Uma famosa parábola bíblica conta sobre como o Rei Salomão decidiu com quem ficaria uma criança disputada por duas mães. Creio que todos já conhecem o desfecho do fato, o rei decide dividir a criança ao meio e a mãe verdadeira prefere abrir mão da criança a vê-la morta. Esta semana The Good Fight teve vários momentos que lembraram esta história e contribuíram para o que eu considero o melhor episódio da série até aqui.

Mais diretamente ligado à parábola, tivemos o caso da semana, que trouxe uma discussão interessante sobre até onde o direito de uma pessoa sobre algo pode ir. Depois de passarmos por todos os absurdos que levaram à fertilização do óvulo da cliente, nos deparamos com um caso onde lei de propriedade decidiria o destino do embrião. A primeira decisão do juiz, concordemos com ela ou não, era aquela que estava de acordo com a lei, porém, ao ver que o embrião perdera sua utilidade ao seu dono, usou do bom senso e entregou-o para a cliente de Diane. O caso foi interessante, contando com a tradicional reviravolta no final, e a mistura de lei de propriedade com embriões conseguiu prender pela curiosidade e pela complexidade.

O caso também foi interessante para que finalmente víssemos Barbara e Diane em bons termos. As picuinhas de Barbara com Diane já tinham cansado e foi um alívio vê-las agindo juntas, discutindo os temas da firma normalmente, e tendo uma conversa interessantíssima sobre maternidade e trabalho. Foi triste ver Diane deixar claro que não foi mãe por mergulhar no trabalho, mas justamente o contrário.

E é de união que elas vão precisar, pois o retorno de Mike Kresteva não é algo que vai trazer paz em nenhum momento a eles. O personagem de Matthew Perry voltou mostrando que não mudou em nada mesmo após perder o filho doente, e que continua utilizando as mesmas táticas baixas para vencer. Pode parecer surreal que a solução para diminuir os casos de brutalidade policial é simples como diminuir a quantidade de processos contra a polícia, mas é uma estratégia tão cretina, que cedo ou tarde alguém vai usá-la na vida real. A dúvida que resta é se o foco de Mike na firma é realmente por interesse na violência policial ou há algum motivo por trás disso. Minha aposta é na segunda opção. Só sei que a raiva de Diane por Mike durante o questionamento foi palpável e eu senti a mesma coisa.

Foi bom ver também que Lucca e Colin estão se aproximando e, ao que parece, não vão enrolar nesse plot e quero mais é que os dois se peguem logo. Se o plano é que os dois sejam um casal, o melhor é que tudo se resolva e não fiquemos os seis episódios que restam arrastando uma relação que vai acontecer.

Mas quem rendeu mesmo neste episódio foram Maia e Marissa, que formaram uma dupla maravilhosa enfrentando ninguém menos que a internet. Metida em uma situação bem próxima da realidade, ver Maia lidar com um ex recalcado rendeu ótimos momentos, principalmente com Marissa dando seu total e hilário apoio. Não é comum que ex namorados façam questão de prejudicar as pessoas com quem, até poucos dias atrás, juravam amor eterno. E o ex de Maia era particularmente chato e estava se achando demais. Muito bem feito tudo o que ela fez para se vingar de volta. Porém, uma vez que algo cai na internet é impossível retirar de lá, Maia aprendeu que não tinha muito o que fazer a não ser aceitar e deixar para lá, treinando um desprendimento digno da mãe da parábola de Salomão.

No fim das contas, os plots se cruzam e Maia vira o ponto fraco que Kresteva vai atacar na Reddick, Boseman & Kolstad para fazer seu plano (seja lá qual ele realmente seja) seguir em frente.

Em seu quarto episódio, The Good Fight continua a melhorar semana após semana e os King, como bons “reis” que são, demonstram sabedoria ao entender os personagens que têm e ao movimentá-los pela trama que planejaram. Com Kresteva agindo e mirando em Maia, creio que seja questão de tempo até o caso Rindell virar o centro de tudo e a trama convergir até o fim da temporada, é só esperar.

Notas de um julgamento:

  • O juiz da semana também já apareceu em The Good Wife, mas não marcou tanto. Sua guerra aos smartwatches chamou a atenção.
  • Afinal, o embrião pode ser comparado ao carro?
  • Marissa especialista em flerte via DM no Twitter. Maravilhosa.
  • Esperando para ver a cara de má e ameaçadora de Marissa, dona dos melhores quotes sempre.
  • Detalhes como Diane usando o Chumhum para fazer sua busca só aumentam meu amor pela série.
  • Aliás, pra quem não sabe, o site do buscador existe. Aqui ó.
  • Adrian defendendo Maia foi o momento fofinho da semana.
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