De acordo com dados da UNICEF de 2016, aproximadamente 200 milhões de meninas ao longo de 30 países já haviam sofrido mutilação genital. Existem 4 tipos de mutilação, sendo o tipo 1 a remoção do clitóris, o tipo 2 a remoção do clitóris e dos pequenos lábios, o tipo 3 a remoção do clitóris, dos pequenos e grandes lábios e o estreitamento da abertura vaginal, e o tipo 4 que é qualquer tipo de mutilação genital.
A prática dessa brutalidade ocorre por diversos motivos, podendo ser justificada na desigualdade de gênero, na tentativa de controlar a sexualidade da mulher ou em ideias sobre pureza, modéstia e estética, em que a menina estaria fazendo uma transição para se tornar mulher. Por ser uma prática consuetudinária, várias mães temem que suas filhas sejam excluídas socialmente caso não realizem a mutilação, não permitindo sequer que a menina atinja certa idade para decidir sobre algo que afeta o seu corpo significativamente, uma vez que essas mulheres ficam mais suscetíveis a infecções urinárias, uterinas, renais, problemas de fertilidade e dor nas relações sexuais, sem contar o estresse pós-traumático.
Considerando o exposto e a clara violação dos direitos humanos, todos os Estados-membros das Nações Unidas assinaram como um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a eliminação da prática de mutilação genital feminina até 2030. Não obstante, a prática ainda afeta muitas mulheres e continua sendo um problema a ser debatido e combatido.

Sendo um tema de pouca repercussão em séries e filmes, fiquei muito feliz ao ver The Good Doctor mais uma vez trazer um assunto tão importante e de uma forma tão bonita e delicada. Assistir a revolta da Dra. Audrey ao escutar os pais da paciente, representou com certeza quase a totalidade das pessoas que assistem a série, afinal é muito difícil compreender como alguém pode pensar que tal mutilação seja uma prática correta e que estará fazendo o bem. Ainda que seja uma violação clara aos direitos humanos, achei interessante colocarem um contraponto mostrando a dificuldade da menina em ir contra os pais, pois não é fácil uma pessoa dar a cara à tapa e ir contra uma tradição.
Fiquei um pouco receoso quanto à decisão de realizar a cirurgia mesmo sem o consentimento, porém estava claro que a menina apenas estava com medo de enfrentar os pais. Essa coragem de colocar seu emprego em risco e enfrentar tudo e todos me fez perceber que a Dra. Audrey merece muito mais espaço na tela e que Melendez deve abrir o olho, pois no momento ela está pisando e desfilando em cima dele e principalmente do Marcus.

Enquanto isso, utilizando de outro caso excelente e emocionante, o desenvolvimento das habilidades sociais de Shaun continua impressionando e mostrando que o personagem tem toda a capacidade para aprender a ser um médico completo. Ainda que não seja necessário mentir toda vez que a verdade não ajuda, podendo apenas não falar nada, a evolução que Shaun teve ao conseguir fazer uma leitura da situação e entender que era melhor mentir do que permitir que a família do Paul se culpasse pela morte, foi imensa.
Ainda nesse sentido, por mais que saibamos que a Lea gosta dele e não deseja fazer qualquer mal, o raciocínio de Shaun é perfeito e totalmente compreensível. Embora exista um motivo para ela o ter abandonado, a dor que ele sentiu e a força que ele precisou ter para se reerguer foi imensa, de tal forma que a mera possibilidade de se entregar de novo e ser abandonado gera uma pavor avassalador. Acredito que Lea ainda pode convencer Shaun de que ela voltou para ficar e que ele pode confiar nela, porém esse processo pode ser um pouco demorado. A única certeza que fica é que ela não voltou para ser uma mera diversão, mas alguém que será extremamente importante para ele no desenvolvimento emocional e social.
> Bom gosto pra SÉRIES é relativo? feat Alice Aquino!
The Good Doctor emplacou mais um episódio de extrema qualidade e promete ser uma grande temporada caso continue no nível dos primeiros episódios. Com uma atuação brilhante de Freddie Highmore, principalmente nas cenas de surto, um roteiro extremamente bem escrito e um desenvolvimento de personagens que antes aparentavam ser apenas figurantes, estou apostando minhas fichas de que teremos um ano muito bom para a série.
















