NYPD X Igreja Católica.
O episódio desta semana veio com a difícil missão de finalizar um caso que tinha raízes em diversos setores do poder de Nova York. Digo difícil em função das expectativas que um cliffhanger como o do episódio anterior deixa nos espectadores do seriado. Porém, o roteiro escolheu um caminho simples e direto, sem a adição de novos elementos à trama que já havia sido apresentada e aprofundando os que já haviam sido mostrados no episódio anterior. Considero esta uma ótima decisão do roteiro, que entregou uma finalização sólida e coerente para o caso, além de trazer à tona uma importante discussão sobre o papel da igreja católica no sistema político americano. Apesar de não ter sido uma discussão explícita, foi possível perceber essa questão sendo trabalhada ao longo do episódio, tendo em Carisi o principal elemento de ligação entre a polícia e a igreja.
Sei que já falei inúmeras vezes sobre o ótimo personagem que nos foi apresentado com Carisi, mas não posso deixar de mencioná-lo mais uma vez. O roteiro fez um ótimo trabalho ao longo do episódio, nos mostrando um conflito interno do personagem que já havia pensado em ser padre e o trabalho que ele deveria fazer como detetive. O confronto entre ele e Eugene, que foi o que permitiu a resolução do caso perante à lei, foi muito bom de assistir. Foi possível compreender com facilidade os sentimentos do personagem, que apesar de exaltado foi assertivo em seus argumentos e conseguiu assim convencer o padre a ajudar a investigação. Porém, a cena final dele na igreja com o terço na mão me pareceu um pouco desnecessária, já que a ligação entre ele e o catolicismo já havia ficado explícita ao longo do episódio.
Unholiest Alliance teve a capacidade de nos mostrar todos os personagens trabalhando para, inicialmente, compreender quem estava realmente por trás do círculo de prostituição e, mais tarde, para conseguir provar a culpa do bispo e do monsenhor, inocentando Tucker. Chegamos aqui ao ponto importante do cliffhanger, mas que no final das contas, não mudou o rumo da história em absolutamente nada. Vimos Olivia não só auxiliando a investigação como dando ordens à Dodds sobre o que fazer após o desaparecimento de Nina. Achei ótima também a interação entre Benson e Barba, quando a detetive vai questioná-lo sobre o porquê de ele tê-la denunciado por envolvimento com Tucker. O diálogo foi simples, curto e extremamente direto, além dos dois personagens estarem falando de igual para igual. Mais uma prova da força do personagem de Barba, que vem perdendo um pouco de espaço nesses últimos episódios, mas ainda assim marca presença provando a importância que possui para o seriado.
E, já que estamos falando de Olivia, vamos falar sobre o motivo de seu temporário afastamento de SVU: Tucker. O detetive da IAB, que estava no centro dos acontecimentos do episódio, foi acusado de ser a cabeça do círculo de prostituição através de depoimentos comprados de seu próprio primo e dos policiais do VICE. Porém, a chave da trama é Eugene e o segredo que o padre tentava esconder. Foi a partir da descoberta do apartamento de Eugene e de seu “cowboy de estimação” que a delineação dos verdadeiros culpados começou a surgir.
Vimos neste episódio como são os subterfúgios utilizados por aqueles que possuem conexões com figuras do alto escalão de Nova York. Como os padres iam conseguir retirar a investigação das mãos da NYPD para se salvar. Vimos ainda a troca de um “peão” para salvar a pele do bispo, que escapou da consequência de seus atos. E é exatamente pelo episódio ter trazido essa questão da extensão do poder de pessoas influentes que eu acredito que ainda veremos mais desdobramentos de pessoas ligadas à essa trama.
Para finalizar a review é necessário falar sobre a cena final entre Benson e Tucker. Sabemos muito pouco sobre a interação dos dois, mas esta cena final me deixou pensando em possíveis acontecimentos futuros. Pode ser que eu esteja vendo problema onde não existe, mas tive a impressão que a frase final de Tucker dizia respeito a segunda taça de vinho de Olivia enquanto ele ainda bebia a primeira metade da sua. Não sei se veremos Benson com um problema relacionado a bebida, já que logo me lembrei de algumas cenas que a mostravam bebendo mais de uma garrafa de vinho enquanto estava sozinha em casa. Mas, é apenas uma teoria, ainda é cedo para compreendermos as verdadeiras intenções do roteiro.
















