
Vale a pena ver de novo.
Spoilers Abaixo:
Acredito que a estreia de uma 2ª temporada é bem mais tranqüila para uma série do que o seu series premiere. Isso porque é provável que haja um público considerável, ou não haveria renovação – a menos que ela seja transmitida pela CW. Além disso, já há uma certa familiarização com as personagens, suas histórias e seus ‘dramas’, o que cria até a possibilidade de piadas envolvendo situações vivenciadas em episódios anteriores. E a 2ª temporada de The Middle faz exatamente isso: repete basicamente o que mostrou na primeira.
Não digo apenas me baseando nos episódios comemorativos (Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dia dos Pais, Halloween, Ação de Graças e Natal), mas também em outros que repetem a mesma estrutura. É o caso de Heck’s on a Plane (S02E16), que é muito parecido com The Bee (S01E16) e coincidentemente são os 16° de suas respectivas temporadas. Em ambos os casos, os Hecks partem em uma viagem, pensando que vão se dar bem, e no fim das contas acabam se decepcionando depois de passar por diversas situações constrangedoras envolvendo sua falta de recursos financeiros. Apesar disso, os dois episódios estão entre os meus preferidos, com especial destaque para o da 2ª temporada.
Outra característica desta temporada é o uso de situações, ou objetos, que já haviam aparecido anteriormente. Não se trata de uma revolução, mas revela ao menos um cuidado com seu continuísmo quando vemos que em Spring Cleanning (S02E18) a banheira de massagem para os pés aparece entre os objetos que Frankie vai se livrar. Trata-se do presente que ela recebeu no Mother’s Day (S01E22). Sabe quando você vê alguém ganhando um presente numa série, a pessoa fica muito feliz, porém nunca é vista usando aquilo que ganhou? Pois então. É uma bobagem, mas não deixa de ser interessante para os fãs mais atentos.
Porém, essa preocupação nem sempre se faz presente. Me incomoda por exemplo o fato de terem esquecido que Carly, a melhor amiga de Sue, ficou bonita na 1ª temporada. Ela retorna, ainda looser e ainda feia. Outra situação envolvendo Sue que não teve um desfecho satisfatório foi a sua relação com o garoto que ela deu seu primeiro beijo, em cima de uma carroça, no episódio de Halloween. Depois de procurar pela cidade, ela o encontra na escola, com visual repaginado e no encerramento vemos os dois com juras de encontros diários, no mesmo corredor, entre uma aula e outra. Só que o assunto nunca mais voltou à tona.
Apesar de ser uma comédia de situações, é fundamental que haja evolução na história dos personagens. E na 2ª temporada de The Middle isso praticamente não aconteceu. Tivemos duas mudanças que não afetaram em nada a dinâmica da história: Sue entrou para o time de Cross Country, um esporte que todo mundo pode participar, e Axl arranjou alguns empregos. No mais, nada mudou. Vejamos o exemplo de Friends, que permaneceu no ar durante dez anos e, apesar de manter a mesma premissa, apresentou arcos duradouros e novas nuances para os personagens (Chandler passando de solteirão sarcástico e homossexual em potencial para marido dedicado da Mônica). Mesmo quando as escolhas não são felizes (e sim, estou falando do romance entre Joey e Rachel que nunca me desceu), é preciso arriscar. E The Middle fez muito pouco disso. A série não é uma animação e eventualmente os atores vão envelhecer. Brick, por exemplo, acabará deixando de ser uma criança esquisita e fofa para ser apenas uma criança esquisita.
O que mais me agradou nesta 2ª temporada foi que perceberam que The Middle funciona mais quando foca no relacionamento familiar. Assim, tivemos menos episódios tratando sobre as situações enfrentadas por Mike e Frankie em seus empregos. Outro ponto positivo, já que por conta disso Bob apareceu bem menos. Perdoe-me se alguém gosta dele, mas é visível que sua vontade de pertencer ao clã Heck nunca agradou, nem à própria família e muito menos à mim.
Tivemos outros bons retornos nesta 2ª temporada, como os pais de Mike e Frankie, Brad, o ex-namorado provavelmente gay de Sue, e a família Donahue, que é frequentemente citada, apesar de não aparecer sempre. Quanto ao Reverendo Tim Tom, ele apareceu duas vezes. E até agora estou tentando entender o porquê. Suas músicas são chatas e nem como escada ele funciona.
No mais, o que mais vimos foi Frankie mostrando como é difícil ser uma mãe, como criar seus filhos a partir dos conhecimentos adquiridos com a Oprah e como a mídia pauta os assuntos que a gente considera importante – o que chamam por aí de agenda setting. No caso, refiro-me ao episódio Royal Wedding (S02E20), onde Frankie compra um monte de bugigangas e uma televisão nova para poder acompanhar a transmissão do casamento real inglês, mesmo sabendo que isso não interfere em nada na sua vida. Acredite, conheço gente que teve uma reação bem parecida.
The Middle conseguiu elevar bastante o nível na sua 2ª temporada. Tivemos mais bons episódios do que aqueles que podemos considerar ruins ou regulares. Tanto é, que foi mais difícil fazer a lista abaixo para encerrar esta review.
Melhores episódios:
Heck’s on a Plane (S02E16), Spring Cleanning (S02E18) e Royal Wedding (S02E20)
Menções honrosas:
Homecoming (S02e02), Birthday Story (S02E07), A Simple Christmas (S02E10) e The Math Class (S02E17)












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