Senhoras e senhores, lhes apresento o melhor episódio (até agora) desta temporada. Que história, que episódio e que série! Se você, assim como eu, se deliciou pela história de vida da Laurel e o seu próprio diário da paixão versão real, vem aqui, chegue mais, que a vitória foi definitivamente nossa por ter visto um episódio tão a cara de This is Us.

Bom, para quem se preocupou sobre o futuro do plot da Laurel, acredito que se surpreendeu com o rumo e desfecho que a série criou. Mesmo o mais otimista no quesito positividade sobre o plot, não imaginava que a história da mãe do Randall fosse ser tão rica em detalhes, dores, amores e muita ancestralidade. No início da temporada eu mencionei esse conceito na primeira review, já que a season premiere veio carregada de indícios sobre a ideia de se reconectar as suas origens e entender sua própria história. Lembro-me que o conceito de aquilombamento também foi abordado e tudo isso sem nem imaginar o que estava por vir.

A surpresa sobre a trajetória da Laurel foi muito bem apresentada, e não pelo toque dramático do enredo, mas pela honestidade nas situações e na realidade que nos assola há tempos. Abordar amores impossíveis e o encarceramento, ainda que não conectados diretamente, foi uma bela jogada e aqui é um super elogio que faço a esta temporada. Em tempos em que a violência policial só aumenta, que o genocídio da população negra e o aumento de pessoas presas crescem absurdamente, quase que uníssono, ter obras que procuram abordar, ainda que com a dose ficcional, um pouco da nossa realidade é de se admirar, e é por isso que This is Us merece muitos elogios pela extrema competência. Parece fácil, mas nem todas as obras abordam com tanta delicadeza temas difíceis e sensíveis, assim como nem todos os atores e atrizes conseguem entregar cenas bonitas e muito bem construídas, que emocionam qualquer pessoa que assista.

Diferentemente do que a série quis nos mostrar em momentos pretéritos, a vida da Laurel não era precária e cercada de drogas e pobreza. Muito pelo contrário, crescida em uma família de prestígio e com ascensão social, a pequena forte garota de New Orleans se mostrava astuta e com personalidade, apegada a seu irmão mais velho, Jackson, e a sua tia Mae, que juntos eram o seu alicerce. Com o pouco que vimos nesse momento da sua infância, já dava para perceber que se algo acontecesse com o irmão, a pressão em cima da Laurel só ia aumentar e o choque de colisão entre a família não ia demorar a acontecer. A diferença entre o estilo de vida dos irmãos deixou claro, sem nem precisar de muito, que ambos são completamente diferentes e possuem entendimento sobre a vida de forma diametralmente opostas. Confesso que queria ter conhecido mais da tia Mae e a sua sabedoria, o Randall certamente seria uma pessoa mais leve e menos ansiosa se a conhecesse.

A tia Mae foi a grande responsável por ensinar e aproximar a Laurel  da sua cultura, realidade, e a reconexão consigo. Na verdade, acredito que ela tentou, nas vezes que se encontrava com a sobrinha, essa aproximação. E nos detalhes a gente percebe o quão foi importante certas atitudes – parar de alisar o cabelo, por exemplo, boiar no lago ou gritar sem direção e com o propósito de colocar para fora o que te afligia, se conectando a sua própria natureza, numa fuga à realidade, aos gritos apertados, a angústia, o rancor, a tudo aquilo que fazia mal e a impedia de seguir em frente. Os nossos antepassados têm muito a nos ensinar e os ensinamentos da tia Mae serviram para lá na frente, unir o Randall e a mãe, ainda que em planos diferentes.

Quando me deparei com a narrativa do Hai, pensei que ele estivesse apenas contando de fatos que ele eventualmente escutou pela Laurel , imaginei que após a overdose, ela o conheceu em algum lugar por aí, moraram juntos e viveram felizes até o fim da sua vida. Mas para minha feliz surpresa, a história tinha muitas camadas e não se esgotava em um final feliz de comédias românticas. Era muito mais que isso.

Viver pressionada pelo que quer ser e o que não quer ser é cruel e terapia certamente resolveria os problemas dos pais da Laurel. A pressão em seguir uma carreira, em casar-se com o pretendente arranjado pelo pai e viver a vida que ele queria foi cruel e foi justamente o que a aproximou do Hai. Se foi acaso ou destino não sabemos, em que pese algumas pessoas tenham pensamentos formados sobre o assunto, mas o fato é que a partir de uma grande tragédia, um amor surgiu e com ele o desenvolver de uma história bela, porém agridoce.

A fuga daquilo que lhe aprisionava e prendia me lembrou um pouco da história contada em Nada Ortodoxa, minissérie da Netflix. Ambas fugindo do que acreditavam ser o papel social da mulher, adequado a cada caso e nas suas respectivas crenças. Para Laurel, sua felicidade não estava ali, não naquela casa, não sob os olhares do pai severo. E ter entendido de onde ela partiu, e como chegou até o Willian, foi como ler um livro já sabendo o final, mas entendendo que o mais importante era a jornada.

Das poucas passagens que me lembro da história contada pelo Willian, a mais vivida foi um dos episódios dessa temporada, em que conhecemos um pouco da vivência militante dele e da Laurel. Queria ter visto mais dela no passado, antes de chegar até o momento de agora, acho até que ia ser mais afetivo para nossa mente, assistir fragmentos e em seguida juntar os pontos com esse desfecho, mas a pouca aparição não me incomodou, foi mais um querer ter visto mais, por ter gostado demais da personagem.

Um ponto que também não foi um problema para mim, mas que gerou alguns descontentamentos, diz respeito ao fato da Laurel não ter ido procurar o Randall e nem o Willian depois que ela saiu da prisão. Vejamos, pessoal, você tem uma overdose, não faz ideia onde estão as pessoas próximas, é presa, cumpre uma pena absurda de 5 anos por posse, seu namorado acha que você morreu e de quebra você lida com o fato do seu filho achar que você o abandonou. E isso tudo sem um conto na mão! Cá pra nós… um grito no lago, por mais poderoso que seja, não é suficiente pra te libertar de toda culpa em razão do seu passado, piorou quando você descobre que tem uma doença e está com os dias contados. Eu até entendo que ela poderia, quando estava com o Hai novamente, ter buscado ajuda etc. etc., mas eu acho inexigível demais esse tanto de atitude racional diante de tudo que ela viveu. Pra mim faz sentido ela não ter ido atrás do Randall, e nem falo somente do ponto de vista logístico, mas sim do emocional, da falta de estrutura psicológica pra ir atrás do filho que ela não fazia ideia se ia sequer olhar na sua cara, perdoa-la, etc. É compreensível, no final das contas, ainda que nós tivéssemos atitudes diferentes no lugar dela, só quem sabe da sua dor é quem a carrega e por tudo que Laurel viveu, o peso dessa dor era imenso.

E assim foi finalizada um plot muito questionado, mas também muito aguardado. A história da mãe biológica do Randall termina (em tese) e fica a sensação de termos ouvido uma história de uma conhecida nossa, daquelas que nos fazem aquecer o coração, encher o peito de alegria e os olhos de lágrima. Como bem disse a Beth, “What a life!”.

The Big Four

P.S.: Já fizeram suas apostas para o Emmy 2021? Sterling K Brown tá querendo mais uma estatueta e esse episódio é a prova viva disso.

P.S.: Por falar nele, a NBC tá 100% sem pudor né? Vivi para ver isso, uma TV aberta americana pouco se importando com corpos nus em suas câmeras. Bem demais, ainda mais quando não são os corpos femininos de sempre.

P.S.: Beth é a nossa maior representante mesmo, ela ouvindo atentamente e perguntando sobre a tensão sexual representou eu, você e a nação todinha fã dessa série.

P.S.: Não dei destaque no corpo do texto, mas tô ligada que o episódio que vem vai ser pegada final de Copa do Mundo, só emoção. Para quem viu a promo do 5×07, sabe do que eu estou falando. Para aqueles que não querem estragar a experiência do susto, só digo uma coisa: trilogia vem aí!

Então é isso, galera, nos vemos semana que vem! Grande beijo, se cuidem e até lá =)

REVISÃO GERAL
Nota:
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