Afinal, as double auditions foram ou não uma boa ideia?

Em 2009, no primeiro ano em que o X Factor UK decidiu fazer audições perante uma plateia, a mudança foi muito bem recebida pelos fãs. A participação direta de uma grande audiência permitia avaliar os candidatos sob uma perspectiva muito mais ampla: a presença de palco, habilidade em cativar quem está assistindo, capacidade de superar o nervosismo perante um grande número de espectadores, etc. E nada disso impedia que os jurados também pudessem avaliar outro fator de extrema importância: a voz. Então, qual a necessidade de voltar com as audições na salinha e fazer uma versão dupla dessa etapa?

Exatamente, nenhuma. Esperei até o fim dessa primeira fase do programa para dar um veredicto final, mas minha conclusão já era o que eu esperava desde que li as notas que noticiavam essa mudança de formato. As audições duplas foram um completo desperdício de tempo e paciência. Todos os desempenhos que sofreram alterações entre uma apresentação e outra ficariam evidentes na fase final do bootcamp. Além disso, não foram poucos os casos de candidatos que foram mal na arena, mas se safaram por terem chamado a atenção na sala. Oras, se os que se destacaram na primeira vez tinham passe livre, que diferença ia fazer?

O programa precisa, mesmo que sutilmente, se reinventar, é verdade. 10 anos no ar causam um desgaste natural que clama por mudanças que, ao mesmo tempo, surpreendam quem assiste, sem se afastar drasticamente do formato original que arrebatou fãs ao longo dessa década. Porém, analisando as quedas de audiência que o X Factor sofreu desde 2011, não me parece muito esperto arrastar ainda mais a fase das audições, que são determinantes para fixar a audiência do restante da temporada.

Mesmo assim, não dá para dizer que o saldo dessa primeira etapa foi negativa. A química da bancada de jurados me surpreendeu positivamente, como venho dizendo desde a primeira review da décima temporada. Louis, Sharon, Gary e Nicole funcionam muito bem, se divertem, tiram sarro, se emocionam e são brutalmente honestos quando necessário, exatamente como um bom time de judges deve ser. Além disso, a leva de candidatos desse ano tem potencial. Vozes boas, personalidades bacanas, aparências vendáveis, tudo que o programa precisa para formar um ótimo Top 12/16. Tudo vai depender das escolhas que serão feitas daqui pra frente.

Mas, enfim, vamos ver o que teve de bom (ou não tão bom assim) nesses últimos dois episódios de audições.

Não tem como começar a falar sobre coisa boa nesses dois últimos episódios de outro jeito a não ser Joseph Whelan. Para se ter uma noção, a injustiça cometida ao eliminá-lo na fase do bootcamp no ano passado foi tanta que gerou uma campanha no Facebook para trazê-lo de volta. Era inútil, é claro, mas, para a alegria geral do povão, Joseph voltou com tudo. É realmente difícil imaginar como o estilo dele, exclusivamente rock n’ roll, se encaixará dentro do programa. Mas minha admiração pelo cantor é tão grande que eu acho que não me incomodaria de assisti-lo nos live shows fazendo esse mesmo estilo todas as semanas – e olha que essa admiração vai bem além dos óbvios atributos físicos com os quais o rapaz foi agraciado. Joseph tem uma voz madura, potente, e que fica ainda mais atraente quando o cantor coloca aquela rispidez típica do gênero que segue. Houve, sim, algumas falhas de afinação na sua audição na salinha, mas isso é facilmente compensando pela vibe que o cara passa. Joseph entrou facilmente para minha torcida ferrenha para os live shows.

Outro destaque desse episódio foram duas situações bastante semelhantes, que levaram duas garotas a tomarem uma difícil decisão, terminando de maneiras opostas.

Hannah Sheares fez sua primeira audição como parte do trio The Daisy Chains. A superioridade dos vocais da garota em relação aos de suas amigas era evidente, porém não é como se as duas fossem péssimas cantoras. Elas serviam claramente como apoio, mas pareciam estar cientes e não se importarem com isso. Mesmo assim, Gary sugeriu logo que Hannah seguisse solo e, depois de uma discussão (armada ou exageradamente dramatizada pela edição, será?), decidiu que seguiria o conselho do ex-Take That. Na arena, Hannah mostrou certa fragilidade com a exposição de se apresentar solo, mas mesmo assim conseguiu convencer jurados e plateia com sua interpretação de “Skyscraper”. Não sei se ela é forte o suficiente para competir com o restante de sua categoria e, se não for, nem chances de entrar na girlband formada no bootcamp a coitada tem, afinal, tirar de um grupo para colocar em outro não faria o menor sentido.

O início da história de Hannah se repetiu com o grupo Dynamix. Dessa vez, foi Nicole quem apontou o destaque de um membro específico; no caso, Cece. Mais uma vez, a superioridade vocal era óbvia e os seus companheiros pareciam saber disso. A diferença mais marcante era que, ao contrário do trio de garotas, o Dynamix não conseguiu segurar a performance, perdendo-se no meio dela e forçando Cece a soltar notas altas desesperadas. As duas situações apartaram-se definitivamente quando Cece, ao contrário de Hannah, negou-se a abandonar seus companheiros para seguir como solo na competição. Sábia decisão, pois fazendo a relação desempenho x concorrência, ela tem mais chances na categoria Groups – embora ainda assim essas chances não sejam altas.

O parêntese que quero abrir aqui é para o quanto eu acho absurda e infundada essa atitude dos jurados de sair separando grupos “a torto e a direito”. Em ambos os casos, havia um membro que se destacava entre os outros, claro. Mas, espera aí… não era a mesma coisa com as Pussycat Dolls? E, no caso da girlband, em um nível muito mais elevado de diferença entre a lead singer e as outras, que mal faziam backing vocals e era muito mais dançarinas de apoio do que cantoras? Coerência mandou beijos.

A categoria Boys teve duas adições consideráveis e que, talvez, possam acabar numa colisão nas judge’s houses:

Ryan Mathie pode não estar muito distante do estereótipo do white guy with guitar clássico e que já encheu a paciência de muitos fãs dos realities musicais, mas eu gostei principalmente do registro baixo da voz dele, que evita que o rapaz tenha que apelar para a apelação de high notes.

O mesmo não se pode dizer de Paul Akister. É como um Jahmene Douglas, só que com a voz não tão irritante quanto a do runner-up do ano passado. Praticamente um Robson Monteiro (Anjo) all over again, e eu prefiro deixar esse tipo de cantor lá nos tempos obscuros de Raul Gil mesmo.

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Também na categoria Boys, Giles Potter e Sam Callahan deram as caras e passaram para o bootcamp, mas o cheiro de boyband desses dois é tão forte que nem vou embedar os vídeos aqui, deixa para quando eles forem companheirinhos de grupo. Falei de Giles e sua boa audição na última review, mas na arena o rapazinho decepcionou com uma song choice pra lá de errada que culminou em um desempenho medíocre. Mesmo assim, sua performance na salinha já tinha garantido sua vaga no bootcamp. Já Sam Callahan não tem uma voz grandiosa, nem mesmo recebeu muito airtime, mas sua aparência somada aos vocais razoavelmente bons e a boa desenvoltura no palco já praticamente garante a vaga do garoto em algum grupo formado no meio do caminho até os live shows.

E, se estiverem a procura de uma cota oriental para essa boyband, Justin Peng está aí. É claro que quem vê um rapazinho chegar com aquela piadinha super sem graça com seu nome ser o mesmo do J. Bieber não imagina que ele vá mandar super bem em um clássico de Whitney Houston. A voz do garoto é boa, mas já na segunda audição na arena (que foi ao ar pelo Xtra Factor) ele vacilou perante a pressão de uma grande plateia. Ou seja, a única chance dele é mesmo dentro de um grupo.

Por falar no Xtra Factor, uma espécie de “bônus” do X Factor que vai ao ar na ITV2, dois bons candidatos foram mostrados nesses dois últimos episódios, que me fizeram questionar se aquele tempo gasto no programa principal com candidatos horríveis não poderia ter sido aproveitado com esses dois:

http://www.youtube.com/watch?v=q9TIXFuv5BM

Ryan Davies é um típico wgwg, sem nenhum diferencial gritante, mas tem sim uma voz gostosa. Mas o que me chamou a atenção sobre ter sido um desperdício de edição foram os comentários de Nicole. Adoro quando ela fica mais saidinha para o lado de alguns candidatos, e comparar a voz de Ryan com manteiga derretendo sobre o corpo com o calor do sol foi impagável.

http://www.youtube.com/watch?v=u-2AgQGb_sM

O outro é Lee Lambert. Um comentário que eu li muito entre quem acompanhou a temporada de 2012 era que Jaymi Hensley, “líder” do Union J, deveria largar o grupo e tentar a sorte sozinho. Vocalmente, Lee lembra muito Jaymi, tento no timbre como nos trejeitos, firulas e nuances que aplica quando está cantando. Lee não deve durar muito na competição, mas seria interessante ter uma ideia de como seria se Jaymi realmente tivesse participado como cantor solo.

Mais um corte que dá vontade de dar uns tabefes no pessoal da edição foi na audição de Andrea Magee. Na salinha, ela cantou uma música própria, e parece ter sido daquelas audições de se emocionar assistindo. Andrea tem um tom bacana, uma vibe meio Bo Bruce que eu adoro, e foi uma pena mesmo que pouco mais de 40 segundos tenham sido exibidos de sua apresentação, e a da arena nem no Xtra foi mostrada.

Finalizando, Crissie Rhodes é daquelas Over’s com carinha de Girls. A única coisa que poderia indicar a idade de 25 aninhos é a maior experiência que reflete no modo como Crissie usa a própria voz, mostrando conhecê-la e saber como trabalhá-la de uma bela maneira, escolhendo a música certa e aplicando a dose exata de emoção. Dentro de sua categoria, Crissie é sem dúvidas uma das com maior potencial comercial, e pode ser uma carta na manga do mentor dos Over 25’s.

As audições chegaram ao fim (finalmente!) e o bootcamp vem aí! Pela prévia (sempre tento fugir de spoilers), já dá para perceber que o esquema do bootcamp mudou um pouco, com alguma espécie de jogo das cadeiras – que nada tem a ver com o The Voice, nem com o American Idol. Pelo que eu entendi, os candidatos selecionados para avançarem vão ocupando cadeiras, e, caso todas estejam ocupadas e os jurados queiram avançar outro act, ele deverá substituir alguém que estava sentado. Como isso vai funcionar exatamente, eu não sei, mas parece ser um jogo divertido de acompanhar.

E vocês, tem alguma aposta de como isso vai funcionar? Já conseguiram se apegar a algum favorito? Alguma aposta de qual jurado pegará qual categoria? (Só tomem cuidado porque eu sei que já tem spoiler rolando por aí e não é legal estragar a surpresa da galerinha que foge deles). Contem aí nos comentários e nos vemos na semana que vem!

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.