Começando a deixar o grande evento da temporada para trás.
Não é a toa que The Bridge vem fazendo episódios onde o título remete a bestas mitológicas. A série sempre foi marcada pela presença dessas bestas em formas contemporâneas, e esse é um dos principais motivos que tornam a série tão interessante: a peculiaridade e bizarrice dos personagens que vão aparecendo no caminho. Eidolon, em sua essência é um fantasma, durante o episódio, vários quesitos podem ser relacionados com tal título, mas todas as possíveis interpretações se perdem quando a série tenta ser muito rápida e dinâmica. O resultado do episódio acaba sendo irreal para os padrões da série, que sempre caminhou de maneira mais lenta. Uma criança não aprende de um dia para o outro a correr. The Bridge pode até se tornar uma série onde as resoluções acontecem de uma hora para a outra, mas esse processo precisa ser mais natural. Parece que depois de dez episódios, a série já se via incomodada com toda a enfase narrativa que deu a Nacht e ao evento em Red Ridge View.
O que se vê em Eidolon é o resultado do tiroteio do episódio passado, e deve de agora em diante ser tratado como um fato que já se foi. A investigação já está praticamente concluída. Com apenas mais três episódios para o final da temporada (e possivelmente da série), The Bridge precisa começar a se preocupar com o encerramento. Depois de dez episódios densos e cheios de camadas, a série precisa finalmente aceitar os efeitos colaterais de todos os relacionamentos que apresenta. Precisa agora, focar seu tempo de tela no grande antagonista da temporada (e talvez da série toda): Fausto Galvan.
Há alguns episódios o texto vem dissecando Galvan, apresentando suas falhas, manias, e sucessos. Agora, chega a hora da dupla de protagonistas correr atrás do grande líder do cartel que se vê conectado a tantos crimes que a série investigou. Com a captura de Eleanor Nacht, poucas coisas ainda pedem por resolução no âmbito criminal da temporada (o caderno da personagem dará conta de resolver a maioria das dúvidas restantes). Galvan abre espaço para The Bridge ser a série bizarra que adoramos assistir, e também traz profundidade narrativa; uma critica social despretensiosa que mostra como o capitalismo fez até do mais sádico um homem respeitado e rico; e finalmente, coloca Marco em Sonya em confusão, sem saber direito como lidar com tal situação, mas principalmente sem saber como lidar um com o outro, devido a falta de confiança imposta pela longa relação conflituosa entre Marco e Fausto.













