Escolhas. A gente muito escuta sobre a vida ser sobre elas, sobre escolhas. Quando nascemos somos colocados/as a frente de tudo aquilo que rege uma sociedade: dogmas, crenças, valores e fé. A nossa fé é muitas vezes ensinada e doutrinada. Nada do que somos hoje é natural, salvo algumas exceções, mas fomos inseridos/as em uma realidade que não queríamos. E não que eu deva ou precise recorrer a uma aula breve de história, mas devo lembrá-los que os povos originários estavam em paz antes dos europeus invadir as nossas terras e nos escravizar de todas as maneiras possíveis. Nossa fé foi transferida para outras entidades e até hoje sofremos ou colhemos tais mudanças.
A escolha de seguir religião x ou y não é bem uma escolha. Quer dizer, hoje em dia pode ser, mas entendem que existe um plano muito maior que nos guiou para esse momento? É aquela velha história: determinismo ou livre arbítrio? Mas discussões filosóficas à parte, o ponto é que todo leitor da bíblia, em algum momento, faz as suas escolhas com base no que acredita e não necessariamente naquilo que se prega ou do que foi doutrinado. O livro sagrado conta com diversas passagens, mas cada um ou cada grupo interpreta da sua maneira e faz suas escolhas com base no que já acredita. Mas vejam, o livro é o mesmo. Entenderam o ponto?
Bom, Execution foi impecável. Do início ao fim fomos expostos as nossas escolhas. Serena teve escolha, Lydia, Nick, Lawrence e Gabriel. Todos eles tiveram escolhas e o provável fim de cada personagem foi as consequências delas. O que sobra então para a series finale e quais ações terão suas decisões colocadas a prova?

Para alegria de alguns e incômodo de outros, o penúltimo episódio trouxe em sua principal trilha sonora Look what you made me do, da icônica Taylor Swift. Ok, você pode não gostar dela, mas Elizabeth Moss sabe das coisas e ao dirigir o episódio percebeu que o plano, a raiva, a ideia de matar todos os comandantes e de derrubar Gilead foi basicamente fruto das escolhas macabras dos próprios senhores. Então, olhem o que vocês me obrigaram a fazer, olhem o que eu tive que fazer para sobreviver, para existir, para recuperar minha vida, minha filha e minha liberdade. Olhem, comandantes, olhem o que acontece quando vocês não nos dão escolhas. É isso que acontece.

A conversa de June com Gabriel foi muito pontual. Aos religiosos fanáticos de Gilead, falar o nome de Deus é quase que uma passagem para cometer qualquer ato. Mas pasmem, se usar essa palavra como senha serve para cometer qualquer ato, então existem aí duas forças agindo em direções opostas diante do mesmo ponto de partida, concordam? E aqui eu trago o que disse lá no início… a interpretação que cada um dá a um mesmo texto pode e vai nos levar a lugares e posições completamente diferentes. June mostra a ele que o amor está acima de tudo e que a violência não é a cura, não é a solução. Ele ignora e tal qual o Alto Septo do universo de GoT continua com o argumento de que é necessário confessar os seus pecados e admitir os seus erros, então aí sim poderia estar suscetível ao perdão e a seguir sua vida, mas com a devoção divina e aos seus dogmas.
Ocorre que na vida real não é assim que funciona para algumas muitas pessoas, ocorre que não faz sentido um ser criador, tão poderoso quanto dizem, ter apostado na destruição em massa de mulheres, de crianças, em prol única e exclusivamente na procriação e na felicidade de poucas pessoas. E para realizar esse objetivo, se faz necessário a violência sexual, o estupro, a tortura. Chega a ser absurdo, chega beirar o ridículo quando dito em voz alta e June disse muitas vezes durante essa temporada. Em todo encontro com alguém de Gilead, ela fez questão de contra argumentar com os livros sagrados do lado dela. E é curioso pensar em como ainda assim não restou suficiente, a cegueira e o fanatismo simplesmente não permitem ver além, não permitem que se ampliem os horizontes.

Ver todas as Aias e algumas Marthas prestes a serem executadas traz a triste lembrança de todas as outras que se foram durante as resistências, mas dessa vez o desfecho foi diferente, e ainda bem que pudemos respirar aliviadas ao ver o avião indo embora. E se tínhamos alguma dúvida sobre o caráter de Nick, ele fez questão de defender seu ponto e a quem ele serve. Nick sempre foi um ponto controverso, acredito que nesta reta final se tornou muito mais que Serena, Lydia ou qualquer outro personagem. A traição foi o marco, o estopim, e os poucos defensores que ele tinha foi-se embora junto com os restos do avião.
Nick mostrou sua verdadeira face e para todos que tinham dúvida, ele sempre escolheria sua própria história, sua proteção, e é claro: June. De mil oportunidades que ele tivesse, June seria a sua escolha número 01. E quando ela se recusa a seguir com ele, nada mais importa ali, nem Rita, nem seu filho, nem Rose, nem ninguém. Dois lados diferentes, mas que de alguma maneira se complementam: Lawrence e Nick, egoístas no seu propósito, mas com personalidades distintas. Um do lado do outro, tendo o mesmo fim, mas não se enganem, Lawrence chegou até ali por outras ambições, e mesmo que quase tenha sofrido um golpe, soube perceber que o inimigo do meu amigo às vezes é meu inimigo também.
Bom, terminei o episódio meio que sem palavras. Serei breve na minha despedida, nos vemos na próxima? Até lá então, meus amores! =)
Blessed be the fruit 1: E o que esperar do último episódio? Mataram os comandantes, mas e aí? Outros virão no lugar? É o fim de Gilead?
Blessed be the fruit 2: E a good Janet que é da fucking CIA?? Amei!
Blessed be the fruit 3: Charlotte, Hannah… não vamos esquecer, hein?
Blessed be the fruit 4: Fotografia 10/10.






















