Finalmente The Event apresenta um episódio ágil e cometendo poucos erros. Parece que a série pode engrenar!

Spoilers Abaixo:

É fato que The Event prometeu muito mais do que cumpre. Isso é normal, já que a NBC prometeu coisas que a série não poderia cumprir. Vender um produto como a “nova Lost” é praticamente assinar um atestado de óbito para uma série. Não que seja impossível existir uma série melhor que Lost. Pelo contrário, posso citar várias. O problema é que a série da ABC tem uma legião muito grande de fãs, o que gera uma pressão desnecessária para qualquer produtor. É desculpa para um fracasso? Claro que não, mas é importante que qualquer série rotulada de tal forma se desapegue disso e começe a andar com seus próprios passos. É isso que The Event faz em Loyalty.

Começando exatamente de onde Casualties of War terminou, esse episódio nos mostra Sophia sendo rastreada pelo governo americano e Thomas fazendo tudo para impedir que esse o encontre, ajudado pelo agente duplo Lee, que fornece informações de cada passo tomado pela inteligência. Mas ele não parece muito contente com as atitudes de seu chefe. Lembrando do passado, quando tinha uma pacata e feliz vida, antes de Thomas voltar a chamá-lo para continuar seu serviço, ele mostra seu descontentamento com a atual situação. Enquanto isso, Sean e Leila procuram informações sobre o pai da garota, já que foi dito a eles que esse não era o anjo que pensavam que era.

Não é que o episódio tenha sido uma maravilha. Longe disso. Mas comparado com os anteriores, com exceção do piloto, Loyalty mostrou uma maior maturidade de roteiro, além de deixar um pouco de investir em coisas desnecessárias. Os flashbacks, por exemplo, diminuíram, e passaram a ser mais relevantes e menos invasivos. O roteiro parou de se enrolar nele mesmo para desenvolver mais agilmente uma história. Além disso, conseguiu se fixar em duas tramas principais, alternadas inteligentemente, sem que o espectador se perca. Dessa forma, conferiu uma maior leveza no seguimento de sua história, fazendo com que as coisas pareçam menos travadas.

Falando mais profundamente do roteiro, é impressionante o salto de qualidade que tivemos do episódio passado para este. Se lá o que víamos era um amontoado de coisas soltas sem coesão nenhuma, aqui vemos que a série está aprendendo a criar histórias interessantes. Como já disse, a história basicamente se dividiu em duas tramar principais, a de Sean e Leila e seus dramas familiares, e a do governo americano versus os “Estranhos”, que agora têm um nome: EBEs. Começando pela segunda e mais importante, foi muito interessante ver um episódio em que o Presidente Martinez não aparecesse tanto. Com Sterling no comando das ações pudemos ver a trama se desenvolver sem os dilemas clichês do governante. Aliás, Sterling é um personagem que poderia ser melhor aproveitado pela série, uma vez que conta com um ótimo ator (Zeljko Ivanek, que curiosamente atuou na primeira temporada de 24), e parece ser um personagem com uma história com mais caminhos a seguir.

Voltando à trama, é bom ressaltar que não andamos a passos largos no que diz respeito ao desenvolvimento da história, mas tivemos bons momentos de ação e finalmente vimos o agente Lee sendo desmascarado. É verdade que isso até demorou para acontecer, visto que ele não tomava exatamente muito cuidado com suas atitudes, mas gostei que essa história de agente duplo tenha acabado, ao menos por ora. Aliás, Lee foi outro que seguiu a mesma construção vista em Vicky no episódio passado, mostrando-se como uma boa pessoa nos flashbacks envolvendo sua namorada da década de 50, Violet, que convenientemente tem mal de Alzheimer e não convenceu ninguém com seu reconhecimento. Não gosto que a série esteja caracterizando seus vilões como pessoas de bom coração, mas é melhor que investir em um maniqueísmo superficial, coisa que é vista em muitas séries. Além disso, aproveito para citar a ótima sequência da implosão do galpão, em que Lee acaba falecendo. Utilizando de um bom jogo de câmeras que é muito eficiente em causar uma sensação de pânico, o diretor do episódio, Jeffrey Reiner, mostra que sabe o que está fazendo. Ele já tinha dado mostras disso em Casualties of War, nas cenas do hospital.

Se a trama envolvendo o governo anda bem, a de Sean e Leila nem tanto. Apesar de a história seguir com agilidade, os dois personagens ainda não conseguem despertar no espectador uma simpatia suficiente para que nos importemos com eles. Isso se deve muito à má atuação do casal, Jason Ritter e Sarah Roemer, mas também ao precário desenvolvimento dos próprios personagens. Além disso, a intervenção da jornalista parece completamente fora do contexto, além de absurda. Até a parte que Mike acidentalmente chegou à Irostranka está tudo certo, mas como ela sabe de tantas coisas? Quer dizer então que o governo não foi tão feliz em esconder as coisas. Mas se nem os presidentes americanos sabiam disso, como uma jornalista descobriu toda a mutretagem com uma pesquisa? Estranho.

Fora esses absurdos, Sean e Leila mostraram que juntos rendem mais do que separados. Senti falta de Vicky nesse episódio, e imagino que ela retornará em um futuro próximo. Acho meio estranho só agora eles retomarem a história do sequestro de Samantha, mas perdoo pelo fato de Sean não dar a mínima pra cunhadinha, já que preferia salvar Leila, enquanto que ela sim se importa com a irmã. Além disso, é importante que o casal não fique “ocioso” e que o roteiro arranje algo pros dois fazerem, já que vai levar um tempo até que eles entrem a fundo na conspiração, o que inevitavelmente irá acontecer.

Ainda sem mostrar um grande episódio, The Event parece que está tomando um rumo e tem boas chances de engrenar. Só espero que os elogios dados por mim para Loyalty não tenham sido cedo demais e que a coisa não desande semana que vem.

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