
Um final agradavelmente agridoce.
Spoilers Abaixo:
Aquele que ainda tinha a insegurança de que o assassino de Rosie Larsen não teria sua identidade revelada ao final desta segunda temporada pôde respirar aliviado logo nos primeiros minutos do episódio. Pela primeira vez, o seriado trouxe o personagem de Rosie para o primeiro plano. Nunca vimos seu rosto, a não ser por fotos ou relances, ela sempre foi um fantasma em sua própria investigação: estando sempre presente, mas nunca sendo propriamente “vista”. Já aqui, vemos logo de início os últimos momentos de Rosie junto da sua família, e a interação dela com seus irmãos, sua mãe e até, silenciosamente, com seu pai. Assim, de certo modo, é justificado todo o sofrimento de sua família por meio de uma única cena. Rosie era amada e sua falta não teria como não ser sentida.
E a força das cenas dos últimos momentos de Rosie não seria a mesma sem a direção eficaz de Patty Jenkins. Ela ficou conhecida por dirigir o filme “Monster”, pelo qual Charlize Theron ganhou o Oscar em 2003, além da própria Patty já ter sido indicada ao Emmy pela direção do piloto de “The Killing”. Isso mesmo! Ela que guiou os nossos olhos no início da jornada em busca do assassino de Rosie Larsen, e foi ela também quem trouxe a conclusão da história. As similaridades entre este season finale e o episódio piloto são bem grandes, reflexo da qualidade do trabalho de Patty por trás das câmeras.
Voltando à história, vimos o mistério do 10º andar do cassino sendo revelado logo de cara, já que Jamie passou a confessar a Richmond tudo que realmente fez na noite do dia 5 de outubro. Ele foi o responsável pelas pancadas que a jovem recebeu, além de ser a figura misteriosa que perseguiu Rosie lá na primeira cena do episódio piloto. Entretanto, o final desta história guardava mais uma reviravolta. Assim como previa, a grande responsável pela morte de Rosie foi a tia Terry. Mas a realidade acabou sendo mais trágica do que imaginei. Terry jogou o carro em que a jovem estava presa dentro do lago, mas não sabia quem estava no porta-malas. A única coisa que tinha certeza era que lá estava uma pessoa que ameaçava sua tão sonhada felicidade. Felicidade em viver o seu próprio conto de fadas, em deixar de ser a filha que foi incapaz de ter uma família, em poder provar a todos que ela conseguiria ter o que almejava. Engraçado que há alguns textos atrás discorri sobre a contínua busca pela felicidade que envolvia todos os personagens de “The Killing” e Terry já tinha uma única certeza: ninguém é feliz. Reflexo, agora sabemos do fato de que sua busca pela felicidade acabou matando uma pessoa amada. Toda a dor que habitava aquela casa era fruto do seu ato egoísta e ser feliz não parecia ser mais uma possibilidade.
Tal situação só colaborou com a figura incrivelmente trágica em que Terry se tornou. E a cena dela matando a sobrinha foi soberba. Fazia tempo em que algo não me tocava assim. De maneira totalmente silenciosa, Terry se dirige ao carro e o deixa afundar no lago. E tudo que podemos escutar são os gritos desesperados de Rosie lá dentro. Algo totalmente angustiante. Angústia que se refletiu nas palavras dela de que ela não sabia quem estava lá. Mais uma vez deixo meus elogios a Patty Jenkins. Foi uma belíssima cena, digna de último episódio e digna do que foi essa segunda temporada.
Então, foi um alento para a família Larsen receber o tocante curta intitulado “What I Know”, deixado anonimamente por Sarah na porta deles. O vídeo seria a despedida da garota após sua planejada fuga e lá ela aproveita para proferir o que realmente sente por sua família. E com belas palavras e um sorriso, Rosie finalmente conseguiu dar a todos o que eles buscaram por essas duas temporadas: um sentimento de conclusão e a certeza de que podem seguir em frente. Até Mitch que parecia não ter mais jeito, resolveu tentar se reerguer. Foi o momento reconfortante do episódio, não só pra eles, mas para todos nós.
Já o desfecho de Richmond não poderia ser mais pessimista. Creio que o destino trágico de Jamie acabou deixando um legado na cabeça do novo prefeito de Seattle. A necessidade de fazer com que a morte do amigo tenha algum significado faz com que ele abrace sua filosofia de fazer o que for preciso para o bem maior na política. E as alianças com a Chefe Jackson e Michael Ames mostram bem isso. Ficamos como Gwen, do lado de fora, apenas observando o caminho escuro que Darren vai seguindo.
E Linden e Holder passam por aquele momento de vazio pós-caso resolvido. Além da sensação agridoce de que não havia um “malvado” por trás de tudo, Sarah terá que dar um novo sentido a sua vida. À medida que a detetive vai seguindo seu novo caminho, somos deixados com a dúvida de qual ele seria. Seu ciclo ali havia terminado e pra ela só restava começar o próximo, onde quer que ele esteja.
Estou incrivelmente satisfeito com a conclusão de “The Killing”. Foi um final de temporada que tomou ares de final de série, mas, ao mesmo tempo, deixou uma porta aberta para o que pode vir pela frente. E se isso significa que teremos mais episódios no nível deste segundo ano, torço para que os dias chuvosos desta Seattle continuem, pois estarei aqui para acompanhar de perto mais uma jornada de Linden e Holder
Em Tempo de Números: O final de “The Killing” teve audiência de 1,45 milhão com 0,5 na demo. Ainda há esperança para a terceira temporada?





















