É, meu povo, a cada semana é uma porta na cara diferente. Como se não fosse possível, a série conseguiu se aproximar, como nunca antes na história desse país, no limite tênue do pífio, do risível, e, pior, do inacreditável. O fantástico em TVD, no mesmo caminho da programação da Globo nesse último domingo, não deu as caras, mas deu lugar a todas as formas não positivas possíveis de se compreender o inacreditável. Um inacreditável mundo de promessas não cumpridas – isso não tem nada a ver com o PT; de alardes sem propósitos; de vilões sem vilania; de mocinhos dependentes de suas princesas; e das saídas de roteiro mais sem vergonha que já se tiveram notícias. Ambrose é só mais um daqueles que entra pra longa lista de vilões que muito falam e pouco fazem da história recente de TVD. No desespero de se manter em evidência, os roteiristas não se preocupam mais com os rumos da série, ou com os caminhos que serão tomados, ou com a construção de um roteiro sólido que se justifique em algum tempo futuro, pelo contrário, estamos no estilo: mais um capítulo, mais um dia – diário de um alcoólico anônimo.

E não tem impeachment que resolve essa pouca vergonha que está acontecendo em TVD. O caso aqui não é de se tirar Plec para assumir Dries, mas de se tirar o âmago do problema, aquilo que vem fazendo a série torturar em agonia: a falta de perspectiva. Precisamos assumir que faz tempo que esse diário não sabe pra onde seguir. Eles resolveram deixar a meta aberta – eu já fiz tantas alusões à atual situação da política no nosso país, que assim que eu acabar aqui vou correndo escrever um Off-topic sobre o assunto #mentirinhavouédormir – e agora eles não conseguem atingir qualquer expectativa. Beleza, falei, falei, como toda semana, mas ainda não expliquei o porquê dessa metralhadora de ataques ao roteiro de TVD. Cada semana são motivos novos para um velho problema, jovenzitos, eles não cansam de não surpreender. Vamos lá!
E se é pra seguir os rumos da série, vamos começar com o pé na cretinice, falando de uma das situações mais sem noção que eu já tive a chance de presenciar em uma série: a tal parente da família Arsenal que, após consulta aos universitários, descobri que também pode ser chamada de Virgínia. Alguém entendeu o que foi aquilo? Nem eu. Primeiro levamos aquela sapatada fake no estômago ao saber que BonBon se trancou no hospício por se sentir preterida por Damon. Não estava crendo no que eu estava vendo, mas já estava abrindo espaço no meu coração para a mexicanização iminente em que TVD se colocaria: gosto de uns tapas na cara, gente se dopando pra esquecer uma desilusão amorosa, protagonistas gritando “Não me abandone, Luiz Ferdinando”, e já conseguia vislumbrar uma participação mais que especial da nossa querida Thalia, ou mesmo de Eva Longoria, ou mesmo uma trilha sonora na voz de Shakira. Tudo anda tão sem perspectiva na série, que se agarrar em uma desse naipe já é alguma coisa, amigos. Imagina uma oitava e última temporada toda baseada na disputa entre Bonnie e Elena pelo cabron Damon, com direito a puxões de cabelo, risadas escandalosas e outras cositas más que só as novelas mexicanas conseguem proporcionar? Um sonho. Parei, chega. Minto, mais uma coisinha: já pensou se Bonnie tiver buscado em Enzo o que não conseguiu com Damon? É amor! Segura essa marimba! É hoje que a Televisa assume a coprodução da série.
Mas, sigamos. Quando eu já estava consultando minha tábua Oija para desvendar o demônio que anda pairando a sala de criação da série e permitindo que justificassem a ida de Bonnie pra ala psiquiátrica por causa desse motivo nada a ver, vem a saída, bem mal explicada, diga de passagem, mas a única oferecida e muito melhor que a primeira, de que ela estava lá atrás de um jeito de acabar com o Arsenal. Ok, nada como se aproximar de um ente da família querendo vingancinha e fazer disso seu trunfo. Mas não, TVD não tá pra brincadeira quando o assunto é mergulhar um pouquinho mais fundo no mar de lama que se atolou: a moça resolve que Bonnie tem que prometer não abrir um cofre que ela NEM SABIA QUE EXISTIA. Masoq? Pra que contar, senhora? “Por favor, não conte pra ninguém aquele segredo que você não sabe, mas que agora eu vou te contar pra você ter como me ameaçar e eu ficar na bad!”. Resumindo: não conseguiram inventar nada que causasse curiosidade no público nos flashforwards da Bonnie e fizeram essa pataquada pra nos convencer que a internação dela tinha alguma importância. O ambiente “clínica psiquiátrica” nunca foi essencial, mas eles precisavam chocar, então, vóila.
Mas nem tudo nesse plot estava perdido, não até descobrirmos que BonBon estava tomando as mesmas cápsulas que Mary Lou tomou durante longos três anos. Em resumo: Bonnie está sem seus poderes e com tempo limitado de vida…até que a brecha que Mary não esperou aparecer – ou não era conveniente para a personagem – apareça. A ideia de perder Bonnie até a season finale, por exemplo, é tão improvável quanto à volta de Nina para uma oitava temporada completa, mas não me fecho para o quão interessante pode ser a busca pela “cura” de BonBon. Os dias de Rayna rosnando por aí – vai me dizer que ela não fala parecendo que vai te dar uma mordida? – estão contados, e, talvez, o único antídoto para seu sangue, seja a morte. Rápido, simples, meio óbvio e conveniente, do jeitinho que TVD gosta.
E o que dizer da busca do corpo de Stefan? Foi resolvido do mesmo jeitinho maroto que TVD vem fazendo: com muitos dardos tranquilizantes e pouco óleo de peroba. O caminho é reto, o caminho é certo: o mais temido vilão de todos os tempos está chegando na área para ser morto do jeito mais imbecil e capenga que a gente conseguir fazer. Normal, não foi a primeira vez. Isso não merece meu tempo, nem o seu. Aliás, vale a pena um comentário:

#BrechapraprotagonistaJá!
Já quanto a Valerie, que entrou com ares de destruidora de lares e famílias de comercial de margarina, terminou aceitando os restos de um amor coadjuvante, em que os flashbacks do episódio passado só serviram para atrapalhar a linha temporal da série, afinal, se era pra terminar tudo em um episódio, eu não fazia questão de entender como eles se tornaram um casal. A cena da despedida? Foi bonita foi, foi intensa foi, mas vá para o raio que a parta. De tudo isso, fica a lição final:

#nãosejamosValerie!
P.S.1: A cara de Damon enquanto Stefan vomitava sangue, equivale à minha quando colocam passa no arroz. Ou quando falam que Panettone é melhor que Chocottone.
P.S.2: “Ela é uma bruxa! Ela é um bruxa!”. Uma ótima frase pra se dizer em uma clínica psiquiátrica.
P.S.3: Eu queria ter a confiança que o Ric tem de dizer que tudo vai dar certo no casamento, quando ele tem um histórico pior que o do Fábio Júnior. Ou da Gretchen.
P.S.4: Quem vai no Vampire Atracttion?
Até semana que vem, pessoal!















