Romeu e Julieta: o show deve continuar, a tragédia não.

Os relacionamentos se constroem nas afinidades e na convivência, sendo que muitas vezes somos compelidos a repetir os erros do passado. Mesmo tendo o aprendizado da consequência ao nosso lado, parece que queremos perpetuar por gerações o dano causado por nossas duvidosas escolhas. Em The Fosters não é diferente, uma vez que a grande preocupação dos adolescentes se concentra em se corrigir, mesmo que seja superficialmente. O desastre pode ser evitado com a doutrina da sensatez, mas infelizmente em algum momento, a tragédia baterá a nossa porta.

Estas alegrias violentas têm fins violentos, falecendo no triunfo, como fogo e pólvora, que num beijo se consomem

O ensaio para o grande evento de Brandon entregou um episódio regular com poucas novidades. Na verdade, a única coisa marcante neste episódio envolveu a decisão de Stef de realizar os implantes de silicone, com direito a novo penteado a-lá-Degeneres e uma cena hilariantemente constrangedora que meu irmão chamaria de “get no frontoff” da professora de artes.

Ainda em “Rehearsal”, a batalha de Daphne pela guarda de Tasha rendeu bons diálogos, principalmente com o envolvimento da personagem de Kelli Williams. Justina mostrou sutilmente para Callie os conflitos éticos que envolvem o apoio financeiro para uma mudança efetiva das políticas de adoção. Porém, faltou sutileza do roteiro na aproximação de Gabe com os filhos, forçando uma prisão do “pedófilo”. Mariana é a nova Maria do Bairro em The Foster, as construções tendem a desabar ao lado da pobre latina.

Afirmo sem dúvida, que “The Show” é um dos melhores episódios já entregues pela série em seus três anos de existência. Para aqueles que gostam do teatro musical, o episódio foi uma bela representação da esperança de William Shakespeare. Sonho, amor e fantasia estavam mais do que presentes no show do apaixonado casal de Verona.

A participação de Corbin Bleu, além do retorno de Ashley Argota e Garrett Clayton deram um ritmo primordial para a apresentação, com destaque na interpretação da rivalidade entre Montéquios e Capuletos. As coreografias foram bem trabalhadas em cena pelos atores/cantores, assim como os vocais em estúdio funcionaram com qualidade na edição final do episódio.

A morte, que sugou-lhe o mel dos lábios, inda não conquistou sua beleza

Cierra Ramirez se destacou em sua interpretação, dando vitalidade ao amor de Julieta. Só assim mesmo para Matt e Mariana terem um foco merecido no episódio, dando ainda mais descontentamento ao ver a troca de olhares entre Brandon o pianista brega e Callie. A junção das músicas de “R+J: A Romeo and Juliet Tale” com os flashbacks funcionou com competência, inclusive com o “sametime” de Stef.

A única coisa que não funcionou como deveria no episódio foi o bromance entre Jude e Jack, com muitas expressões forçadas e um beijo bem fora de contexto. O que importa é que os produtores conseguiram o seu shock value com a morte de Jack e agora, Rose Jude pode seguir em frente. Jonnor é passado(?).

A temporada segue para o seu finale com muitas pontos sem nó, mas me preocupa o “Final Feliz” para o triângulo Mariana/Matt/Nick muito mais do que o futuro de Brallie/Barmaid/Ajota. The Fosters terminará seu terceiro ciclo em alta, com uma leve dor de tragédia anunciada.

A despedida é uma dor tão suave que te diria Boa Noite até o amanhecer

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