
O deux ex machina pode ter se inspirado na vida real, mas quando se trata de uma história fantástica, o recurso pode soar como uma desculpa para mascarar a preguiça ou o oportunismo de um autor. Acho que já sabem onde quero chegar, não é? Quando o recurso surge como último recurso para todas as outras tentativas, ele é considerado muito mais coerente e representativo. Ainda é melhor não usar, deixar que o método se perca nas tragédias gregas em que tudo era decidido pelo destino. Mas, se for para usá-lo que seja com moderação e não para tapar buracos ou enrolar seu público.
Say Yes para mim – e não fico nada feliz em dizer isso – é outro daqueles episódios que dão vergonha de assistir, tamanha sua irrelevância para o universo de The Walking Dead. É um episódio para nada, vindo do nada, que serve para nada e que não tem nada para se tirar de bom. Mesmo eu, que gosto do episódio com Tara e do episódio com Eugene (que são também grandes desvios), preciso admitir que eles não fogem da métrica de adiamentos constantes dos roteiros. De fato, estamos entregues aos caprichos de uma produção que quer dar passos de tartaruga e não está nem aí para o que vão dizer. O sétimo ano me remete ao pior do show: fazenda, trilhos, Terminus… Episódios e mais episódios de nada, todos existindo sob a promessa de “algo muito foda que está por vir”.
Negando a Realidade
O “algo mais foda que está por vir” está todo concentrado em Negan, que chegou-chegando e já não diz a que veio. Essa guerra contra ele é o pote de ouro que todos perseguem e passaremos toda a temporada – ao menos 12 dos 16 episódios – “em preparação”. Deixamos quatro aí para considerarmos bons de verdade e aceitamos a realidade de que continuamos vendo histórias serem esticadas por 50 minutos quando poderiam ser contadas em 5. E vou continuar reclamando disso enquanto a série continuar fazendo. Se não for assim, poderei resumir as reviews em uma linha: alguém foi atrás de suprimentos/armas, walkers apareceram, uns diálogos frouxos foram ditos e fim. Há mais do que se dizer? De verdade? Ok, vamos lá, vou abrir minha mente para isso.
Vamos falar de Rick e Michonne. Say Yes colocou-os nessa busca sozinhos para com isso falar sobre a relação deles. Um veado de CGC surgiu durante uma cena para que Michonne pensasse que Rick morreu e com isso percebesse que “não podia perdê-lo”. Os atores, como sempre, lutam para tornar digna qualquer sequência. Mas, em perspectiva, esses sentimentos estão evidentes e não precisam de sentimentalismo barato para que a audiência os perceba. O fato é que Say Yes não poderia avançar na trama e os roteiristas tentaram cobrir a sujeira com a fórmula de sempre: busca, walkers, filosofia. E sem nem trocar a ordem para dar uma disfarçada.

Se desviamos o assunto para falar de Rosita, a coisa só piora. Rick está lá fora tentando juntar um exército e tem uma sujeita que já errou na sua tentativa de matar Negan (provocando outros transtornos), querendo ir com uma “amiga” resolver a questão. E na casa do cara, no território dele, no melhor estilo Rambo de aniquilar exércitos. Se isso não é uma tremenda burrice eu não sei o que é. E ao invés de tratar isso como uma grande idiotice, o roteiro valoriza a decisão, mostra aquelas duas mulheres fortes querendo tomar uma decisão imbecil como se ela fosse decididamente revolucionária. Algo tem que “ser foda”, lembram? Aliás, se Rosita está assumindo o lugar de Holly num plot parecido que está nos quadrinhos, a série errou mesmo é na construção dessa tensão.
E por último, temos a tal “base militar”, que é o citado deux ex machina dessa semana. Um lugar cheio de armas e de comida, que nenhuma das comunidades nunca achou tão perto e que parece ter sido encomendado pelo divino. Às vezes parece que The Walking Dead se passa dentro da série The River. Lembram de The River? Aquela produção da ABC sobre um pessoal perdido no Rio Boiúna e que descobriam no final que jamais conseguiriam sair dele porque a floresta literalmente se reorganizava para impedir a saída? Então, em alguns momentos parece que quando é necessário, as árvores lá daquela região onde se passa a trama se abrem e surge da grama uma comunidade nova, uma base nova, qualquer coisa que sirva aos propósitos do roteiro e que nunca foi visto ou mencionado antes.
Ah, mas o Rick precisava de muitas armas para convencer o povo lá do ferro-velho a lutar com ele. Sim, o mais difícil seria ele chegar até Oceanside e convencer aquele povo – já estabelecido no universo do show – a colaborar. Mas, primeiro precisamos ver essa papagaiada toda que é jogada no meio com o simples intuito de atrasar os eventos. Não, eu não aceito ter a minha inteligência subestimada dessa forma e se eles fizerem isso mil vezes, mil vezes eu vou reclamar. Chegamos a um ponto em que já não é impossível deixar de ver o programa apenas porque quando ele quer sabe ser bom, mas é impossível deixar de vê-lo porque a estupidez passou a ser hipnotizante. Virou uma curiosidade mórbida, como aquela que nos faz abrir o link de um corpo mutilado mesmo sabendo que aquilo não tem nada de bom a nos oferecer. The Walking Dead está dando um vexame atrás do outro… É desesperador.
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Right Bite: Judith está linda. Sim, é isso que temos para hoje.
Random Bite: Gosto de ver Michonne rindo, me alegra que ela e Rick estejam juntos. Mas, que seja longe de episódios horríveis como esse.
Wrong Bite: Uma hora não pode atirar porque atrai walkers, depois pouco importa que isso seja feito no meio de uma horda. Uma hora um walker desintegra num simples puxão, depois mesmo o walker mais detonado demonstra super força no embate corpo a corpo… Tudo isso é no mínimo confuso e estranho.















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