Meus parabéns para Guillermo Del Toro e Chuck Hogan. Eles conseguiram criar um ótimo thriller para TV e já dá pra dizer que é o melhor episódio da série desde a sua estreia. “Gone Smooth” começou deixando bem claro que as coisas não são nada daquilo que aparentam, sob duas circunstâncias: ao revelar a face verdadeira de Eichorst, que é um vampiro com feições de uma besta misturado com um alienígena. Ao som de uma bela ópera, o take lembrava a preparação de um ator para entrar no palco; a figura de linguagem foi bem empregada, tirando um pouco da cara de terror do programa. Excepcional.
O plot que envolve Jim foi um pouco piegas, não é não? Quer dizer que mais uma vez vamos ver o conceito de que “os fins justificam os meios” para que possamos dar indulto ao personagem de Sean Austin que tem uma esposa doente? Pois é, na vida real toda a prática que envolve escrúpulos é condenável, na ficção, uma vez que os valores e princípios de uma vida em sociedade é colocado à baila, não tem outro veredito se não culpado. Para mim fica muito claro que pode acabar sobrando para o integrante do Projeto Canário que acabou se envolvendo com o que não sabia e agora na busca por Greg para entender a dimensão do rolo acabou encontrando com “the man without nose”… Pode, produção?
Corrigido pelos atentos leitores do SM sobre a função do ator Kevin Durand, o personagem Vasiliy Fet ainda não deu muito a pinta do seu papel nesta até agora ameaça vampira que pode dominar o mundo. Óbvio que tem que começar por Nova Iorque. Mesmo que não seja muito afeito em comentar este tipo de coisa, mas vamos lá: que bizarro vê-lo com o cabelo pintado! Está tão artificial sua barba, bigode e cabelo negros, que o ator canadense parece um personagem de desenho animado feito por computação gráfica caminhando entre os humanos. Umas cenas de ação fariam bem à Fet, sei lá, uma desarrumação no cabelo aqui, um sangue no queixo ali, para que ele possa parecer alguém de verdade!
Se você curte o personagem de Eph, eu também curto, mas que se diga o seguinte: acompanhar seus problemas familiares é chato, não “agrega” nada ao tema central, sem contar que quebra o ritmo do episódio. Algumas pessoas não conseguem se desgarrar de alguns personagens de séries que já acabaram porque alguns atores faziam com que seus papeis tivessem tanta dinâmica e personalidade, que pareciam pessoas que poderiam naturalmente estar em nossa rotina. Corey Stoll é bom, mas começa a pecar quando o assunto é seu dramalhão, aliás, quando o negócio é sair da roupa da CDC, o bicho pega para Stoll. Ele é bem comum fora da epidemiologia. Está tolerável.
… E o nosso samurai de vampiros Abraham Setrakian? Ao contrário de (Corey) Stoll, o ator David Bradley faz na medida um homem amargurado com uma missão. Não parece um lunático, um Beato Salu (dá uma olhadinha no Google e você entenderá) falando do apocalipse zumbi vampírico, chamando as autoridades ou a TV dizendo que uma ameaça toma conta da humanidade. Ele tomou pra si a continuação da tarefa que ficou lá no passado, da qual não saiu vencedor, mas sobrevivente. Deu um migué no juiz sobre sua espada e ainda não deu a mínima para Dra. Nora, sem contar que em troca de um PS4 (se eu errar o modelo corrijam nos comentários) conseguiu a lista dos passageiros do voo atormentado pela caixa. Sensacional.
De resto o episódio sempre teve como pano de fundo, os doentes Bolivar, Ansel e Redfern (bem defendido pelo ator Jonathan Potts), o último completamente tomado pelo desejo de sangue a ponto de buscar na cozinha do hospital algo que pudesse lhe satisfazer; a cena com a equipe da CDC já é inesquecível para os fãs de The Strain. O ditado imortalizado no cinema “Na cara não, para não estragar o velório” parece não ser conhecido por Ephraim Goodweather. Já o astro do rock – numa clara alusão à Marylin Manson – Bolivar parece que foi castrado. Logo ele que entrou neste negócio por causa das mulheres e Ansel, bem, está com uma cor “branco papel” e teve como espectadora da sua fome voraz sua esposa. Quem sobreviverá na casa? Gertie?
Depois do episódio mais morno que foi “The Box”, o cliffhanger de “Gone Smooth” deixou um gostinho de quero mais na galera e pode trazer mais surpresas para audiência. Afinal de contas sabemos pouco sobre o encontro de Eldritch Palmer com o Nosferatu do século XXI. E aí, vai um golinho de sangue?














