Durante um período em que o reino israelita estava dividido entre duas partes rivais, com Judá (no sul) cuja capital era Jerusalém e Israel (no norte); um casal surgiu governando essa última parte, cuja capital era Samaria. Jezebel e seu marido Acabe tiveram suas vidas retratadas no Livro de Reis. Em diversos trechos do Antigo Testamento Jezebel é retratada como corrupta, poderosa e pagã, isso porque segundo os registros Acabe se mostrou fraco demais para dominar a personalidade forte da esposa, que também era sacerdotisa e se auto-denominava porta-voz de Deus. Estes detalhes fizeram com que Jezebel ficasse conhecida como a “rainha vilã” da Bíblia. Veja bem, simplesmente pelo fato de uma mulher conseguir uma autoridade sobre um homem (fraco pela carne), essa personalidade é considerada “errada”, “promíscua”. E muito provavelmente que seja esse o objetivo de denominar as personalidades presentes no “prostíbulo” de Boston de “Jezebels”.  Elas exemplificam as mulheres que tiveram garra suficiente para encarar as fraquezas do sexo masculino e sobreviverem em cima disso. Mas é importante notar que nada nessa sociedade é realizada por escolhas, elas todas foram parar ali e se tornaram as “Jezebels” desse mundo cruel; diferente dos homens que estão de certa forma “livres” para escolher seus caminhos. É como disse Moira:

“(Luke) não é como nós. E ele não está aqui”.

Aliás, a cena do reencontro entre Moire e June/Offred é extremamente importante para ver como as mulheres desse mundo são prisioneiras desse sistema que enclausura para angariar “progresso”, mesmo que na realidade esse progresso não seja totalmente acreditado pelos homens que precisam urgentemente de “escapes” sociais. Corruptos até mesmo de seus pensamentos.

The Handmaid’s Tale 1×08: Jezebels

Nesse episódio algumas pequenas conexões estiveram o tempo todo querendo se tornar relevante aos meus olhos, mas sem sucesso. Entendo que a premissa tenha sido evidenciar os arredores de Gilead e enriquecer ainda mais todo o background desse mundo pré-apocalíptico, mas diferente dos outros capítulos “Jezebels” pecou ao se mostrar disperso demais dentro da narrativa.

Nick visualiza essa violência com June/Offred mas por falta de força/coragem não faz nada pra impedir. Aliás, é de certa forma interessante ver que – apesar do recrutamento de Nick (que o deixou suma posição bem “confortável”) – o mesmo não acredita na integridade do sistema. Ele se corrompe o tempo todo para favorecer quem não é favorecido, e por medo de ser pego retorna a posição de submisso. Fechando o ciclo. E isso fica bem estranho ao colocar em evidência um personagem que em nada contribui para debater o tema feminista do show. Nick é fraco demais e sua fraqueza subverte questões importantes a favor de enaltecer seu ponto de vista, que é mais fraco ainda.

O melhor exemplo é a cena do suicídio da antiga Offred. Apesar de achar que essa história funcionaria melhor se a cena em si não fosse ao ar, somente o fato de encaixá-la dentro do background de Nick já enfraquece uma discussão que poderia estar sendo feita.

No livro a viagem de June/Offred é tida como uma sequência incrível, e até que na série acabou sendo um pouco isso. Mas esse momento é praticamente deixado de lado para colocar o motorista em evidência, e não o desespero da mulher que ele recusa salvar. O mesmo sentimento da cena em que Offred pergunta ao Comandante quem são aquelas pessoas e ele descreve somente os homens. A sociedade insiste em enxergar somente quem está com a mão no volante. Não quero saber dos reis fracos que não conseguem se impor contra o sistema, quero saber é das rainhas pagãs que sobrevivem em busca de poder e liberdade. Ou seja, “Jezebels” é a melhor abreviatura de um capítulo estritamente concentrado, mas infelizmente na pessoa errada.

PS1: Seria o presente de Serena Joy uma ferramenta para Offred se matar, caso queira realmente fazer isso?

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-handmaids-tale-1x08-jezebels"Jezebels" entregou uma hora bagunçada entre os flashbacks de Nick e a viagem misteriosa de Offred. Compreendo que muitas vezes numa série os fatos presentes num episódio só terão apreço no decorrer dos próximos.