Por essa eu não esperava, hein Pinkwashing Machine.
Transparent nunca foi de tramar suspenses, revelações e cliffhangers, não me recordo de a série utilizar deste artifício em seus roteiros, e é justamente por isso, que o final do episódio foi mais surpreendente ainda: por não esperar nada parecido da série, a revelação foi mais impactante ainda.
Ao longo do episódio, quando a série começou a mencionar o suposto Pfefferman israelense, logo me veio à mente aquele flashback da Ali no primeiro capítulo sobre o seu tio que a molestava, supostamente. No entanto, a série reservou a surpresa ainda maior e revelou que Moshe Pfefferman nada mais é do que o pai de Maura!!! Meu queixo caiu, como assim??
Moppa sempre acreditou que seu pai estaria morto, mas agora o encontra por acaso em Israel, como um magnata dos ar condicionado. Muitos conflitos internos e externos acontecerão nos próximos episódios, mal posso esperar. Agora acho que a família toda realmente vai pra Terra Sagrada, né. No final, acho que acertarei a minha previsão.

Ainda sobre a protagonista, nesse episódio ela revelou para Ali que está namorando com um homem pela primeira vez. Gostei desse curto diálogo entre as duas, que acabou por mostrar a confiança e necessidade que a mãe tem com a sua filha para contar sobre a sua vida e compartilhar de sua alegria.
Josh está caminhando ladeira abaixo nessa história do luto mal resolvido pela Rita. Sinceramente, estou bastante curioso em como a produção vai levar o arco deste personagem, se vai ser mais uma história de poor little Josh ou se veremos o cara chegando ao fundo do poço, entrando em depressão ou desenvolvendo alguma complicação severa decorrente deste problema. Ele precisa de alguém para se abrir, para se sentir seguro e perceber de que não está sozinho.
Percebendo isso, ele foi pedir ajuda ao Steve, que agora está totalmente sóbrio, pasmem! A participação do personagem foi ótima, um bom alívio cômico para toda a situação vivida pelo Josh, principalmente na cena em que o seu amigo começa a discutir com a sua mãe, uma puta sequência interpretada por Jay Duplass e Judith Light. O abraço dos dois ao reconciliar após o conflito foi uma das cenas mais puras e sinceras deste ano, que elenco!
Shelly decide tomar aulas de improvisação, mas percebe que não leva muito jeito para a coisa. Fiquei triste quando ela percebeu que, logo de cara, não está muito afiada com o processo. Ela precisará de um tempo para acostumar e aprender um pouco sobre improvisação.
Graças a sua conversa com a Lila, Sarah agora coloca em prática a ideia de deixar as crianças tomarem conta do diálogo com os pais, algo que pode soar meio bizarro, mas que foi testado com sucesso pela filha Pfefferman. Agora aqui temos a saborosa ironia de que logo a Sarah irá escrever um blog sobre o método “Kids On Top”, se tornando uma especialista em como cuidar dos filhos. Até que a saída dos trilhos fez a moça colher alguns frutos.

A jornada mais interessante do episódio foi, certamente, a de Ali para a Palestina e tomando conhecimento sobre a real situação do conflito entre o Estado Palestino e Israel pelo lado do primeiro grupo. Foi uma escolha muito importante da produção em decidir abordar esse tema delicado de uma maneira passiva e inserida naturalmente no meio da trama, principalmente ao escolher a Ali, personagem mais ativa politicamente e ideologicamente, para comandar esse arco sério e necessário. Isso é Transparent se mostrando como um perfeito veículo de comunicação para estes assuntos, assim como já faz sobre a sexualidade desde o princípio.
Pinkwashing Machine foi um capítulo que se propôs inteiramente a construção da revelação, mas sem criar um clímax algum, como aqueles tradicionais que usam uma música de suspense e montagens sombrias. Foi apenas uma descoberta que fluiu naturalmente dentro da história, sendo alternada por bons e interessantes plots paralelos.
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Com isso, é preciso frisar: Transparent continua fantástica.















