O que foi vendido como um grande acontecimento não passa de uma vingança sem sentido.
Poucos atributos positivos em Old Friends. Impressionante como depois de dois ou três episódios sólidos que se encarregaram de mostrar o potencial que a série possui, tudo voltou a soar forçado e com exceção das atuações de Bichir, Kruger e Levine, o desastre narrativo imperou. Lembro como se fosse ontem, no piloto da série, eu imaginando todo o teor político e social por trás do discurso do até então desconhecido assassino. Agora suas intenções parecem tão rasas, mesquinhas e sem sentido. Inclusive Marco questiona o assassino, sobre tantos que perderam tudo e não agem da mesma maneira.
Em um episódio onde um resgate é o centro da trama, geralmente empecilhos físicos costumam aparecer. No caso, os machucados devido ao acidente de Sonya e o cansaço após dias sem dormir de Marco. Esse artifício é tão bem utilizado em séries de Aaron Sorkin, por exemplo, mas soaram tão irrelevantes e artificiais em Old Friends. Por outro lado o abalo emocional evidente de Marco não poderia ser melhor caracterizado, Demian Bichir vem sendo uma das coisas que me fazem sentir um pouco de prazer ao assistir The Bridge, sua atuação é bastante sólida. Os dilemas éticos de Sonya ao emprestar a arma para o colega e ainda encobri-lo em sua jornada pessoal também merecem menção. Se tem outra coisa que me prende com força à série é a tal dinâmica entre Marco e Sonya.
A série também peca no momento em que não se esforça para criar coadjuvantes no mínimo razoavelmente “gostáveis”. Não faz sentido colocar Gus na situação em que se encontra durante o episódio se o espectador pouco se importa com ele. Sinceramente, eu não poderia me importar menos se no futuro o personagem morrer. Ainda no núcleo dos coadjuvantes irrelevantes, Daniel Frye se torna cada vez mais irritante ao mostrar-se ser uma pessoa difícil de se conviver. As dificuldades para abandonar as drogas soam tão artificiais e essa trama ainda parece tão desnecessária para a série que fica difícil imaginar alguma reviravolta plausível para todo o mise en scene, mesmo faltando três episódios para o fim da temporada.
Charlotte então, parece mais fora do tom ainda. Gosto de sua jornada, de boa esposa à matadora dos desertos. Gosto de ver sua evolução, mudou suas roupas, suas atitudes, até mesmo suas expressões faciais. Mas infelizmente não consigo relacionar suas ações e intenções com nada até agora. Posso soar repetitivo, mas é bastante frustrante assistir uma série com boas storylines que nunca se encontram. Temos Frye e sua ligação com o assassinato dos filhos de Kenneth Hastings. Steven Linder e suas atitudes misteriosas, Fausto Galvan e Charlotte ligados pelo túnel. Infelizmente não vejo uma futura colisão de tramas, ao menos não nessa temporada. E essa demora toda para realmente fazer algo acontecer pode custar caro. Tão caro quanto as traições de Marco estão custando para ele e sua família.













