
Caos².
Spoilers Abaixo:
Logo nas promos de “The Suicide King”, a AMC conseguiu estragar o principal cliffhanger de “Made to Suffer” (3×08), midseason finalle de “The Walking Dead”, exibido em 2 de dezembro. O encontro entre Daryl e Merle, esperado pelos fãs desde a 1ª temporada, acabou acontecendo durante um embate provocado por Phillip, o Governador. A vida do caçula estava em perigo e isso deveria prender a atenção do público, até que a chamada nos ‘entregou’ sua sobrevivência. Sendo assim, por que aguardei tão ansiosamente esse retorno? A resposta veio logo nos primeiros minutos, ainda antes da abertura: o caos estava instaurado.
O cenário em que se passa “The Walking Dead” já pressupõe que sua audiência entenda que o estado é caótico. Sem governo ou qualquer condições básicas de saúde, higiene e alimentação, os sobreviventes lutam contra uma morte que insiste em beijá-los. Portanto, trata-se do caos dentro do caos.
Digo isso porque os habitantes de Woodbury viviam um simulacro de suas antigas vidas. Crianças frequentavam a escola, pais faziam churrasco no quintal e doentes podiam ir ao médico, uma realidade bem diferente da qual vínhamos acompanhando nos últimos três anos. Essa farsa era sustentada através da adoção de uma política semelhante à do pão e circo, potencializada pela manutenção de um temor público constante de que abandonar a cidade teria o mesmo significado de morrer.
Isso basta para justificar as atitudes extremas do Governador, sempre que um forasteiro bate à porta e ameaça romper com as estruturas de Woodbury. Essa tensão aumenta quando Phillip pensa na possibilidade de alguém que conhece o funcionamento dessa máquina se tornar um desertor, como houve com Merle.
Andrea cumpre um papel importante nessa temporada porque ela funciona como uma representação da mentalidade dos ‘woodburenses’, visto que eles provavelmente passaram pelas mesmas etapas de encantamento e inquietação, até que o Governador torna pública uma de suas camadas mais sombrias, ao matar a queima roupa o habitante ferido. Andrea faz mais porque ela tem bastante conhecimento dos problemas oferecidos pelo mundo externo, possibilitando que os cidadãos locais se unam para defender aquele oásis.
A referência a seguir me faz lembrar-se de Camis Barbieri porque ela disse que daqui para frente compararia tudo com Fringe. Essa situação me remete à terceira temporada da série, quando Lados A e B se enfrentaram e você não conseguia dizer ao certo quem era o bom e quem era o ruim. O confronto entre a turma da cadeia e a turma de Woodbury nos deixa nesse mesmo entrave. Escolher para qual lado torcer é apenas uma questão de ponto de vista.
Após conseguir sair com seus amigos de Woodbury, Rick enfrenta ainda a decisão de manter o problemático Merle entre os seus. Acredito que tanto ele, quanto Daryl tomaram as decisões corretas – por mais que me doa vê-lo se despedir temporariamente do grupo principal.
E mais. Se percorrermos toda a trajetória de Rick na série, soa completamente natural sua desconfiança com relação à presença ou não de Michonne no grupo. Porém, seria mais incoerente se essa decisão partisse da própria, tendo em vista as dificuldades que possui ao lidar com o desconhecido. O fato de o Governador não tê-la enganado, como fez com Andrea, não pode ser tratado como simples sexto sentido. Espero que ela fique, mas que essa decisão parta de Rick.
Nosso protagonista caminha rumo a uma esquizofrenia muito bem arquitetada. Primeiro foi a situação envolvendo o telefone em “Say The Word” (3×05), em seguida o aparecimento de Shane, no 3×08. Isoladamente, essas cenas parecem desnecessárias, mas mostram-se inseridas num contexto maior a partir da crise que Rick sofre ao ver Lori, no exato momento em que conhece Tyreese e seus adjacentes. As informações estão sendo dadas em doses homeopáticas, preparando-nos para um clímax, sem comprometer o andamento dos outros plots. O herói está sofrendo, ele mata zumbis, sobrevive a cidades infestadas, mas é humano, como nós.
A partir da segunda metade do episódio, a narrativa perdeu o ritmo e ficou mais lenta. Porém, os diálogos não foram meros caracteres inseridos num roteiro para preencher os 35 minutos do meio do episódio. “The Walking Dead” já fez muito isso: baita cliffhanger, conversação sobre a vida e o deus dará, encerrando com outro cliffhanger. Os últimos episódios foram marcados por sequestro, violência sexual, encontro de irmãos, vingança e o início de uma guerra. As personagens precisavam desses momentos para que a gente pudesse entender de que modo eles as afetaram. A série vem fazendo um ótimo 3º ano e não acredito que irá nos decepcionar no momento em que a bola está dominada no peito, só esperando para entrar no gol.
PS: A partir deste episódio, assumo as reviews de “The Walking Dead”. Minha proposta é comentar sobre a série tendo em vista o resultado apresentado na tela. Logo quando TWD estreou, decidi não acompanhar os quadrinhos para fugir do pesadelo de todo fã de seriados: os spoilers. Apesar disso, tenho muito interesse em saber em que pé a HQ está com relação o que já foi mostrado na TV e ficarei muito contente se alguém decidir compartilhar esse conhecimento.














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