É sabido que The Good Wife adora garimpar as manchetes de jornal para inspirar casos da semana ou construir tramas maiores. Mas o que significa para a série o uso do caso Snowden?
Telefones grampeados são um tanto recorrentes em The Good Wife, seja pelas agências de inteligência, seja pela própria L&G a mando de David Lee (Liebenbaum?). Na segunda temporada, o episódio On Tap foi inteiramente dedicado à questão, com Will sendo ouvido em ligações de terceiros e Eli tendo o próprio telefone grampeado. Em The Bit Bucket, com o caso Snowden em questão, as coisas mudam de figura porque todos já estão grampeados e as gravações já estão lá, no bit bucket do título. A NSA só precisa de um motivo para ouvi-las e como os dois episódios que citei mostraram, eles nem precisam ser muito fortes.
Eu acredito que, assim como no segundo ano, essas escutas farão parte de um arco maior. Dependendo de como a série explorará a questão, elas podem se tornar uma bomba relógio para que a revelação de corrupção na campanha de Peter ou um deus ex machina que os roteiristas podem usar para resolver qualquer trama, inclusive a da corrupção na campanha de Peter. Por mais que eu não queira que seja a segunda, é esse o caminho que eu acho que a série trilhará porque o primeiro implicaria em decisões que eu não enxergo a série tomando.
Para que a série siga o primeiro caminho, as escutas teriam de seguir Alicia para a mansão do governador. Mas Alicia vai se mudar para a mansão do governador e viver sob o mesmo teto que Peter? Se ela se mudar, a sede do governo não poderá se em Springfield, já que a FA&A está com seus escritórios em Chicago. Peter assumirá o governo em um mês e nós não temos noção do que vai acontecer e o segundo caminho soa muito mais The Good Wife que o primeiro, onde essa história ficaria num limbo e voltaria quando conveniente, fazendo com o que a série permaneça a mesma entrementes.
Não quis dizer que o episódio foi ruim, pelo contrário. Durante todo ele eu fiquei muito atenta e ao final eu fiquei enlouquecida imaginando os possíveis desdobramentos. Mas depois eu lembro que The Good Wife muda sem mudar e fiquei um pouco frustrada.
Mas não tem como permanecer assim lembrando da participação de Veronica, embora eu ainda sinta falta de Jackie. Eu não entendi muito bem o porquê de fazer com que a mãe de Alicia a ajude a começar a FA&A, mas eu gostei de ver a aproximação das duas. A cena em que as duas se abraçam e Veronica o rompe foi de partir meu coração e ver Alicia reflexiva na cena seguinte – num ângulo holandês? Acho que nunca vimos Alicia tão vulnerável e exposta e a conversa com a mãe foi tão pequena que não consigo não querer mais e mais.
Quando a segunda traição sofrida por Will, eu só tenho a dizer que fiquei um tanto decepcionada com a forma que tudo ocorreu. A virada no final foi um tanto desnecessária, na minha opinião porque ela fez o sacrifício de Diane parecer supérfluo. Eu não me lembro o que motivou Diane a passar uma oferta similar nas temporadas anteriores, mas é compreensível ela não querer deixar essa oportunidade lhe escapar. Mas do mesmo jeito que a decisão de Eli de promover Marilyn no episódio passado pareceu forçada, o mesmo acontece com a atitude de Diane, que eu acho que teria discutido a questão com Will.
Os King escreveram tanto este episódio quando o anterior e os próximos também serão escritos por eles. A presença deles nunca foi tão constante e eu acredito que eles estejam preparando o terreno para algo grande.
Outros pontos:
– “Jesus diz que não tem problema Grace se vestir bem. Era nisso que Jesus acreditava.” Como não amar as interações em família dos Florrick?
– Alicia se vestia como “uma fantasia de um jovem estuprador” no ensino médio. Flashbacks com Julianna Margulies já!
– Alicia toda metalinguística sobre o retorno de Jeffrey Tambor como o juiz Kluger.
– Mandy Post de volta foi bom de ver também.
– Becca está de volta e dando dicas de maquiagem para Grace. Achei fácil demais ela ter vencido Eli no campus da faculdade, mas bem-vinda de volta Dreama Walker!
– Nada de Robyn e Kalinda ainda subutilizada. Mas o novato Carey estava mais bonzinho.
– Um pouco ofensiva a música étnica que tocou a todo momento NSA do episódio.
– A versão do TED de TGW se chama CTT. Que seja ela recorrente, assim como Chumhum e Sleuthway. Adoro sites falsos que a série cria e adoro a maneira como eles são tão recorrentes. Só falta Chumhum virar verbo sinônimo de pesquisar.















