Sua família ou o presidente? Vejamos até onde vai a ética e patriotismo de uma médica.

Hostages é uma das grandes opostas da Fall Season e a que eu colocaria mais dinheirinho, mesmo antes de assistir só pelo atores que encabeçam o elenco, com nomes conhecidos por qualquer Série Maníaco que se preze.

Dra Ellen Sanders é Toni Collette, vencedora de um Emmy e um Golden Globe de melhor atriz por United States of Tara. Dylan McDermott (The Practice, American Horror Story) é o multitask agente especial do FBI e sequestrador Duncan Carlisle. Tate Donovan (The O.C., Damages) é Brian Sanders, o marido da médica, James Naughton (Ally McBeal, Gossip Girl) é o presidente Kincaid, Rhys Coiro (Entourage, A Gifted Man, 24) é o sequestrador com coração e Billy Brown (Dexter, The Following, Sons of Anarchy), outro sequestrador, mas esse com um coração mais peludo e uma mão pesada.

Atrás das câmeras, temos Jeffrey Nachmanoff, responsável por escrever e dirigir esse piloto. Jeffrey dirigiu 2 episódios de Homeland e o piloto de Chicago Fire, já no cinema ele escreveu The Day After Tomorrow e co-produziu The Tourist. Mas o nome mais famoso de todos está é na produção: Jerry Bruckheimer, produtor responsável por C.S.I., Without a trace, Cold Case e muitos blockbusters do cinema como Flashdance, Top Gun, Armageddon, Pearl Harbor e Piratas do Caribe, para citar alguns. Foi esse nome que me fez ter certeza de que valia a pena conferir Hostages. Jerry divide essa responsa com Toni, por quem sou apaixonada desde O Casamento de Muriel. Já adianto que eles não me decepcionaram.

A história resumida: a família da médica que vai operar o presidente dos Estados Unidos é feita refém e para salvar seu marido e filhos, ela precisa matar o líder do país livre. Quando vi os teasers e trailers da série, ela me soou como algo que nasceu para ter uma temporada só, afinal, quanto se pode atrasar uma operação no presidente dos Estados Unidos? Massss, tive a mesma impressão com The Following e ela vai voltar (desnecessariamente, se você me perguntar) para uma segunda temporada, porque no final das contas quem determina isso é a audiência e os anunciantes. No piloto de Hostages, o roteiro já nos responde que a família ficará refém por pelo menos duas semanas, o que me soou plausível e me agradou bastante pelo fato de não haver uma nova desculpa a cada semana. Gosto quando não insultam nossa inteligência. Essas duas semanas devem ser o que vamos acompanhar nos 15 episódios da série, e fica desde já a minha torcida para que não revivamos o Season Finale de Prison Break, que poderia ter acabado em grande estilo na 1a temporada.

Desde o primeiro minuto – literalmente – o roteiro é bem honesto e direto com o espectador. O clima é de tensão, uma família é refém e agora vamos voltar 12h pra você entender melhor umas coisinhas (mas só algumas). Esse formato é bem conhecido, mas não há de se negar que ele funciona bem em thrillers. Daí somos levados por essas 12 horas enquanto personagens são construídos e apresentados, a começar pelos principais: a médica Ellen e o sequestrador Carlisle.

O sequestrador-mor é agente do FBI, conduz negociações de um jeitinho bem particular e atira por motivos de mau gosto fashion. Arrogante, irresponsável, blasé, com uma esposa em coma. Sabemos também que ele é péssimo em apelidar a filha. Ainda há muito mais a ser descoberto sobre Duncan, mas já dá pra dizer que esse é o personagem mais interessante e o que mais nos intriga. O que geral quer saber é por que ele está ali, como ele formou aquele grupo, qual a sua real motivação? Seria ele outra vítima? É sempre bom quando há desde o começo a preocupação em humanizar o vilão, ele não foi pintado como um antagonista de todo mal. Esses são os melhores.

Os sequestradores secundários são profissionais, isso ficou claro, não sabemos se também são do FBI. Enquanto há os mais frios, os mais agressivos (oi, negão), temos também o mais bonzinho com empatia por crianças e cachorros. Personalidades bem distintas que não sabemos como foram reunidas, apenas que todos estão motivados e sabem muito bem o que estão fazendo. Com o tempo devemos conhecer melhor todos os 3 e não duvido ver o lado bom de cada um e o motivo que os levou a fazer aquilo. Não acredito que eles estejam trabalhando por dinheiro, mas que tenham uma razão cada para estarem ali. E a coceira deve ser bem mais embaixo.

Henry Creasy, assessor do presidente, além de também estar envolvido no sequestro, está na casa de Duncan e isso é tudo que sabemos sobre o personagem. Ele é mais um cúmplice? Um dos mandantes? Isso tornaria Carlisle outro refém nessa tentativa de assassinato. Mas calma, esse foi só o piloto, pode (e deve) ter muito mais gente envolvida, como por exemplo, o faz-tudo careca /segurança/nenhum dos dois na verdade, que parece ter saído de Fringe.

Do outro lado, a família da médica se mostra problemática: o filho é um maconheirinho endividado, a filha está grávida de um namorado que ela desconhece e seu marido é um pulador de cerca. Tá massa pra Dra. Ellen, sqn. Ela por sua vez parece ser uma mulher íntegra, mas ainda é cedo para afirmar que a médica também não tem seus segredos. O quanto que os personagens tem ainda a revelar e as infinitas possibilidades de desenvolvimento é o que mais me encanta em Hostages.

É claro que nenhuma tentativa de fuga daria certo no primeiro episódio, mas a cena da tesoura me surpreendeu e assustou. A saída do afinador de sangue para atrasar a cirurgia foi melhor, mais inteligente e rendeu a cena em que Dra. Ellen encara Duncan através das câmeras e passa o recado que dá fim a um ótimo episódio.

Para mim foi angustiante não descobrir nada sobre a motivação dos sequestradores (a agonia deve-se também à excelente trilha que constrói o clima de tensão pretendido) e é o que me fará acompanhar ansiosamente os próximos episódios. Dá pra teorizar bastante – Jogo de poder? Conspiração? Vingança? – são muitas as hipóteses e nenhuma pode ser defendida com o pouco que nos foi revelado nesse piloto. Restam-nos muitas perguntas e a certeza de que acompanharei semanalmente atrás dessas respostas. Ou seja, o piloto cumpriu seu papel.

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