Novo bootcamp: a crueldade do show business mais escrachada do que nunca.

“The Ultimate Game Of Musical Chairs”. Foi assim que a produção do X Factor decidiu nomear o novo format do bootcamp. Sendo ou não uma referência ao The Voice (que no Reino Unido tem se mostrado tão fracassado quanto o XF é nos Estados Unidos), o fato é que a nova maneira de jogar esse jogo é realmente parecida com uma dança das cadeiras.

O funcionamento é simples: para começar as mudanças, esse ano os mentores de cada categoria foram revelados logo de cara, no começo do bootcamp, e não no fim como acontecia anteriormente. Nicole foi premiada pela dobradinha no pódio ano passado e ficou com as Girls; Gary ficou com os Groups; Sharon ficou com os Overs; e Louis com os Boys – depois de sete anos sem pegar uma categoria que não fosse Overs ou Groups.

Em uma primeira etapa, foi feito um sing-off, com os cantores solo separados em trios, e os grupos em duplas. Até aí tudo bem, mas essa fase da competição ganhou, pasmem: DEZ MINUTOS DE EDIÇÃO. Isso porque eu estou contando o tempo que parou no meu player, que inclui aquela introduçãozinha do começo, a revelação das categorias, etc. Ou seja, esse primeiro corte não deve ter ganhado nem oito minutos de airtime. Deve ter sido muito ruim mesmo, viu?

Na segunda parte é que começou o drama e a choradeira de verdade. Os candidatos se apresentavam individualmente, e os mentores de cada categoria decidiam se eles mereciam ou não uma das 6 cadeiras, que representavam uma vaga nas judge’s houses. Se os 6 assentos ficassem completos, mas ainda houvesse gente para cantar, essas pessoas restantes poderiam conseguir uma vaga, obrigando o jurado a escolher alguém que tinha uma cadeira a levantar o seu traseiro e direcioná-lo para casa.

Cruel? Sim, não há dúvidas. É como oferecer comida a uma pessoa faminta, porém retirar o alimento dela para dar a outra pessoa que está com mais fome. Não acredito que haja grande exagero nessa comparação, afinal, a fome pelo estrelato que essas pessoas têm é quase física, e o que é oferecido a elas, quando é dito que elas devem ocupar uma das cadeiras, é um verdadeiro adubo, um combustível para alimentar esse sonho.

A repercussão desse novo formato não poderia ser mais negativa. Tanto o público quanto a crítica caíram em cima da atração, afirmando que esse modo de tratar os seus competidores era de mal gosto. Porém, acho importante abrir uma discussão para tamanha hipocrisia.

Em primeiro lugar, qualquer pessoa que seja fã do X Factor deve estar mais do que anestesiada quando o assunto é honestidade brutal, e às vezes até mesmo ridicularização. Afinal, é isso que acontece toda vez que aparece aquele tipo de candidato péssimo, que nem sempre sabe que é péssimo (por mais que seja difícil de acreditar). Quando essa galera aparece, a edição deita e rola, e faz disso um atrativo para causar risadas em quem está assistindo. O X Factor não é The Voice para ser bonzinho com todo mundo. A plateia, os jurados, a produção, e o próprio telespectador fazem chacota. Por que isso seria menos cruel? Parece que o problema é que, dessa vez, as vítimas da humilhação, do sofrimento, são as pessoas que têm talento. Mas, oras, cantando bem ou não, se é para levar para o lado sentimental da coisa, vamos nos lembrar que são todos seres humanos no fim das contas. Muito mais coerente.

Não tenho coração de pedra – aliás, muito pelo contrário. Senti, sim, certa empatia por todos os candidatos que viram a chance de ficar mais próximos de seus sonhos escapar aos 47 do segundo tempo, quando tiveram suas vagas arrancadas de si, principalmente porque perdi minha favorita da temporada dessa maneira. Mas, pensando pelo lado do entretenimento, acredito que essa foi a ideia mais genial que a produção poderia ter para essa fase.

Como eu venho dizendo nas minhas reviews, o X Factor vive um momento em que precisa de renovação, de surpresas, de reestruturação. Nessa nova dinâmica, o bootcamp não só ficou ainda mais dramático do que era antes. Ele permitiu que a torcida ferrenha que normalmente só se fortalece nas judge’s houses fosse adiantada para essa etapa, fazendo com que o público já se agarrasse aos seus favoritos e roesse suas unhas de medo que seus queridinhos perdessem suas cadeiras. Sem contar que o meu lado dramalhão mexicano simplesmente ficou em êxtase ao sentir o climão do abraço entre a pessoa que acabava de ganhar uma vaga nos lives, e a outra que teve de abrir mão da sua para que essa anterior avançasse. Uma deliciosa torta de awkwardness.

Bom, chega de devaneios sobre esse novo formato, afinal, vista essa recepção, duvido muito que ele seja repetido em 2014. Vamos ver alguns destaques do bootcamp e quem avançou para a próxima fase.

#GIRLS (Nicole)

Vamos começar falando daquela “bronca” que Nicole deu nas meninas porque achou que estava faltando garra nas apresentações. Olha, não sei se sou só eu que tenho essa impressão, mas tenho uma dificuldade enorme em acreditar em qualquer coisa que saia da boca dessa mulher nessas situações. Não sei se é a entonação exageradamente dramática que ela coloca na voz, mas simplesmente não me desce. O lado bom é que, depois dessa “chamada na xinxa”, o nível das apresentações melhorou e as cadeiras foram sendo ocupadas.

A primeira girl que ficou uma vaguinha nas judge’s houses foi Tamera, aquela que fez audição em uma dupla, mas foi aprovada como solo, mesmo depois de uma sucessão de erros na audição de arena. Não senti nada demais nessa apresentação de “Stay”, mas dentro das condições atuais, Tamera é a minha maior aposta na categoria. Bonita, boa voz, comercial, e tem mostrado uma certa evolução desde a primeira aparição.

Posso me colocar na berlinda por dizer isso, mas a presença de Hannah nos lives continua me aterrorizando. Isso porque a jovem tem absolutamente tudo para ser a versão feminina do Jahmene Douglas, até a mesma mentora. Não nego de maneira nenhuma a força da voz dela, e é justamente isso que me leva a essa comparação. Se for aos lives, Hannah deve cantar balada atrás de balada, me enfiando aquelas maravilhosas sequências Whitney – Etta – Céline – Aretha goela abaixo, fechando com a clássica “Listen”, que já virou coringa dos mentores dessas “divas” só para dizer que a pessoa consegue ser contemporânea por ter cantado Beyoncé. Pra mim não dá, não aguento mais esse estereótipo.

Abi é, de longe, a girl mais diferente que conseguiu uma vaga no Top 6, e por isso eu acredito que sua vaga nos live shows seja certa. Gostei muito da versão de “Wanna Dance With Somebody”, o que me fez criar um pouco mais de simpatia pela garota, que era indiferente para mim até então.

zzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZzzzzzzzzzzzz RONC. O que ela estava cantando mesmo?

http://www.youtube.com/watch?v=804LjfkWCQU

Vamos falar então dessa minha tal favorita que eu perdi precocemente. Lydia era um verdadeiro achado, sem dúvidas a garota mais versátil que apareceu na edição esse ano. Lydia tem o tal pacote completo que tanto se fala: voz, personalidade, aparência, presença de palco e muito star quality. Ela poderia seguir bem tanto como solo, fazendo uma linha Cher Lloyd, quanto num grupo, até mesmo porque ela me lembra um pouco a Jade do Little Mix. Mas daí Nicole vai e me tira um dos maiores trunfos de sua categoria, para deixar verdadeiros soníferos como Melanie e Jade Richards. Até Sheena McHugh, que só conhecemos nessa fase, me impressionou mais em 30 segundos do que as citadas anteriormente, juntas e em todas as suas participações.

Previsões SérieManíacos: Relley C é peso morto nesse Top 6. Abi Alton, por não ter uma concorrente direta dentro de seu estilo, é uma presença quase certa nos live shows. As outras duas vagas serão decididas em disputas diretas, uma entre Tamera e Hannah e a outra entre as repetentes. Na primeira, acho difícil arriscar um palpite, e Nicole vai ter que escolher entre a candidata mais comercial ou a com a melhor voz e maior apelo com o público; eu sou Team Tamera desde criancinha. Quanto às repetentes, meu sonho era que as duas desistissem e trouxessem a Lydia de volta, porque eu realmente não poderia me importar menos com ambas. Mas Melanie deve passar, visto que essa teve muito mais atenção da edição.

| APOSTA TOP 3: Abi, Tamera e Melanie. |

#OVER 25’s (Sharon)

Por mais incrível que isso soe, acho que Sharon ficou muito feliz com a categoria, que está mais forte do que o normal esse ano, tanto em talento quanto em apelo popular. Sharon montou um Top 6 interessante, que se bem podado nas judge’s houses pode até se tornar a categoria mais forte nos live shows.

Aqui está um motivo extra pelo qual não quero Hannah Barrett nos lives: a cota baladas divônicas sem um pingo de versatilidade já está ocupada por Sam Bailey e a única coisa pior que aguentar um candidato desses, é aguentar DOIS (no caso, duas). Sam tem talento, e muito, mas eu duvido muito que alguém consumiria o que ela produziria musicalmente após o show. E pra lançar gente flopada já temos o The Voice, não precisamos que o X Factor entre na onda.

http://www.youtube.com/watch?v=Pp4nnHlbXYk

HAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHA Sharon, what the hell are you thinking? Como você me deixa isso escapar? Olha esse figurino maravilhoso, essa peruca modernista combinando com a infalível calça zebrada, esses movimentos todos trabalhados no ballet clássico? Uma peninha que Sharon não tenha visto o imensurável potencial bagaceiro que eu vi em Souli. Volta ano que vem, Souli, quem sabe o Louis não pega os Overs de novo e você tem a chance de brilhar que tanto merece? Stay strong.

Mas nem tudo está perdido, pois a delícia na categoria dos Overs pode ser garantida por Shelley. Céus, todo o amor do mundo por essa versão plus size de Kitty Brucknell. Todas as nuances da voz dela são perfeitamente executadas em performances carregadas de atitude e malemolência. Se a Sharon não passar Shelley para os live shows, ganha minha revolta imediatamente.

Sabe quando você quer apenas deixar um “<3” como comentário? Então, assim sou eu com Joseph. Ele continua não sendo das coisas mais incríveis que eu já vi nesses programas, mas é difícil não se apaixonar por ele. Tudo bem que eu fiquei profundamente irritado com esse descontrole emocional dele, principalmente quando Gary disse que o trocaria por outra candidata, mas ainda assim eu torço, não consigo evitar.

Previsões SérieManíacos: Considero muito improvável a possibilidade de que Sharon abra mão de seu único homem e de sua participante mais pimpada, ou seja, Joseph e Sam devem avançar. Infelizmente, uma das minhas preferidas nessa categoria teve sua apresentação cortada novamente, o que significa que Andrea Magee tem chances praticamente nulas de ir aos lives. Lorna Simpson e Zoe Devlin têm boas vozes, mas não sei se têm condições de competir com Shelley, que é a opção óbvia se Sharon quiser dar uma diferenciada no seu top 3.

| APOSTA TOP 3: Sam, Joseph e Shelley. |

#GROUPS (Gary)

Os groups formam minha categoria favorita por natureza. Até mesmo em situações desfavoráveis como no XF US, eu acabo me apegando à categoria, mesmo que o máximo que ela ofereça seja coisas como Fifth Harmony e Lakoda Rayne, que nem se comparam com grupos que passaram pela versão britânica. Mas, esse ano, a coisa está mais difícil do que nunca. Fica até difícil entender por que Gary não aproveitou um pouco mais de girls eliminadas (tudo para ter Lydia de volta!) ou mesmo de boys para formar novos grupos. Acho que nunca essa categoria esteve tão fragilizada, com tão pouco talento ou mesmo potencial. Vamos às evidências:

Esses aí são os que vão ocupar a cota boyband do ano. Tipo, isso aí. Até os mais haters devem concordar que One Direction, Union J, JLS e até mesmo os irmãos Jedward são mais interessantes que eles. E eu simplesmente não consigo lidar com esse Marcus Collins (o integrante que começou a apresentação cantando no meio) acabando com qualquer equilíbrio visual que os meninos poderiam ter.

Daí que, para tentar dar um upgrade nas coisas, Gary pelo menos juntou essas três para chamar de “novas Destiny’s Child” logo no primeiro live show: duas whos e a menina que não quis sair do grupo que fazia parte na audição na arena. Foi bom para uma primeira vez, especialmente considerando que elas tiveram aproximadamente 24 horas para preparar essa apresentação. Também é preciso relevar que elas devem ter escolhido essa versão pianista de “We Found Love” para não “assustar ninguém”, porque não é pouco o que eu vejo de potencial para vagabundice gratuita, com roupas curtíssimas e deliciosas escolhas de música com letras periclitantes como “esse é meu homem, tire suas patas dele” ou “não olha pro lado, quem tá passando é o bonde”. Já na torcida para isso acontecer e eu poder amar pelo menos um grupo.

Previsões SérieManíacos: Vou apostar em Kingsland e esse grupo novo nos live shows e só, pelo simples motivo de que eu não me lembro e não tenho o menor interesse de correr atrás do nome dos outros grupos.

| APOSTA TOP 3: Kingsland, “novas Destiny’s Child” e algum first boot. |

#BOYS (Louis)

Bom, se a situação não está boa para os grupos, tampouco está boa para os rapazes. Categoria extremamente desinteressante, que me fez perceber que a produção não parou de trollar Louis dando a ele sempre uma das categorias mais fracas.

Só tem uma coisa que me dá mais agonia nesses realities musicais do que os projetinhos de divas: os “divos”. Senhor amado, já estou com calafrios só de imaginar Hannah, Sam e Paul no mesmo Top 12. É “divice” demais, I can’t.

Pô Louis, sério mesmo que você vê Giles com uma carreira pós-X Factor? O garoto não está preparado, de maneira nenhuma, é só reparar em como a inexperiência dele reflete e afeta negativamente a sua performance. E esses meltdowns dele? Por favor, o cara chorou da hora que parou de cantar e não parou mais. Não mereço, vá abraçar Hannah Barrett, inundem um quarto com suas lágrimas e livrem a temporada de tanto drama.

http://www.youtube.com/watch?v=CBQO7wt357M

Peço licença para fazer aqui um minuto de silêncio pelo meu luto por Tom Mann. Meu favorito disparado da temporada entre os rapazes, Tom conta com o timbre mais distinto e é sem dúvidas o melhor entre os wgwg’s. Sem contar que Louis poderia usar ele para tentar agarrar os votos das menininhas que normalmente focam a torcida nas boybands, já que eu dificilmente vejo esse nicho apoiando Kingsland. Shame on you, Louis. Tom, te espero ano que vem!

Previsões SérieManíacos: Fiquei olhando por uns 10 minutos para um frame com todos os boys classificados e tive uma dificuldade imensa de formar uma opinião sobre quem deve seguir na competição. Mas vou arriscar dizer que Louis levará alguém para tentar pegar os votos que levaram Jahmene longe na última temporada, outro para o deleite do público feminino que ficou carente de alguém para torcer só pela beleza física no ano passado, e o outro eu não sei se chuto no que foi a primeira audition do ano ou o que está sendo mais pimpado. Vou na segunda opção.

| APOSTA TOP 3: Paul Akister, Sam Callahan e Nicholas McDonald. |

Ou seja, resumindo a bagaça toda, Nicole e Sharon são quem disputam de verdade o prêmio, com Louis e Gary correndo por fora e com as únicas chances de vencer apoiadas em alguma zebra ferrada que aconteça no meio do caminho.

As minhas expectativas para o Top 12 ainda não são enormes e duvido que isso mude nas judge’s houses – embora o desejo do meu mais profundo íntimo seja que aconteça um milagre e surjam pelo menos mais uns 8 acts torcíveis (ou que Lydia e Tom Mann voltem).

E vocês, o que acharam desse novo formato de bootcamp? A produção pegou pesado e judiou do emocional dos competidores ou isso é tudo exagero? Viram algum favorito pegar o seu banquinho e sair de mansinho? Ou melhor, sair de mansinho deixando o banquinho lá para outro se sentar? Concordam com as minhas apostas para o Top 12? Será que vai rolar algum wildcard ou twist esse ano? Digam aí nos comentários e nos vemos na semana que vem, a última antes dos aguardados live shows!

Até!

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.