Vamos tirar leite de pedra e eleger as doze melhores apresentações do The X-Factor UK 2013.
As expectativas para a décima temporada do X Factor UK não estavam altas como já foram um dia, especialmente depois de uma morna season 9 e o anúncio da bancada de jurados que não empolgou muito. Mas, definitivamente, ninguém estava preparado para o que vimos esse ano.
Grupo de finalistas fraco, song choices datadas, e um aparente descaso por parte da produção e dos mentores para que a coisa melhorasse. O resultado de tudo isso e a audiência respondeu à altura, rendendo ao show alguns de seus piores números em toda uma década de existência.
Mesmo assim, não dá para dizer que não tivemos coisas boas vindas do XF UK 2013. Tivemos bons competidores, que entregaram performances de qualidade e fizeram a atração menos dolorosa de se assistir.
Como esse ano não foi dos melhores, antes do Top 12 de performances eu vos apresento um mini Top Maníacos especial, fazendo um crossover com o universo musical, e que dá um fiozinho de esperança para as próximas temporadas e a descoberta de novos talentos como os 5 abaixo. Então, com vocês, o…
[TOP 5 MÚSICAS LANÇADAS POR EX-XFACTOR’s EM 2013]
#05 “Beautiful Life” (Union J)
Union J lançou seu primeiro álbum esse ano, e acertou por mirar sua sonoridade longe de outras boybands de sucesso, embora não possa ser considerado um sucesso de vendas. Não é absurdo afirmar que “Beautiful Life” está próxima de qualquer coisa que se ouve em álbuns indie que flertam com o pop, e por isso pode até conquistar quem torce o nariz para esse tipo de grupo.
#04 “I Hope” (Rebecca Ferguson)
A “nova diva do soul” provou que não veio para brincar no cenário musical e lançou um segundo álbum de estúdio tão bom (ou melhor) que o de estreia. O lead-single “I Hope” é uma música ótima por si só, mas a repetida pronúncia do título no refrão, que deixa a impressão de que Rebecca está falando “a roupa, a roupa, a roupa”, torna-a ainda mais grudenta.
#03 “Best Song Ever” (One Direction)
Foi mais um ano bem sucedido para a boyband formada na sétima temporada e para o bolso de Simon Cowell e sua gravadora. Mais um álbum que bateu recordes de vendas, um filme sucesso de bilheteria, inúmeros shows e aparições na TV, e esse divertido e despretensioso (apesar do nome) single perfeito para embalar uma festa ou um coração saudosista.
#02 “Music To Make Boys Cry” (Diana Vickers)
Finalmente Diana Vickers conseguiu tirar seu segundo álbum do papel e a espera valeu a pena. Mantendo o estilo que a colocou no topo da parada britânica em 2010, “Music To Make Boys Cry” foi certamente um dos melhores álbuns britânicos do ano, rendendo os ótimos singles “Cinderella” e a faixa homônima. Pena que a qualidade do trabalho não se refletiu em vendas.
#01 “Move” (Little Mix)
A medalha de ouro desse mini Top Maníacos é o reconhecimento da enorme evolução que as meninas do Little Mix mostraram em seu último trabalho. “Salute” arrancou elogios de todos os lados, agradou público e crítica e consolidou-as não só como o melhor grupo feminino a passar pela história do XF em qualquer país, como também uma das melhores girlbands da atualidade (quizá A melhor). “Move” é uma música surpreendente, que não se rende às batidas fórmulas que dominam a música mainstream atual, harmonias perfeitas e ritmo contagiante. A música foi performada em todas as principais franquias do XF e em todas o quarteto deu um verdadeiro show, mostrando para outros grupos (cof cof) como se faz.
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Agora sim, vamos começar para valer esse Top Maníacos, lembrando que aqui só foram consideradas apresentações dos live shows. Mais uma vez, chamei meus companheiros de SM Rodrigo Coletto e Tiago Vaz para comentarem algumas de suas apresentações favoritas na temporada.
It’s time… to face… the music!
#12 Tamera Foster – “Ain’t Nobody” [Week 1]
por Tiago Vaz
Como os jurados adoram dizer: “16 anos?!”. A adolejovem chegou nos live shows querendo se divertir com a música. Afinal, ela é nova, gata, carismática e tem um alcance vocal de deixar qualquer Abi Alton com inveja eterna. Na semana de música dos anos 80, Tamera tornou esse hit em algo contemporâneo e ainda conseguiu nos dar esperança para essa temporada do X Factor UK. O engraçado é que um mês depois, Lillie McCloud fez o oposto de Tamera com a mesma música na versão US. Tamera tinha potencial de estrela e só precisava de músicas uptempo e de trabalhar a sua memória para letras e coreografias. Tamera até caiu nas graças de Simon Cowell e despontava como favorita ao lado de Hannah, mas a maldição “No Girls In Semifinal 2013” estava contra elas. Off-the-record: quero uma irmã e uma avó igual da Tamera.
#11 Hannah Barrett – “Somebody Else’s Guy” [Week 4]
Sabe aquelas apresentações que na primeira nota já esbofetam sua cara e te deixam mais e mais embasbacado a cada segundo? That’s “Somebody Else’s Guy” by Hannah Barrett. Confesso que em uma primeira assistida tinha achado um pouco exagerado, gritado demais, mas hoje aprecio completamente essa força que Hannah imprime logo de cara. Mesmo enfiada em um vestido quatro tamanhos menor que o dela e jogada num staging importado de três décadas atrás, Hannah dá show e garante um lugar no Top com sua performance da Disco Week.
#10 Sam Bailey – “How Will I Know” [Week 8]
Por ter feito a única performance assistível por mais de duas vezes ao som de Whitney Houston no ano (sim, eu vi Tessanee Chin cantando “I Have Nothing”); por ter dado uma lição de como se faz para todas as novinhas da competição; e por dar outro de seus usuais shows de vocais precisos e high notes impressionantes do alto de seu super salto enquanto estava working that stage, é de Sam Bailey o décimo lugar do ranking com “How Will I Know”.
#09 Luke Friend – “I Will Wait” [Week 8]
por Rodrigo Coletto
Luke Friend e Mumford & Sons é uma combinação que dificilmente poderia dar errado. Como previsto, o estilo rasgado dos vocais do candidato caíram como uma luva numa das principais canções da banda. Acompanhamos os primeiros versos, num tom mais baixo, para pouco depois a música “explodir” perto do refrão, tornando esta uma das grandes apresentações da temporada. É Luke Friend fazendo o que sabe fazer melhor: encantar o público.
#08 Hannah Barrett – “What’s Love Got To Do With It” [Week 1]
Ah, se toda a temporada tivesse seguido o nível desse excelente pontapé inicial de Hannah na primeira apresentação dos live shows de 2013. Hannah mostrou algo totalmente diferente daquele choro descontrolado que ela soltou em todas as fases anteriores e esbanjou carisma, presença de palco, além do seu usual vozeirão. A candidata transformou “What’s Love Got To Do With It” em algo perfeitamente vendável em pleno 2013, e nos apresentou ao seu sorrisão que me cativou instantaneamente.
#07 Sam Bailey – “Skyscraper” [Final]
Considero um desafio imenso cantar essa música de Demi devido à incomparável ligação da intérprete original com a canção, mas Sam não só topou o desafio como lançou “Skyscraper” como seu winner single. Uma bela apresentação que deixou Sharon se debulhando em lágrimas, Nicole chorando suas lágrimas mais falsas que nota de 3 reais e catapultou Sam para o primeiro lugar no iTunes e nos charts de natal do Reino Unido, mesmo com as vendas bem abaixo do esperado para um vencedor do X Factor – mesmo ajudado por ser um single de caridade.
#06 Tamera Foster – “Beneath Your Beautiful” [Week 2]
Em sua última apresentação marcante, Tamera estava mais linda e com cara e postura de estrela do que nunca. Provou que com boas song choices, como essa (e com um bom remédio para a memória), poderia ter rendido muito mais do que acabou entregando. Também provou que não é preciso recorrer a canções de décadas atrás para achar baladas que exponham capacidade vocal. Sexto lugar para Tamera que poderia aparecer mais vezes nesse Top se tivesse um melhor tratamento de sua mentora e se lembrasse mais das letras na hora de cantar.
#05 Luke Friend – “Anything Could Happen” (w/ Ellie Goulding) [Final]
Só não digo que o dueto entre Luke e Ellie Goulding foi o ápice da fofura nessa temporada porque os filhos de Sam Bailey me arrancaram “oooowwwnnnn”s toda vez que apareciam no VT ou na plateia. Mas foi esse certamente o ápice da final, em uma colaboração que (ao contrário de uma certa outra) esbanjou conexão entre os cantores. Essa conexão não foi apenas vocal, onde os timbres de ambos se encaixaram e se complementaram perfeitamente, mas também artística e pessoal; era notável que ambos estavam se divertindo no palco. O contraste entre a angelicalidade da voz da intérprete original com o timbre naturalmente mais agressivo do finalista tornou esse dueto ainda mais inusitadamente incrível de se ouvir. Quinto lugar para o melhor dueto disparado da grande final, e disse isso e repito: FIFTH HARMONY WILL NEVER.
#04 Luke Friend – “Run” [Week 8]
por Tiago Vaz
No decorrer dos live shows, Luke Friend foi claramente o candidato que mais evoluiu. Basta rever sua apresentação de “Cannonball” em frente a Louis e seus amigos convidados antes dos live shows. Na oitava semana, o azarão atinge o que considero o seu auge na competição, interpretando “Skinny Love” e “I Will Wait” Luke ganhou uma boa torcida aqui no Brasil. Mas na terra da rainha, duas ótimas apresentações não foram o suficiente e o garoto foi pro bottom. Ainda bem que Luke teve que cantar pela sua permanência no show, porque assim, ouvimos a sua melhor entrega como artista. A música do Snow Patrol é perfeita para esse momento de lutar pela sobrevivência no show e o melhor WGWG do ano “representou” a canção e deve ter emocionado até Simon Cold-well. Embora Tamera tenha conseguido acertar as letras de todas músicas dessa semana, a vaga na semi-final era de Luke antes até do seu violão cair no chão.
#03 Hannah Barrett – “I Can’t Get No (Satisfaction)” [Week 6]
http://www.youtube.com/watch?v=etIgkzmiCFM
Essa presença de palco, essa energia, essa tonelada de star quality depositada em uma pessoa só!!! Brasil, me explica como o público não abraçou essa menina? A capacidade de superação de Hannah me deixou boquiaberto em algumas ocasiões, e essa foi uma delas. Hannah saiu de um bottom na week 5 e voltou colocando o palco e a plateia abaixo, num verdadeiro espetáculo que mesclou seus vocais impecáveis e cheios de soul, uma song choice na mosca, uma Hannah sorridente, chamando a plateia para si e, mais importante, exalando uma empolgação que ultrapassou fronteiras e a tela do meu computador e me colocou pra cantar e dançar junto com ela. Uma verdadeira pena que o público britânico não tenha se empolgado metade do que me empolguei com Hannah e ela não chegou onde merecia: nada menos do que a finalíssima.
#02 Sam Bailey – “Clown” [Week 8]
Foi dedicando sua apresentação aos filhos que Sam entregou sua performance mais carregada de emoção em toda a temporada. Cantando a canção de Emeli Sandé, Sam Bailey estava dentro de sua zona de conforto, mas conseguiu fazer uma interpretação acima de qualquer expectativa. No ponto mais alto de uma trajetória bastante consistente, Sam provou por A + B sua capacidade de ser uma artista relevante no cenário musical, sustentada por sua extensão vocal que parece ser sem limites e um carisma do tamanho do mundo. “Clown” foi singela, porém poderosa, e saber a inspiração por trás dessa emocionante interpretação só tornou o momento mais especial. Medalha de prata para a vencedora da décima temporada!
#01 Luke Friend – “Skinny Love” [Week 8]
Enquanto Taylor Henderson, na Australia, e Alex, nos EUA, formavam o que foi talvez a melhor safra de WGWG’s em realities musicais, no UK foi Luke Friend quem fechou esse pacote. Deslanchando em popularidade nas últimas semanas, Luke surpreendeu mais do que nunca com uma versão da já multicoverizada “Skinny Love”. Em um mundo onde Birdy, Lindsey Pavao, Bella Ferraro, entre outros, já deixaram sua marca na canção de Bon Iver, torná-la algo novo e diferente é uma árdua tarefa, que o pupilo de Louis Walsh executou com maestria. Sempre fui muito fã do timbre ríspido e quase agressivo do candidato, e em “Skinny Love” essas propriedades agregaram um significado que contrasta a fragilidade impressa às versões que foram feitas antes. A afinação de Luke estava no ponto e, mesmo sem qualquer grande produção de palco, só a força de sua voz foi capaz de preencher todo o espaço e entregar um dos mais belos momentos da temporada. Uma grande performance que fez até Louis, assumidamente hater da música, cair de amores por seu pupilo. E eu também caí, e por isso a medalha de ouro é para você, Luke!
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É isso aí, chegamos ao fim de mais uma cobertura do X Factor. Concordaram com o ranking? Ficou faltando alguém ou alguma apresentação? Gary Barlow fez por merecer não aparecer com nenhum act de sua categoria nessa seletiva e exigente lista? Fiquem à vontade para opinar e, se quiserem, até montar seus próprios rankings pessoais!
Não sei se sentirei saudades dessa temporada – provavelmente não -, mas tenho certeza que ano que vem estarei firme e forte, na esperança que tenhamos um ano tão bom quanto foram os de 2008, 2010 e 2011.
Obrigado a todos que acompanharam e até a próxima!






















