Enfim o retorno da série aclamada pela crítica especializada que (quase) ninguém assiste.
The Americans estreia sua terceira temporada com um episódio que mantem o nível de excelência habitual, com narrativa pautada em desenvolvimento de personagens e tramas.
Eis que EST Men se inicia já com um sensacional discurso contra o machismo presente nas relações de trabalho na sociedade americana (e no resto do mundo) durante a década de 80 (e até hoje, acredito eu). Não bastasse isso, a cena focada em Elizabeth culmina com uma perseguição que foi a que ela mais correu risco de ser descoberta e presa até hoje! Calmaria e tensão que os roteiristas de The Americans sabem misturar tão bem.
O painel desenhado nesse episódio de abertura é de mais uma crise de ideologias entre Philip e Liz, principalmente no que concerne a apresentar o mundo da espionagem para a filha Paige. Isso promete conflitos pontuados por sutilezas, como a cena em que Elizabeth lhe entrega um pedaço de bolo após discussão na cozinha de casa.
Por falar em Paige, pequenos conflitos futuros foram delineados em sua relação com a mãe, como o pretenso namorado empurrado pelo pastor que notoriamente desagradou Elizabeth.
A relação de amizade entre Philip e Stan continua, mas após a saída de Nina estou aguardando algo substancial que permita que o personagem ainda seja relevante para a trama, pois a tentativa de recuperar o casamento já soa intragável e tediosa desde a temporada passada.
Velhas caras conhecidas voltaram a aparecer, como Martha em cena de sexo gratuito e aleatório com Clark, porém a sequência na qual ele treina com o revólver no stand de tiro provavelmente terá implicações futuras na trama, talvez garantindo mais atitude e menos passividade por parte da personagem.
Annelise, a agente infiltrada de Philip, também apareceu para se despedir de vez. O que me deixou intrigado na sequência final é se Philip, de fato, planejou a morte dela, manipulando-a com sua paixão recém-declarada por Yousaf Rana para que pudesse ter vantagem sobre ele ou se a situação realmente fugiu ao seu controle. Particularmente aposto na primeira opção, pois o trabalho exige sacrifícios diante de certos contextos para se atingir um objetivo final.
Entre os rostos novos, talvez o de maior destaque seja o de Frank Langella, o novo handler do casal de americanos. Ele já chegou dizendo o que a Central espera do casal com relação à Paige, o que promete desdobramentos futuros e conflitos para a trama.
Nessa première, a embaixada russa apareceu diversas vezes, porém nada me prendeu e/ou chamou a atenção ali por enquanto, ocupando desnecessário tempo de tela. Elizabeth treinando um novo agente soa promissor, já que a última tentativa não foi tão bem sucedida assim.
No mais, The Americans retornou para o seu terceiro ano de forma competente, cumprindo sem prometer e sem fazer muito alarde. EST Men se mostrou um episódio equilibrado, tendo espaço de tela para todos os personagens e sem foco específico em Philip e/ou Elizabeth, além da cadência habitual marcada por nuances e sutilezas. Também delineou superficialmente alguns rumos para as tramas do novo ano. Calcada na atuação de seu primoroso elenco, no desenvolvimento de personagens e tramas, a série continua sendo uma boa opção para se manter na grade de programação de qualquer SérieManíaco que por ela nutra gosto.






















